
A primeira viagem de automóvel entre o Rio de Janeiro e Petrópolis, na Região Serrana fluminense, levou três dias para ser concluída, em março de 1908. A travessia se deu ainda em uma época em que ainda não havia uma rodovia estruturada ligando as duas cidades, o que fez com que o combio enfrentasse problemas pelo caminho.
O percurso começou em 6 de março, às 13h30, na Avenida Central, atual Avenida Rio Branco, no centro do Rio. A bordo de um Lorraine-Dietrich, conhecido na época como “Dietrich”, estavam Gastão de Almeida, Braz de Nova Friburgo e o mecânico Jean Chocolat.
A chegada a Petrópolis ocorreu em 9 de março, por volta das 13h, na Avenida XV de Novembro, atual Rua do Imperador. As dificuldades enfrentadas durante a travessia foram resumidas por Gastão de Almeida em declaração ao jornal Gazeta de Notícias:
Ir daqui (Rio) até Petrópolis de automóvel é mais difícil que atravessar o Tibet Gastão de Almeida, ao jornal da época

Chegada do carro chamou a atenção em Petrópolis
A chegada do Lorraine-Dietrich causou alvoroço nos moradores, que foram às ruas para acompanhar o feito. Depois de visitar autoridades locais, Gastão de Almeida e Braz de Nova Friburgo se hospedaram no Hotel Bragança.
No dia seguinte, o automóvel voltou ao Rio de Janeiro de trem, pela Estrada de Ferro Leopoldina. Na capital fluminense, o veículo foi exposto em uma garagem na Avenida Central e despertou a curiosidade do público.

Segundo relato reproduzido pelo Instituto Histórico de Petrópolis, o jornal Tribuna de Petrópolis chamou os viajantes de “heróis” diante dos obstáculos enfrentados no caminho.
Apesar das dificuldades, o veículo teria apresentado problemas apenas nas borrachas das rodas, de acordo com o registro histórico.
Como era o trajeto entre Rio e Petrópolis em 1908?
No início do século XX, viajar entre o Rio de Janeiro e Petrópolis exigia combinar diferentes meios de transporte, como barca a vapor, trem, diligências e cavalos.
A Estrada de Ferro Mauá, considerada a primeira ferrovia do Brasil, foi inaugurada em 30 de abril de 1854. Décadas depois, em 1883, o trem chegou a Petrópolis pela Estrada de Ferro Príncipe do Grão-Pará.
A ligação rodoviária entre as duas cidades ainda não contava com a estrutura que surgiria nos anos seguintes. A estrada Rio–Petrópolis, posteriormente associada ao nome do presidente Washington Luís, seria inaugurada em 1928.
Outras tentativas de viagem entre Rio e Petrópolis
O percurso continuou desafiador nos anos seguintes. Em 1919, a revista Auto-Propulsão e o Clube Motocyclista Nacional ofereceram a Taça 11 de Junho como prêmio para quem conseguisse repetir a travessia.
A marca foi alcançada de motocicleta em agosto de 1921, quando José Kistemann completou o trajeto em seis horas e dez minutos.
No mês seguinte, dois automóveis Chevrolet também fizeram a viagem, em 18 horas.