Chuva de 2016 em Lençóis Paulista
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Chuva de 2016 em Lençóis Paulista

Pesquisadores da Unesp desenvolveram um sistema de monitoramento de chuvas inspirado na tecnologia usada para detectar aviões por meio de radares. A ferramenta foi criada para auxiliar a identificação de temporais e o risco de enchentes, especialmente em cidades com poucos recursos financeiros ou infraestrutura limitada para monitoramento meteorológico.

O sistema estará disponível a partir do verão deste ano e foi desenvolvido em parceria com a Prefeitura de Lençóis Paulista, no interior de São Paulo. A iniciativa surgiu após episódios recorrentes de alagamentos na cidade, incluindo um temporal em janeiro de 2016 que deixou duas pessoas mortas, outras 997 desabrigadas e causou prejuízos estimados em R$ 26 milhões à infraestrutura da cidade.

Como funciona o sistema

A ferramenta utiliza dados de radares meteorológicos para identificar a intensidade e a distribuição das chuvas em grandes áreas, sem depender exclusivamente dos sensores de chuva instalados no solo. A tecnologia se baseia na emissão de ondas eletromagnéticas, semelhantes às usadas na aviação para detectar aeronaves, que retornam ao radar ao atingir gotas de chuva na atmosfera.

Essas ondas permitem identificar não apenas a presença da chuva, mas também sua intensidade e deslocamento. As informações coletadas são inseridas em um modelo físico do solo, que simula como a água da chuva é absorvida ou escoa conforme as características da região. Com isso, os meteorologistas conseguem prever com antecedência a possibilidade de enchentes e alertar autoridades e a população sobre a chegada de chuvas intensas.

O projeto foi desenvolvido pelo professor Demerval Moreira, do Departamento de Física e Meteorologia, da Unesp, e a geógrafa Thaísa Giovana Lopes. Para Demerval, a principal inovação está no uso combinado de dados de radar e da modelagem do solo:

“Nosso trabalho é inovador porque utiliza dois dados de que dispomos efetivamente, que são o radar meteorológico e a modelagem do solo”, explica.

Thaísa pesquisou a enchente de 2016 durante seu mestrado no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e destaca o impacto social da ferramenta.

“É um produto que contribui para a população, que é frequentemente afetada pelas inundações. Além disso, o desenvolvimento do modelo também trouxe ganhos de conhecimento para nós, pesquisadores”, afirma.


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