Ruy Ferraz Fontes dedicou mais de 40 anos de carreira à Polícia Civil
Divulgação/PCSP
Ruy Ferraz Fontes dedicou mais de 40 anos de carreira à Polícia Civil

O assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, completou um ano na última terça-feira (15). O ex-delegado foi vítima de uma emboscada após deixar o trabalho como secretário de Administração da Prefeitura de Praia Grande, no litoral de São Paulo. 

Até o momento, o Ministério Público denunciou 12 pessoas pelo crime. Oito foram presas, três estão foragidas e uma mulher responde em liberdade após passar dois meses presa. As investigações apontam que o assassinato pode ter sido encomendado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), facção que Ruy combateu durante sua carreira na Polícia Civil. 

Relembre como foi o crime 

O crime aconteceu no dia 15 de setembro de 2025, na Avenida Doutor Roberto de Almeida Vinhas, por volta das 18h20, no bairro Nova Mirim, momentos após Ruy Ferraz cumprir seu expediente na Prefeitura de Praia Grande.

Com base nas imagens de monitoramento da prefeitura, os criminosos chegaram à rua Arnaldo Vitulli, ao lado da Secretaria de Educação (Seduc), às 18h02. Eles permaneceram de tocaia até às 18h16, quando o ex-delegado passou de carro e foi alvo dos primeiros disparos de fuzil.

Ruy Ferraz tentou escapar pela rua 1º de Janeiro, mas foi perseguido por cerca de 500 metros. Na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, bateu em um ônibus e capotou. Nesse momento, t rês criminosos armados com fuzis desceram do carro.

Após o crime, um dos veículos utilizados foi incendiado, e os suspeitos fugiram.
Reprodução
Após o crime, um dos veículos utilizados foi incendiado, e os suspeitos fugiram.






Um deles ficou na contenção, enquanto os outros dois se aproximaram do veículo e executaram o ex-delegado com diversos disparos. Outras duas pessoas também ficaram feridas durante o ataque. 

O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) chegou a ser acionado, mas Ruy já estava sem vida.

Após o crime, um dos veículos utilizados foi incendiado, e os suspeitos fugiram.

Investigação

De acordo com as investigações, o planejamento do homicídio começou seis meses antes do crime, em março de 2025. O plano envolveu roubos de carros, compra de armas e imóveis de apoio na Baixada Santista.

Em novembro de 2025, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que 12 suspeitos foram indiciados por envolvimento direto e indireto na execução. A Polícia Civil também solicitou a prisão preventiva dos investigados pelos crimes de homicídio qualificado consumado e tentado, porte ou posse de arma de fogo de uso restrito e integração a organização criminosa. Um 13º envolvido também foi identificado, mas morreu em confronto com policiais.

No dia 19 de março de 2026, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou mais quatro pessoas por ligação com o assassinato do ex-delegado. Elas podem r esponder por homicídio qualificado, duas tentativas de homicídio, favorecimento pessoal e integração a organização criminosa armada. Essa foi a segunda denúncia relacionada ao caso apresentada pelo Ministério Público, que, em novembro de 2025, já havia acusado formalmente outros oito envolvidos no crime.

Segundo a investigação da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes era alvo de uma ordem de morte emitida pelo alto escalão da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), em retaliação à sua atuação contra a organização.

Quem são os presos? 

Dos 12 denunciados pelo crime, oito estão presos, segundo a investigação. Veja quem são: 

William Silva Marques 

William Silva Marques, de 36 anos
Arquivo Investigação Criminal
William Silva Marques, de 36 anos






William Silva, de 36 anos,  foi preso no dia 21 de setembro de 2025, segundo as investigações ele era proprietário do imóvel que teria sido utilizado pelos criminosos antes do crime em Praia Grande.

Felipe Avelino da Silva 

Felipe Avelino da Silva, foi preso em outubro do ano passado
Arquivo da Investigação Criminal
Felipe Avelino da Silva, foi preso em outubro do ano passado






Felipe Avelino, conhecido como “Mascherano”, foi preso no dia 3 de outubro do ano passado, em Cotia, na Grande São Paulo.

Segundo as investigações, Mascherano ocupa a função de “disciplina” do PCC na região do ABC Paulista. No organograma da facção, o “disciplina” é responsável por impor as regras internas da organização, resolver conflitos entre integrantes e garantir o cumprimento das ordens da liderança.

Cristiano Alves da Silva 

Cristiano Alves da Silva (Cris Brow)
Reprodução
Cristiano Alves da Silva (Cris Brow)






Cristiano Alves, conhecido como “Cris Brown”, foi preso no dia 17 de outubro, em São Paulo. Segundo as investigações, ele tentou fugir, mas foi capturado por policiais civis durante o cumprimento de um mandado de prisão temporária. Ele é suspeito de envolvimento no planejamento e na execução do crime. 

Paulo Henrique Caetano De Sales 

Paulo Henrique Caetano de Sales foi o nono preso no caso.
Reprodução
Paulo Henrique Caetano de Sales foi o nono preso no caso.






Paulo Henrique foi preso no dia 24 de outubro, no Jardim Shangrilá, na zona sul de São Paulo. Ele é apontado como um dos homens armados que aparecem nas câmeras de segurança e que teriam feito a contenção e a cobertura dos atiradores no momento da execução.

