
Policiais civis de São Paulo estiveram na Bolívia em uma operação que resultou na prisão de dois homens apontados como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), mas não localizaram o traficante André de Oliveira Macedo, conhecido como André do Rap.
Oficialmente, as autoridades paulistas não confirmaram que André do Rap era o alvo da missão. Mas o UOL informou que policiais sob anonimato confirmaram que a intenção da viagem era localizar o criminoso, que está foragido desde 2020.
Quem são os dois presos na Bolívia?
No dia 19 deste mês, Márcio Barbosa da Silva, conhecido como “Beiço de Mula” e apontado pela Polícia Civil como uma das lideranças do PCC no ABC Paulista, foi preso em Santa Cruz de la Sierra.

A captura ocorreu após uma troca de informações entre a Polícia Federal, a Polícia Civil de São Paulo e a Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (FELCN), da polícia boliviana. Após os procedimentos legais na Bolívia, Márcio foi expulso do país e entregue às autoridades brasileiras na segunda-feira (21).
De acordo com a Polícia Federal, ele era procurado no Brasil pelos crimes de organização criminosa e porte ilegal de arma de fogo. O nome também constava na Difusão Vermelha da Interpol.
Márcio também aparece em mensagens que integram uma denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) relacionada à investigação que levou à prisão do ex-vereador Milton Leite (União Brasil). A apuração investiga uma suposta infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo da capital paulista.
Segundo comparsa é preso após fuga no Guarujá

O segundo preso foi Roberto Prieto Filho, conhecido como “Betinho da Baixada”. Apontado pelas autoridades como integrante do PCC e ligado a André do Rap, ele foi capturado em Santa Cruz de la Sierra na terça-feira (22).
Prieto era procurado pela Justiça desde 2022, quando foi resgatado de uma unidade policial no Guarujá, no litoral de São Paulo. Segundo as autoridades, ele tinha envolvimento com crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa, lavagem de dinheiro e porte ilegal de arma de fogo.
A prisão foi realizada pela FELCN após uma troca de informações com autoridades brasileiras. Roberto foi levado de volta ao Brasil e chegou ao Aeroporto Internacional de Guarulhos na quarta-feira (23). Desde então está detido em uma unidade prisional de São Paulo, onde segue à disposição da Justiça no Centro de Detenção Provisória IV, no bairro de Pinheiros.
Como André do Rap se tornou foragido?
Em outubro de 2020, enquanto estava preso havia pouco mais de um ano por uma investigação que apontava que ele teria função de liderança dentro do PCC e seria responsável por gerenciar o envio de grandes remessas de cocaína para a Europa, André do Rap foi solto por uma decisão do então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello.
A decisão foi concedida após Marco Aurélio r eanalisar um habeas corpus concedido por ele mesmo em agosto. O ministro atendeu ao pedido da defesa, que alegava que o cliente estava preso desde setembro de 2019 sem uma sentença condenatória definitiva.
Apesar da decisão, horas depois, o ministro Luiz Fux, então presidente da Corte, suspendeu a determinação e ordenou que André do Rap fosse preso novamente. Fux argumentou que não seria possível soltar um criminoso de alta periculosidade que já havia fugido anteriormente.
A decisão de Fux, no entanto, não foi suficiente para recapturar o suspeito. André do Rap já havia deixado a Penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.
O traficante não foi localizado pela polícia nos endereços que havia fornecido à Justiça para ser solto e fugiu após a revogação do habeas corpus. Desde então, está foragido e consta na lista internacional de procurados.
O Ministério Público de São Paulo acredita que o traficante pode ter deixado a prisão e seguido para o Paraná. De lá, teria embarcado em seu jato particular com destino a algum país que faz fronteira com o Brasil.