
Pesquisadores encontraram um ecossistema formado por algas calcárias cor-de-rosa no fundo do mar, a cerca de quatro quilômetros da praia de Ipanema, na Zona Sul do Rio. O cenário, comum na região do Caribe, apresentou uma área considerável de rodolitos, que são estruturas produzidas por algas calcárias, que servem de abrigo para diferentes espécies marinhas.
A descoberta foi feita pelo biólogo Ricardo Gomes, presidente do Instituto Mar Urbano, durante um mergulho para fotografar arraias na região das Ilhas Cagarras. Os animais acabaram levando o pesquisador para uma outra área, onde ele encontrou as estruturas cor-de-rosa.
A existência dos bancos já era considerada, mas a dimensão da descoberta foi o que mais surpreendeu os pesquisadores. Um dos bancos, mais próximo da orla, tem aproximadamente 20 mil metros quadrados e está a cerca de dez metros de profundidade.
Segundo banco de algas também foi encontrado
Depois da primeira descoberta, Ricardo Gomes voltou a mergulhar na região e identificou um segundo banco de rodolitos. A expectativa dos pesquisadores é que existam outras formações ainda não identificadas no fundo do mar próximo às Cagarras e à costa de Ipanema.
Para novas etapas da pesquisa, um robô submarino, operado remotamente e equipado com câmeras e sensores, será disponibilizado pela OceanPact junto a uma embarcação e equipamentos para auxiliar o trabalho, incluindo um sonar de varredura lateral, conhecido como Side Scan.
Como funciona o ecossistema

Apesar de serem formados por algas, os rodolitos criam estruturas que funcionam de maneira semelhante a pequenos recifes. Entre as formações, vivem e circulam diferentes espécies de peixes, crustáceos e moluscos, que usam o local para se alimentar e se proteger.
Entre os animais encontrados, foram registrados peixes do tipo vermelhos, budiões e cangulos.
Os rodolitos possuem formato arredondado e podem chegar a um tamanho entre 10 e 20 centímetros.
Crescimento pode levar centenas de anos
Os rodolitos formados por algas vermelhas calcárias crescem de maneira lenta, incorporando carbonato de cálcio às suas estruturas. Pesquisas realizadas em Abrolhos, na Bahia, indicam que alguns rodolitos podem levar cerca de 400 anos para atingir o seu tamanho limite, com crescimento estimado em aproximadamente um milímetro por ano.
Ainda não existe uma estimativa da idade daqueles que foram encontrados na praia de Ipanema, mas os pesquisadores consideram que a estrutura seja antiga.