
Um conjunto de seis rios e córregos que cortam a capital paulista antes de desaguar no Rio Tietê registrou melhora na qualidade da água ao longo dos últimos dois anos. O balanço, divulgado nesta terça-feira (22), data em que se comemora o Dia do Rio Tietê.
Os números fazem parte de um levantamento conduzido pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), órgão ligado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).
O destaque entre os afluentes monitorados é o Rio Cabuçu de Cima, na Zona Norte da cidade, no qual a concentração de matéria orgânica na água caiu de 39 mg/L em 2024 para uma média de 27 mg/L no período entre o segundo semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026, uma redução de 31%.
Outros afluentes também avançam
Logo atrás do Rio Cabuçu de Cima aparecem os rios Aricanduva e o Cabuçu de Baixo, ambos com melhora de 26%; o primeiro saindo de 21 mg/L para 16 mg/L e, o segundo, de 28 mg/L para 21 mg/L.
Completam a lista o Córrego Carandiru/Carajás, com avanço de 14%; o Rio da Pedra, com 13%; e o Tamanduateí, com 11%.
O indicador utilizado pela Cetesb para essas comparações é o Carbono Orgânico Total (COT), métrica que mede a presença de matéria orgânica na água, geralmente associada ao despejo de esgoto, e que funciona de maneira inversa: quanto mais baixo o número, melhor a condição do curso d'água.
Rede de monitoramento
Para acompanhar de perto os efeitos das obras de saneamento, a Cetesb ampliou significativamente sua capacidade de monitoramento na Região Metropolitana de São Paulo, passando de 11 para 30 afluentes avaliados. Essa rede expandida entrou em operação em janeiro de 2024, com pontos de coleta instalados estrategicamente em trechos onde a Sabesp já tinha intervenções de tratamento de esgoto programadas, permitindo a avaliação das melhorias.
Além da variação percentual isolada, a Cetesb leva em conta a chamada área de drenagem, o território que envia água para cada curso d'água. Quanto maior essa área, maior costuma ser o volume transportado e, consequentemente, o peso do afluente sobre o volume final no Rio Tietê. Por isso, uma melhora percentualmente menor em um rio grande pode ter impacto mais relevante do que uma queda maior em um córrego pequeno.
O Tamanduateí ilustra esse ponto. Apesar de ter uma melhora de "apenas" 11%, ele drena uma área de 330,6 km², a maior entre os seis rios destacados. Em seguida vêm o Cabuçu de Cima, com 134,6 km²; o Aricanduva, com 102,4 km²; e o Cabuçu de Baixo, com 43,5 km². Já o Córrego Carandiru/Carajás e o Rio da Pedra têm bacias bem menores, de 8,5 km² e 4,7 km², respectivamente, e consequentemente pesam menos no cálculo conjunto.
Melhora se repete em escala metropolitana
O fenômeno observado na capital não é isolado: entre os 30 afluentes avaliados individualmente pela Cetesb em toda a Região Metropolitana, 13 apresentaram redução na concentração de matéria orgânica.
Ponderando pelo tamanho de cada bacia de drenagem, a média geral caiu de 26 mg/L em 2024 para 23,7 mg/L em 2025, chegando a 20,1 mg/L em 2026 — uma queda acumulada de 23% em dois anos. Esse resultado de 2026 ficou 36,2% abaixo da meta de 31,5 mg/L estabelecida pelo programa IntegraTietê para o período.
O efeito já reflete no Rio Tietê, uma vez que, na saída da Grande São Paulo, a carga de matéria orgânica transportada pelo rio caiu de 218 para 154 toneladas por dia entre 2024 e 2026, uma redução diária de 64 toneladas, equivalente a cerca de 29%.