
O Brasil tem ainda dois meses de verão, uma época de comemorações, viagens e renovação, mas que também exige cuidados. O calor mais intenso e a incidência de chuvas podem atrair alguns animais indesejados, como os escorpiões.
No ano passado, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) registrou 42.526 casos envolvendo escorpiões, incluindo duas mortes.
Medidas preventivas simples, como vedar ralos, acondicionar lixo em sacos plásticos ou outros recipientes que possam ser mantidos fechados, para evitar baratas, moscas ou outros insetos; manter jardins e quintais limpos; evitar o acúmulo de entulhos, folhas secas, lixo doméstico e materiais de construção nas proximidades das casas; já ajudam a diminuir o risco da presença desses animais.
“A prevenção começa dentro de casa e no entorno das residências. A limpeza regular de quintais e a correta destinação dos resíduos reduzem os abrigos e a oferta de alimento para os escorpiões, diminuindo o risco de acidentes”, explica Tatiana Lang, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da SES-SP.

Sintomas
O sintoma mais comum após a picada de escorpião é a dor intensa no local do ferimento, mas, em casos mais graves, também podem ocorrer náuseas, suor excessivo, agitação e alterações nos batimentos cardíacos e na respiração. Em caso de suspeita de picada, procure atendimento médico imediato.
De acordo com informações do Ministério da Saúde, o diagnóstico de envenenamento dos acidentes escorpiônicos é eminentemente clínico-epidemiológico, não sendo empregado na rotina hospitalar exame laboratorial para confirmação do veneno circulante.
Alguns exames complementares são úteis para auxílio no diagnóstico e acompanhamento de pacientes como eletrocardiograma, radiografia do tórax, ecocardiografia e exames bioquímicos.
O tratamento específico é feito com o Soro Antiescorpiônico, de preferência ou, na falta deste, com o Soro Antiaracnídico (Loxosceles, Phoneutria e Tityus).
Os soros devem ser administrados em ambiente hospitalar e sob supervisão médica.O Governo do Estado possui 233 Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno, pensados para reduzir o tempo entre a picada e o atendimento. Esses pontos estão preparados para acidentes com animais peçonhentos e possuem soro antiescorpiônico.
Espécies no Brasil
No Brasil, os escorpiões de importância em saúde pública são as seguintes espécies do gênero Tityus:
- Escorpião-amarelo (T. serrulatus) - com ampla distribuição em todas as macrorregiões do país, representa a espécie de maior preocupação em função do maior potencial de gravidade do envenenamento e pela expansão em sua distribuição geográfica no país, facilitada por sua reprodução partenogenética e fácil adaptação ao meio urbano.
- Escorpião-marrom (T. bahiensis) - encontrado nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil.
Escorpião-amarelo-do-nordeste (T. stigmurus) – Também apresenta reprodução do tipo partenogenética. É a espécie mais comum no Nordeste, apresentando alguns registros nos estados de Tocantins, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. - Escorpião-preto-da-amazônia (T. obscurus) – Principal causador de acidentes e óbitos na região Norte e no Estado de Mato Grosso.