Marcos Augusto Rodrigues Cardoso, conhecido como Fiel, Pan ou Penélope Charmosa, preso como um dos organizadores e recrutadores do atentado contra o ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes em Praia Grande, litoral de São Paulo
Polícia Civil do Estado de São Paulo
Marcos Augusto Rodrigues Cardoso, conhecido como Fiel, Pan ou Penélope Charmosa, preso como um dos organizadores e recrutadores do atentado contra o ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes em Praia Grande, litoral de São Paulo

Durante as investigações e prisões sobre a execução do delegado aposentado Ruy Ferraz Fontes, em 15 setembro de 2025, em Praia Grande, litoral de São Paulo, cada um dos oito denunciados pelo crime construiu sua própria narrativa defensiva. Desde o silêncio estratégico até confissões parciais, as versões revelam como cada acusado tenta se posicionar diante das evidências coligidas pela investigação policial. 

Marcos Augusto Rodrigues Cardoso: O Fiel de Jesus

Marcos Augusto Rodrigues Cardoso, chamado de Fiel, Pan e de Penelope Charmosa, enfrenta acusações de ser o recrutador e organizador central do grupo de denunciados. Sua defesa foi uma negação frontal de sua posição.

Em 11 de novembro de 2025,  Fiel  afirmou aos investigadores do caso que precisava mudar parte do que havia dito em seu primeiro interrogatório, prestado em 03 de novembro. Os dois principais ajustes: não participa de facção criminosa e que seu apelido na realidade é "Fiel de Jesus".

A nuance era crucial. Ele não negou ser chamado de Fiel, mas negou que isso significasse sua posição de disciplina dentro do PCC, a qual, segundo a estrutura interna da organização, corresponderia a um papel de comando e fiscalização das atividades ilícitas desenvolvidas pelos demais membros.

Seu apelido, alegou, refere-se simplesmente à expressão religiosa "Fiel de Jesus", não a função hierárquica dentro de estrutura criminosa organizada.

Porém, as mensagens recuperadas nos dois telefone celulares de Umberto Alberto Gomes, o Playboy, contam história diferente. Conforme a investigação, Playboy, em conversa seis dias após o crime, agradecia a  Fiel pela "oportunidade concedida de lhe escalar para matar a vítima Ruy Ferraz Fontes." A palavra "escalar", indicando poder de decisão, contradiz a negação de  Fiel quanto ao seu papel de liderança.

Paulo Henrique Caetano de Sales: Entre a casa e a amante

Paulo Henrique Caetano de Sales, o 'PH' ou '13', apontado pelo Ministério Público e Polícia Civil como um dos integrantes da célula do PCC executou o ex-delegado Fontes
Arquivo da Investigação Criminal
Paulo Henrique Caetano de Sales, o 'PH' ou '13', apontado pelo Ministério Público e Polícia Civil como um dos integrantes da célula do PCC executou o ex-delegado Fontes


Paulo Henrique Caetano de Sales, o PH, construiu uma narrativa mais complexa para a sua defesa. Negou envolvimento na morte de Fontes, mas admitiu fatos que a investigação interpretou como incriminadores.

Seu interrogatório, em 11 de novembro de 2025, foi longo e detalhado. PH começou estabelecendo seu contexto profissional: servidor público municipal, condutor de ambulância do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de São Paulo. Vive em união estável e tem cinco filhos.

Sobre o crime, PH foi categórico ao ser questionado se tinha algum envolvimento com o homicídio de Fontes: "não." E quanto a fazer parte do PCC: "não."

Mas PH havia cedido seu imóvel em Praia Grande. Por quê? Segundo seu relato, havia emprestado a casa, não alugado, a Playboy. A diferença importa em sua defesa: ato de generosidade, não transação comercial com ciência de destinação criminosa.

Sobre estar "gozando de licença-saúde" no período da morte de Fontes, PH produziu comprovação da Prefeitura de São Paulo: realmente estava afastado do trabalho por atestado psiquiátrico. Mas isso não significava estar em Praia Grande. PH alegou ter ficado na chácara do advogado Aleques Ramos da Cruz,  embora depois esclarecesse que essa era uma mentira para enganar sua esposa. Na verdade, estava na casa de sua amante, em São Paulo.

O período? Ficou por quatro a cinco dias. E o que fazia lá? PH não titubeou ao explicar: Tirou fotos de animais. Sua amante mora num loteamento com criação e aproveitou para fotografar os bichos.

Sobre o contato com  Playboy após o crime, elemento que a investigação considerou comprometedor, PH disse que recebeu apenas uma mensagem perguntando "se estava tudo bem," por meio do telefone do irmão de Playboy. PH havia supostamente sugerido a ele que perguntasse ao irmão. E qual foi a resposta? Segundo PH, o irmão de Playboy posteriormente disse ele alegou que não iria aparecer.