Segundo as investigações, Sales  também seria proprietário da segunda casa utilizada pelos criminosos durante a elaboração do plano.

Marcos Augusto Rodrigues Cardoso

Marcos Augusto Rodrigues Cardoso, de 36 anos.
Arquivo da Investigação Criminal
Marcos Augusto Rodrigues Cardoso, de 36 anos.










Marcos Augusto, de 36 anos, conhecido como “Penélope”, foi preso no dia 3 de novembro, no Grajaú, na zona sul de São Paulo. Segundo os investigadores, ele é apontado como integrante do PCC em São Paulo e possivelmente um dos ocupantes do veículo Logan branco que participou da perseguição ao ex-delegado-geral na noite do assassinato.

No momento da prisão, Cardoso foi capturado com uma pistola calibre .380.

Manoel Alberto Ribeiro Teixeira 

Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, de 45 anos.
Reprodução
Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, de 45 anos.






Manoel Alberto, de 45 anos, conhecido como “Manezinho” ou “Manoelzinho”, foi preso no dia 13 de janeiro deste ano, em Mongaguá, no litoral sul de São Paulo.

Ele é investigado por ser o principal articulador logístico e operacional do crime, incluindo o auxílio na fuga, o fornecimento de meios materiais e a manutenção de vínculos operacionais entre os executores. Durante a prisão, uma arma de fogo foi apreendida com ele.

Fernando Alberto Teixeira 

Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como Azul ou Careca
Reprodução
Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como Azul ou Careca






Fernando Alberto, de 48 anos, conhecido como “Azul” ou “Careca”, também foi preso no dia 13 de janeiro deste ano, em Jundiaí, no interior de São Paulo.

Segundo a investigação, ele foi um dos articuladores da ação, com indícios de participação no planejamento, na coordenação logística e na execução indireta de Ruy Ferraz. 

Marcio Serapião de Oliveira

Márcio Serapião Pinheiro, conhecido como
Reprodução
Márcio Serapião Pinheiro, conhecido como "Velhote"







Marcio Serapião, de 52 anos, conhecido como “Velhote” ou “MC”, foi preso no dia 13 de janeiro deste ano, no bairro Vila Isa, na região de Interlagos, na zona sul de São Paulo.

Ele é investigado por apoio estratégico e logístico,  com indícios de envolvimento na guarda de veículos, no uso de imóveis de apoio e na ocultação de elementos relacionados ao crime.

Quem ainda está foragido? 

Luiz Antônio Rodrigues de Miranda

Foragido da Justiça, Luiz Antonio Rodrigues de Miranda, 43 anos.
Reprodução
Foragido da Justiça, Luiz Antonio Rodrigues de Miranda, 43 anos.










Luiz Antônio, de 43 anos, conhecido como “Gão”, está foragido. Segundo as investigações, ele era o motorista do carro usado na execução e teria pedido a Dahesly Oliveira Pires que levasse um fuzil de Praia Grande para Diadema.

Flávio Henrique Ferreira de Souza

Flávio Henrique Ferreira de Souza
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Flávio Henrique Ferreira de Souza






A família de Flávio Henrique, de 24 anos, investigado por possível envolvimento na morte do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes, afirma que ele é inocente e estava no Grajaú, na zona sul da capital paulista, no dia do crime.

Conhecido como “Neno”, ele nunca se apresentou à polícia e é considerado foragido da Justiça. Segundo a perícia, uma impressão digital atribuída a ele foi encontrada no interior do Jeep Renegade usado na execução de Ruy Ferraz Fontes.

Robson Roque Silva de Sousa

Robson Roque Silva de Souza, conhecido como “Jajá”, é um dos dois integrantes do PCC que seguem foragidos da Justiça, suspeitos de envolvimento na morte do ex-delegado.

Segundo as autoridades, Jajá é procurado no estado de São Paulo.

Além deles, Dahesly Oliveira Pires responde em liberdade.

Quem teria ordenado o crime? 

O segundo inquérito foi aberto para investigar quem ordenou o assassinato e qual teria sido a motivação. Para a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP), Ruy Ferraz foi morto a mando do PCC.

Em janeiro de 2026, a polícia prendeu três suspeitos apontados pela investigação como possíveis mandantes da execução: Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, Manoel Alberto Ribeiro Teixeira e Márcio Serapião de Oliveira.

Manoel Alberto, Fernando Alberto e Marcio Serapião
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Manoel Alberto, Fernando Alberto e Marcio Serapião







Apesar das prisões, as autoridades investigam qual teria sido a participação dos três suspeitos e quem, dentro da estrutura do PCC, teria determinado o assassinato do ex-delegado. O segundo inquérito continua em aberto. 

Quem era Ruy Ferraz Fontes? 

Ruy Ferraz Fontes, de 63 anos, era formado em Direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo, com pós-graduação em Direito Civil. Ao longo das mais de quatro décadas dedicadas à Polícia Civil de São Paulo, o policial foi delegado-Geral do estado entre 2019 e 2022. Ruy estava desde janeiro de 2023 no cargo de secretário de Administração de Praia Grande.

Ele teve passagens por delegacias especializadas como o DHPP, o Denarc e o Deic. No início dos anos 200, à frente da 5ª delegacia de Roubo a Bancos, Fontes iniciou investigações sobre a maior facção criminosa de São Paulo.

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