Passagem subterrânea do MASP, na Avenida Paulista, em São Paulo
Divulgação
Passagem subterrânea do MASP, na Avenida Paulista, em São Paulo

O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), amplia seu acervo cultural exclusivo ao inaugurar, nesta sexta-feira (11), uma nova passagem subterrânea na Avenida Paulista, via histórica da capital. O túnel une os dois prédios de acervo artístico do complexo: o clássico edifício Lina Bo Bardi e o novo edifício Pietro Maria Bardi, aberto em março de 2025.

A obra foi iniciada em 2023, e traz, não só uma forma prática de deslocamento aos visitantes, mas também uma pintura inédita, através de uma instalação imersiva marcada pela grandiosa obra de Beatriz Milhazes.

A artista, que é carioca, criou “Pietrolina”, um mural que acompanha o percurso dos visitantes por 98 metros ao combinar uma pintura linear de 60 metros em uma parede com 38 metros elementos reflexivos que cobrem a outra parede; a obra contou com curadoria de Adriano Pedrosa e Amanda Carneiro. O nome da obra é uma fusão dos sobrenomes de Pietro Maria Bardi e Lina Bo Bardi, casal fundador do MASP, e simboliza a união dos dois edifícios.

Clássico edifício Lina Bo Bardi, do MASP, na Avenida Paulista, em São Paulo
Paulo Guereta/ Prefeitura de São Paulo
Clássico edifício Lina Bo Bardi, do MASP, na Avenida Paulista, em São Paulo


Visão artística

O processo criativo de Beatriz se estendeu por mais de dois anos, com a execução da pintura realizada em cerca de três meses. Milhazes desenvolveu um estudo cromático minucioso que resultou em uma paleta de 33 cores de tinta acrílica, escolhidas para dar vida às formas e ornamentos que remetem ao c arnaval brasileiro.

Passagem subterrânea que conecta o icônico edifício Lina Bo Bardi ao novo prédio Pietro Maria Bardi
Eduardo Ortega/divulgação
Passagem subterrânea que conecta o icônico edifício Lina Bo Bardi ao novo prédio Pietro Maria Bardi


Através de arabescos, listras, flores tropicais e padrões orgânicos que se entrelaçam em uma grande composição, o visitante é convidado a sentir o ritmo festivo e a estética dos desfiles carnavalescos. Essa linguagem visual dialoga diretamente com características marcantes de sua produção, assim como outra obra da artista, intitulada como “Avenida Paulista”(2020), já incorporada ao acervo do MASP.


A carreira de Beatriz Milhazes, já ultrapassa quatro décadas e tem grande repercussão internacional. Algumas de suas obras estão presentes no MoMA, em Nova York; na Tate Modern, em Londres; no Centro Georges Pompidou, em Paris; e no Museo Reina Sofía, em Madri. No Brasil, além do Masp, suas criações integram coleções da Pinacoteca e do Museu de Arte Moderna de São Paulo.

A artista é reconhecida por transformar referências populares e elementos do cotidiano (como papéis de bombom, rendas e fitas decorativas) em composições sofisticadas e coloridas, que resgatam tanto o modernismo brasileiro quanto a energia da cultura nacional.

A passagem

Em uma publicação feita pelo MASP em suas redes sociais, o Museu deixou claro mais uma vez que a passagem não se resume somente ao deslocamento, adicionando também três claraboias ao longo do percurso, para permitir a entrada de luz natural e a vista do visitante às pessoas que passam pelas calçadas da Avenida Paulista.

O Museu também esclareceu que teve um arqueólogo presente durante todo o processo, para o caso de algum artefato histórico ser encontrado. O teto e as laterais da passagem foram feitos antes mesmo da escavação, para não atrapalhar a passagem dos pedestres.

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