O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, foi morto a tiros durante a madrugada desta segunda-feira (15) em Praia Grande , litoral paulista. O crime ocorreu após uma perseguição que terminou com a colisão do veículo da vítima contra um ônibus.
Conhecido pelo pioneirismo nas investigações contra a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) no começo dos anos 2000, Fontes atuou por mais de 40 anos na Polícia Civil. Em dezembro de 2023, após sofrer um assalto, o ex-delegado teria demonstrado preocupação com sua segurança e de familiares.
Quem foi Ruy Ferraz Fontes
Ruy Ferraz Fontes, de 63 anos, era formado em Direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo, com pós-graduação em Direito Civil. Ao longo das mais de quatro décadas dedicadas à Polícia Civil de São Paulo, o policial foi delegado-Geral do estado entre 2019 e 2022. Ruy estava desde janeiro de 2023 no cargo de secretário de Administração de Praia Grande.
Ele teve passagens por delegacias especializadas como o DHPP, o Denarc e o Deic. No início dos anos 200, à frente da 5ª delegacia de Roubo a Bancos, Fontes iniciou investigações sobre a maior facção criminosa de São Paulo.
Pioneirismo contra o PCC
O ex-delegado-geral é visto como um dos principais responsáveis por mapear a estrutura do PCC e apontar suas lideranças e modos de operação. Fontes foi crucial em grandes investigações, como o caso do assassinato do juiz Antonio José Machado Dias, conhecido como Machadinho, morto por ordem da facção em 2003.
Um de seus maiores destaques foi em 2006, nas apurações dos ataques do PCC em São Paulo. Foi ele que indiciou alguns dos principais líderes da facção, como Marcos Willians Herbas Camacho, o "Marcola".
Atentados
Em dezembro de 2023, o policial sofreu um assalto no município de Praia Grande. Na época, se mostrou preocupado com sua segurança, e chegou a afirmar que os criminosos sabiam onde ele morava.
Já em 2020, ele sofreu uma emboscada de assaltantes em Ipiranga. Fontes reagiu e chegou a balear um dos criminosos, que conseguiu fugir. Oito anos antes, em 2012, trocou tiros com bandidos após ser abordado no ABC Paulista; na ocasião, um dos suspeitos morreu.
Assassinado em Praia Grande
Ruy Ferraz Fontes foi morto a tiros após mais de 20 disparos efetuados por criminosos após uma perseguição que terminou com a colisão de seu veículo contra um ônibus.
Após a batida, três criminosos desceram do carro que perseguia o ex-delegado. Dois deles foram até o carro da vítima e dispararam novamente.
A Prefeitura de Praia Grande informou que outras duas pessoas ficaram feridas na ocorrência. Uma mulher e um homem foram atendidos pelas equipes do Samu e encaminhados para a UPA Quietude.