
Um pescador capturou um tucunaré e aproveitou para exibir uma característica pouco conhecida do animal às câmeras: a mudança de cor. A espécie é frequente nos rios amazônicos e é conhecida pela beleza e dificuldade que oferece na pesca esportiva.
Quando você põe o peixe sobre uma situação de estresse, quando ele é capturado, ele fica mudando de cor o tempo todo Thiago Fantini, pescador
O pescador explica que as três listras sob as escamas do tucunaré se alteram de tom e translucidez conforme a reação do animal. No vídeo, é possível enxergar as listras saindo do translúcido para uma fase mais pintada, opaca. Assista abaixo:
Thiago Fantini chama o comportamento de “pretejar”, quando a listra do tucunaré fica mais preta do que antes, conforme a reação do animal.
Como o tucunaré muda de cor?
Segundo um estudo publicado neste ano na revista Hydrobiologia, cientistas observaram padrões de cores alterando ao longo do tempo em duas espécies do gênero Cichla (kelberi e piquiti), sobretudo durante o crescimento e no período reprodutivo.
O nome da característica é policromatismo e os indivíduos foram coletados do rio Tocantins. O estudo, porém, não aponta esse comportamento em caso ser capturado, como no vídeo.
Por outro lado, a pesquisa “Polychromatism in Cichla: color patterns and potential drivers” indica que respostas rápidas a estresse, como disputa por território e interações sociais, foram fatores que causaram as alterações, o que poderia incluir o momento de uma captura.
O “guardião dos filhotes”
A espécie é encontrada em rios, lagos e áreas alagadas de diferentes regiões do Brasil, sendo um dos peixes de água doce mais conhecidos do país. A coloração é marcante e varia entre tons de amarelo, verde, azul e vermelho.
De acordo com o Ministério da Pesca e Aquicultura, outra característica é muito chamativa na espécie: o cuidado com os filhotes.
O comportamento é incomum no mundo dos peixes. Após a reprodução, o casal constrói ninhos e permanece guardando o local, protegendo os futuros filhotes contra predadores.
O cuidado parental aumenta as chances de sobrevivência dos filhotes e torna a espécie uma das grandes exceções conhecidas da aquicultura.
Conforme a pasta, existem 16 espécies de tucunaré identificadas, sendo 14 delas encontradas no Brasil. Cada uma se diferencia pelas cores e padrões de manchas, apesar de compartilharem um detalhe em comum.
Todas possuem uma característica marcante próxima à cauda, com uma mancha arredondada chamada de ocelo, um dos principais detalhes para a identificação da espécie.
O tucunaré tem hábitos diurnos, vive principalmente em lagos, lagoas e áreas de remanso dos rios. Ele caça peixes menores e camarões.
Em contrapartida, a atividade de pesca apresenta uma ameaça ao peixe, que está na lista das espécies-alvo da pesca amadora e esportiva da União Internacional para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (UICN).
Fama na pesca esportiva
O tucunaré é um dos peixes mais cobiçados pela pesca esportiva devido à força e o comportamento agressivo contra iscas artificiais. Ele costuma proporcionar um desafio no momento da captura até ser retirado da água.
Além disso, o tamanho e a beleza do peixe também chamam atenção. Depois da disputa com o animal, os pescadores costumam verificar o comprimento do indivíduo para saber se bateram algum recorde pessoal.
Os animais precisam ser devolvidos à natureza após a pesca.