Jonathan Dowling Shaw e Johnny Depp
Reprodução - 08.04.2022
Jonathan Dowling Shaw e Johnny Depp

O escritor e tatuador americano Jonathan Dowling Shaw, de 68 anos, baleado durante um roubo próximo aos Arcos da Lapa , na Região Central do Rio, na última quarta-feira, dia 6, recebeu alta do Hospital Municipal Souza Aguiar após passar por uma cirurgia, mas ainda está com o projétil alojado em seu joelho direito. Em depoimento prestado na 5ª DP (Mem de Sá), o estrangeiro contou estar em um carro de aplicativo com a ex-mulher, Vera de Arruda Perrone, de 60, quando foi abordado por dois homens armados em uma moto. Os bandidos atiraram e levaram cerca de R$ 200 que estavam em seus bolsos. Momentos antes, ele havia trocado dinheiro em uma casa de câmbio, mas, no momento do crime, já havia depositado o valor em uma agência bancária.

Na delegacia, Jonathan Dowling Shaw contou que reside no Brasil há 50 anos e que, por volta de 16h de quarta-feira, dirigiu-se a uma casa de câmbio da Avenida Rio Branco, próximo ao Largo da Carioca, para trocar 500 dólares. Após a troca da moeda, ele contou ter ido até uma agência próxima para depositar quase todo o valor, guardando cerca de R$ 500 em seus bolsos.

O estrangeiro relatou então que se dirigiu até lojas da Saara para realizar pequenas compras com a ex-mulher, que totalizaram cerca de R$ 300. O troco, de cerca de R$ 200, ele manteve nos bolsos. Por volta de 18h, eles solicitaram, na Avenida Passos, um carro de aplicativo para retornarem a casa de Jonathan. No trajeto, foram abordados pelos criminosos que exigiram que entregassem o dinheiro.

Jonathan disse ainda que, após entregar os cerca de R$ 200, os bandidos continuaram a exigir mais dinheiro e expressaram saber que ele tinha um valor maior guardado. Nesse momento, um tiro foi disparado em direção ao seu joelho direito e sua mochila, onde estavam as compras feitas na Saara, foi levada. O americano foi socorrido, pelo próprio motorista do carro de aplicativo, ao Souza Aguiar. Na unidade de saúde, ficou internado por dois dias.

“Saindo do hospital hoje após cirurgia de emergência por um ferimento de bala. Longa história. Só gratidão por sobreviver mais um dia no Rio de Janeiro, graças a Deus”, postou ele em suas redes sociais, na última sexta-feira.

Jonathan Dowling Shaw é fundador, em 1976, da loja de tatuagem mais antiga da cidade de Nova York, a Fun City Tattoo. O estabelecimento foi aberto no Lower East Side de Manhattan antes que tatuagem fosse legalizada na cidade e se especializou em desenhos neo-tribais. No local, foram tatuados astros como o ator, de cinema Johnny Depp, conhecido mundialmente por interpretar o Capitão Jack Sparrow, do filme Piratas do Caribe; o músico e roqueiro Iggy Pop; ator Jim Jarmusch; o cantor e guitarrista Max Cavalera, da banda Sepultura; e supermodelo britânica Kate Moss.

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Anos mais tarde, na década de 1980, Jonathan Dowling Shaw fundou a International Tattoo Art, a primeira revista exclusivamente dedicada a tatuagens. Em 1990, com Johnny Depp, Iggy Pop e Jim Jarmusch, ele fundou o Death Is Certain Club, um local para celebrar a amizade do grupo. No clube, cada membro recebia um anel e uma tatuagem combinando.

Em 2002, cinco anos após a tatuagem ser legalizada, Jonathan Dowling Shaw vendeu a Fun City para se concentrar na escrita. Depois 28 anos tatuando, ele se aposentou da profissão em 2004 e veio para o Rio, onde escreveu seu primeiro romance, com o título, em tradução livre, “Narcisa: Nossa Senhora das Cinzas”, em 2008. No ano seguinte, Iggy Pop o descreveu como "o grande pesadelo anti-herói da nova era". Em 2017, publicou um livro de memórias - “Confissões de um tatuador”.

Nas redes sociais, o americano exibe fotos os amigos famosos e coleciona registros de viagens por diversos lugares do mundo. Em alguns deles, aparece em pontos turísticos do Rio, como a cidade de Paraty, na Costa Verde do estado, e em Copacabana, na Zona Sul da capital. No último dia 24 de fevereiro, fez uma postagem no Real Gabinete Português de Leitura, no Centro, e escreveu, em português: “Livros, fonte de saber…”.

Ao GLOBO, o delegado Bruno Gilaberte, titular da 5ª DP (Mem de Sá), informou que abriu um inquérito para investigar o roubo praticado contra Jonathan Dowling Shaw e Vera de Arruda Perrone. Agentes da distrital fazem diligências na região, como busca a imagens de câmeras de segurança, análise de impressões digitais deixadas no veículo e oitiva de supostas testemunhas, para identificar e prender os autores do crime.

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