
A Polícia Civil de São Paulo cumpriu oito mandados de busca e apreensão no âmbito da investigação da emboscada que vitimou o ex-delegado-geral da PCSP, Ruy Ferraz Fontes em Praia Grande, no litoral paulista, na noite desta segunda-feira (15).
Foram destacados 63 policiais nesta quarta-feira (17) para cumprir as ordens judiciais, parte da mobilização que pretende prender os responsáveis pelo homicídio.
O secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, havia declarado nesta terça-feira que dois suspeitos já haviam sido identificados a partir de vestígios encontrados em um dos automóveis utilizados no crime. Segundo o secretário, um deles “é um indivíduo que possui vários antecedentes criminais, em especial por crimes graves como roubo e tráfico de drogas, tanto com maioridade penal, como enquanto adolescente infrator” .
Os vestígios estão sendo analisados pela Polícia Técnico-Científica, que fará um cruzamento com o banco de dados criminal do Estado de São Paulo e de outros órgãos.
- Entenda o caso: Delegado Ruy Ferraz Fontes é assassinado em Praia Grande (SP)
Em nota ao iG, a Secretaria de Segurança Pública informou que os suspeitos tiveram o pedido de prisão temporária decretado pela Justiça e que testemunhas e familiares dos suspeitos foram ouvidos. A SSP ressaltou, no entanto, que detalhes das ações policiais serão preservados para não comprometer as investigações. Até o momento da publicação desta reportagem, ninguém foi preso.
Rafael Alcadipani, professor titular da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, associado pleno ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pesquisador na área de organizações policiais, disse ao iG acreditar que o pronunciamento do secretário Derrite afeta as investigações:
“Esse tipo de comentário faz com que os criminosos percebam qual o caminho que a polícia está adotando e consigam fugir antes de sair um mandado de prisão” . Segundo Alcadipani, a polícia está fazendo seu trabalho e, apesar da pressão pública por respostas, é preciso ter cautela: “É bom esperar um pouco, detalhe se dá quando se prende alguém”, afirmou o especialista.
Governador se pronuncia sobre o caso
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também comentou sobre a ação das forças de segurança, reforçando o discurso de Derrite.
“A prioridade máxima é solucionar esse caso. Temos várias linhas de investigação, várias possibilidades e nenhuma pode ser afastada.Estamos trabalhando para que os responsáveis sejam exemplarmente punidos pela Justiça, com todo o rigor da lei” , afirmou o governador.
Na segunda-feira (15), dia em que o crime foi cometido, Tarcísio disse estar estarrecido com a ousadia dos assassinos e determinou a criação de uma força tarefa envolvendo o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e o Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), para solucionar o caso.