Residência que explodiu na Rua Francisco Bueno, no Tatuapé, zona Leste de São Paulo
Foto: Gabriel Barros
Residência que explodiu na Rua Francisco Bueno, no Tatuapé, zona Leste de São Paulo

O cenário de destruição é o que chama atenção no entorno do número 79 da Rua Francisco Bueno, no Tatuapé, zona Leste de São Paulo, onde foi registrada uma forte explosão em um depósito clandestino de fogos de artifício, por volta das 19h40 desta quinta-feira (13). Veja imagens do local:

Uma pessoa que estava na casa de fogos morreu carbonizada e a Polícia Civil de São Paulo acredita que seja Adir de Oliveira Mariano, de 46 anos, que alugou a casa há cerca de 40 dias.

Outros dez vizinhos ficaram feridos. Entre as vítimas, está uma mulher que sofreu traumatismo cranioencefálico e está em estado grave.

Segundo informações confirmadas à reportagem do Portal iG pelas autoridades que investigam o ocorrido, Adir de Oliveira Mariano tinha histórico criminal e respondia na Justiça por soltar balões.

Seus familiares compareceram ao Instituto Médico Legal (IML) para tentar reconhecer o corpo encontrado próximo ao imóvel, mas não conseguiram identificá-lo, devido ao estado.

Em coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira (14), o delegado Felipe Soares, do Corpo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Cerco) da 5ª Seccional de Polícia de São Paulo, afirmou que a polícia vai investigar se Mariano agiu sozinho, se o local era utilizado também para fabricação de explosivos, além de armazenamento, e de quem ele comprava o material que explodiu.

O Gate apreendeu parte dos artefatos e encaminhou para investigação.

O Corpo de Bombeiros confirmou que o imóvel que explodiu não tinha alvará de produção ou armazenamento de fogos de artifício.

Estragos

Quintal de residência destruída pela explosão
Foto: Gabriel Barros
Quintal de residência destruída pela explosão

Depois da explosão, a Defesa Civil de São Paulo interditou 23 imóveis vizinhos do depósito de fogos de artifício; 12 de forma total e 11 de forma parcial.

Nesta tarde sexta, após novas vistorias, este número diminuiu para 11 residências, sendo 10 residências totalmente interditadas e uma parcialmente interditada.

Uma família está sendo atendida pelo Coordenação de Pronto Atendimento Social (CPAS) e outros foram abrigados por familiares, segundo o órgão.

A força da explosão foi tão forte que provocou danos graves em diversos imóveis do entorno, inclusive residenciais, derrubando estruturas metálicas, e em vários veículos que estavam estacionados e que passavam nas proximidades. Veja galeria de fotos no final da reportagem.

É o caso da residência de Bruno Medeiros, que fica próximo ao local da explosão, a cerca de três casas, e foi bastante danificada pelo impacto.

Ele recebeu a reportagem do iG e mostrou o estrago.

Medeiros contou que estava sozinho - a esposa e os dois filhos haviam saído - e levou um susto quando entrou no banheiro e sentiu o impacto da explosão, que derrubou paredes e espalhou muitos estilhaços pelos cômodos.

"A casa vai precisar de reforma estrutural. Foi um impacto muito forte e eu não tinha noção do que poderia ter acontecido. Só vi que era algo maior, que tinha atingido outras casas, quando sai e encontrei a vizinha pedindo socorro na rua, ensanguentada. Foi assustador", relata.

Ele disse ainda que nunca percebeu nada de suspeito na casa que servia de depósito clandestino de fogos.

"Eu notava muita movimentação de motoboys, fazendo entrega, mas nunca imaginei que fosse algo perigoso", afirma.

Residência do morador Bruno Medeiros, destruída pela explosão
Foto: Gabriel Barros
Residência do morador Bruno Medeiros, destruída pela explosão

Claudia Rovina, também moradora do local, disse que não teve a casa interditada pela Defesa Civil, mas está contabilizando muito prejuízo; parte do telhado foi danificada, janelas de ferro e portas foram arrancadas no momento da explosão;

Ela estava em casa com o pai no momento da explosão.

"A casa estremeceu toda e eu só tive um arranhão na mão por conta de estilhaços de vidro. Foi prejuízo, mas, graças a Deus, estamos vivos",  falou à reportagem.

Ao todo, 13 viaturas e 27 integrantes do Corpo de Bombeiros participaram do resgate das vítimas e da contenção do incêndio. Segundo as autoridades, não há mais risco de explosão no local.

Nota de repúdio

Ainda nesta sexta, enquanto as autoridades trabalham no rescaldo do acidente e nas investigações, a Aliança Brasileira de Pirotecnia, que reúne as principais entidades representativas do setor de fogos de artifício do país, divulgou nota manifestando preocupação e repúdio diante dos indícios de fabricação clandestina de balões e produtos pirotécnicos relacionados ao acidente.


"Importante esclarecer que o Brasil, segundo o maior produtor mundial de fogos de artifício, atrás apenas da China, possui r egulamentação rigorosa para a produção legal desses itens. Toda fabricação autorizada é fiscalizada pelo Exército Brasileiro e só pode ocorrer em fábricas instaladas em zonas rurais, submetidas a rigorosas fiscalizações e inspeções constantes", aponta a nota da entidade, acrescentando que o setor envolve uma cadeia produtiva formal, séria e responsável.

A Aliança Brasileira de Pirotecnia ressalta ainda que o episódio não tem nenhuma relação com o mercado forma l de fogos de artifício, afirma que acompanha as investigações e que apoia integralmente o trabalho das autoridades do enfrentamento à fabricação clandestina de fogos de artifício, prática que ameaça a segurança da população e prejudica todas as empresas do setor que atuam na formalidade.

"Reafirmamos nosso compromisso com a promoção de produtos seguros e com a manutenção de uma atividade econômica responsável que preserva a tradição e leva alegria a milhões de brasileiros", conclui a entidade.

Veja uma galeria de fotos do local

Residência que explodiu na Rua Francisco Bueno, no Taubaté, zona Leste de São Paulo. Foto: Foto: Gabriel Barros
Residência vizinha ao depósito ilegal de fogos. Foto: Foto: Gabriel Barros
Homens trabalham em residências destruída pela explosão do depósito ilegal de fogos. Foto: Foto: Gabriel Barros
Casa danificada pela explosão. Foto: Foto: Gabriel Barros
Quintal de residência destruída pela explosão. Foto: Foto: Gabriel Barros
Residência do morador Bruno Medeiros, destruída pela explosão. Foto: Foto: Bruno Barros
Residência sanificada pela explosão. Foto: Foto: Bruno Barros
Telhado da casa de moradora Claudia Rovina, danificado pela explosão. Foto: Foto: Bruno Barros
Janelas de ferro da casa da moradora Claudia Rovina foi arrancada pela explosão. Foto: Foto: Bruno Barros
Vidros quebrados pela explosão. Foto: Foto: Gabriel Barros


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