
O empresário e influenciador fitness Renato Cariani sabia das investigações contra ele por meio do policial civil André Dziuba. É o que apontam as alegações finais apresentadas pelos promotores do Ministério Público de São Paulo (MPSP). Além de Cariani, o órgão pede a condenação dos empresários Fábio Spinola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.
MPSP aponta amizade entre Cariani e policial civil
De acordo com a acusação, Dziuba e Cariani mantinham uma relação de amizade que ia além da esfera profissional. “A proximidade é evidenciada, entre outros elementos, por solicitações pessoais feitas pelo policial ao empresário, inclusive relacionadas à obtenção de suplementos para tratamento de seu joelho", cita o documento.
O material aponta ainda que Cariani era informado sobre fiscalizações. "Ao mesmo tempo, André recorria a Renato para obter auxílio ou informações relacionadas a fiscalizações realizadas no âmbito de suas atribuições”, destaca o MPSP.
Segundo os promotores, o policial não apenas compartilhava dados sobre investigações no setor de suplementos, mas também teria atuado para enfraquecer e arquivar um inquérito anterior na 2ª Vara Criminal de Diadema, cujas suspeitas eram semelhantes às da apuração recente.
Desvio de 12 toneladas de insumos
Segundo as alegações finais do MPSP, o grupo liderado por Cariani, Fábio Spinola e Rodrigo Gomes foi responsável por desviar 12 toneladas de produtos químicos capazes de produzir cerca de 15 toneladas de drogas, principalmente crack e cocaína. O esquema de tráfico movimentou quase R$ 2,5 milhões depositados em espécie.
A acusação é desdobramento da Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal em 2023. De acordo com as investigações, a fraude ocorria na Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa sediada em Diadema, da qual Cariani é sócio.
A divisão de tarefas no esquema
A promotoria detalha que os reús atuavam dividiam funções para simular a venda dos insumos químicos:
- Renato Cariani: criava os pedidos fictícios e simulava as vendas fraudulentas de insumos pela Anidrol — ao todo, o Gaeco contabilizou 59 operações encenadas.
- Fábio Spinola Mota: utilizava uma conta de e-mail falsa se passando por representantes de multinacionais farmacêuticas, sem o conhecimento destas empresas.
- Rodrigo Gomes Pereira: era o responsável direto pela aquisição e pela operacionalização da compra dos produtos químicos.
Os insumos desviados — como fenacetina, acetona, éter etílico, ácido clorídrico, manitol e acetato de etila — eram direcionados ao refino de entorpecentes para o narcotráfico.
Leia a nota da defesa de Renato Cariani
A defesa de Renato Cariani manifestou-se por meio de nota enviada ao Portal Metrópoles:
“Recebemos com naturalidade o pedido de condenação formulado pelo Ministério Público. Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa.
O processo se encontra agora em fase de alegações finais defensivas. Nela, a defesa irá responder a cada uma das teses apresentadas pelo Ministério Público e demonstrar, com base na prova produzida ao longo da instrução, que elas são improcedentes.
Confiamos que o Poder Judiciário fará, ao final, um julgamento justo, pautado pela análise isenta da prova. Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani.”