
Leonardo Souza Ceschini, um empresário e torcedor declarado do Corinthians de 39 anos, foi condenado pelo Tribunal do Júri de São Paulo, na noite desta terça-feira (31). A pena, de 13 anos e 24 dias de prisão em regime fechado, é referente ao feminicídio de Érica Ceschini, de 34 anos, que era esposa do condenado e palmeirense.
O crime aconteceu no dia 31 de janeiro de 2021, dentro do apartamento da família, na Vila Mangalot, Zona Norte da capital, e foi presenciado pelos filhos gêmeos do casal, que tinham apenas dois anos de idade. O caso foi motivado por uma discussão relacionada a um jogo de futebol.
O julgamento, realizado no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste, contou com a participação do Conselho de Sentença, que reconheceu não apenas a autoria e a materialidade do homicídio, mas também as qualificadoras de feminicídio e meio cruel. A pena foi agravada pelo fato de o crime ter sido cometido na frente das crianças, circunstância que amplia o grau da violência.Torcidas rivais
Leonardo confessou o assassinato e afirmou que a tragédia teve início durante a final da Copa Libertadores da América de 2020, disputada em 30 de janeiro de 2021, quando o Palmeiras venceu o Santos por 1 a 0. No dia seguinte, a rivalidade esportiva se transformou em uma briga doméstica.
Segundo a perícia, Érica foi atingida por oito golpes de faca, sendo três no peito, quatro nas costas e um na perna. Vizinhos, que ouviram gritos vindos do apartamento, foram os responsáveis por acionar a Polícia Militar; quando as autoridades chegaram, encontraram a vítima caída na cozinha, ensanguentada e inconsciente. Por mais que o atendimento médico tenha sido acionado, o óbito foi confirmado ainda no local.
Leonardo também apresentava ferimentos no abdômen, compatíveis com cortes de faca. Na versão inicial, o condenado tentou sustentar a versão de que havia sido atacado pela esposa e que ela teria tirado a própria vida logo em seguida, mas, diante das contradições, acabou confessando que tomou a faca da mão de Érica e a esfaqueou de volta. Em depoimento, afirmou que as discussões sobre futebol eram frequentes e que a partida da Libertadores teria sido o estopim da violência.
O homem chegou a ser preso em flagrante no dia do ocorrido, mas foi solto em fevereiro do mesmo ano. Em julho de 2021, o Ministério Público denunciou Leonardo pelo assassinato; apenas em fevereiro de 2024, foi determinado pela Justiça que ele iria ao Tribunal do Júri.
O iG tentou contato com a defesa de Leonardo mas não obteve resposta até o momento da publicação. Ao g1, a defesa informou que irá recorrer da decisão que condenou Leonardo.