Sobre as mensagens que a polícia recuperou de seu telefone, particularmente as mencionando "transações com Truta", um outro apelido de Playboy,  PH explicou: referia-se a um pagamento que fez de um terreno que comprou de Playboy em maio.

Sobre a conversa com sua mulher mencionando um veículo Logan, PH respondeu que havia recebido informação de que a polícia estava na porta de sua casa e simplesmente passou a informação adiante.

Felipe Avelino da Silva: o silêncio como defesa

Felipe Avelino da Silva, o Mascherano, apontado pela polícia como um dos executores de Ruy Ferraz Fontes
Arquivo da Investigação Criminal
Felipe Avelino da Silva, o Mascherano, apontado pela polícia como um dos executores de Ruy Ferraz Fontes


Felipe Avelino da Silva, o Mascherano, escolheu o caminho mais minimalista da defesa: o silêncio absoluto. Quando interrogado pela Polícia Civil, em 7 de novembro de 2025, sua resposta foi cifrada em poucas palavras: "Deseja permanecer em silêncio". Nenhuma resposta substantiva. Nenhuma negação explícita. Apenas a invocação do direito constitucional de não se incriminar.

Porém, o silêncio de Mascherano não impediu que sua participação fosse relatada por terceiros. Sua mulher, Gabriela Santos Silva, quebrou esse silêncio e informou que ele confessou participação no crime. Mas com um detalhe crucial na confissão: Mascherano disse que sua tarefa específica era deixar um veículo em determinado local para que os executores pudessem escapar após cometerem o homicídio.

A mulher também revelou que conhecia bem a origem dos ganhos dele: "Mascherano é traficante de drogas e assim ganha seu dinheiro”. Ela ainda relatou ter ouvido conversas entre seu marido e uma pessoa de apelido Gão, identificada como Luiz Antônio, discutindo assuntos relacionados ao atentado contra o delegado Fontes.

Cristiano Alves da Silva: o empresário de imóveis

Cristiano Alves da Silva, o 'Cris Brown'. Apontado pela investigação como participante da logística do crime, atuando como responsável por esconder o Jeep Renegade clonado em uma casa em Mongaguá, litoral de SP, antes e depois do ataque contra Fontes
Arquivo Investigação Criminal
Cristiano Alves da Silva, o 'Cris Brown'. Apontado pela investigação como participante da logística do crime, atuando como responsável por esconder o Jeep Renegade clonado em uma casa em Mongaguá, litoral de SP, antes e depois do ataque contra Fontes


Cristiano Alves da Silva, o Cris Brown, optou por negar ligações com a execução de Fontes. Mas sua negação não era vaga: era estruturada em argumentos comerciais. Em 11 de novembro de 2025, também em depoimento à Polícia Civil, Cris Brown foi direto ao ponto: "Deseja esclarecer que não possui qualquer envolvimento com o crime investigado."

Mas o que  Cris Brown construiu posteriormente, por meio de sua defesa técnica, foi um contraditório mais sofisticado. Argumentou que era simplesmente um proprietário que alugava imóveis por temporada, sua atividade comercial lícita e profissionalizada. Apresentou evidência de múltiplos contratos de locação, todos com padrão negocial idêntico, com CPFs, datas, valores e assinaturas documentados.

Sobre Umberto Alberto, o Playboy, que segundo a investigação era hóspede seu no imóvel de Mongaguá, Cris Brown disse: "Conhecia Umberto apenas de vista, do bairro, e que não mantinha amizade ou convivência com ele."

A defesa de Cristiano atacou a narrativa central da investigação. O Ministério Público e a Polícia Civil afirmavam que o Jeep Renegade estava escondido no imóvel 45 dias antes da execução de fontes. Cris Brown apresentou vídeos datados de 23 e 26 de agosto que comprovam "que durante o período alegado, o  automóvel não estava estacionado no imóvel."

Quanto ao argumento de "contato telefônico constante" com investigados, a defesa apontou para a realidade trivial: Cris Brown possuía mais de 3.000 contatos em seu telefone. Ser proprietário de imóveis para locação exige manutenção de ampla rede de relacionamentos comerciais. O simples fato de ter salvo o número de  Playboy ou Fiel, segundo seus defensores,  não representa proximidade, confiança ou sequer interação recente.

Sobre sua localização no dia 15 de setembro, dia da execução de Fontes, Cris Brown apresentou um álibi detalhado: estava em São Paulo, das 16h às 20h30min, gravando material audiovisual em sua chácara na zona sul da capital paulista. A defesa juntou documento assinado por testemunhas da equipe de filmagem (produtor, cinegrafista, assistente de direção) atestando presença contínua, com geolocalizacão de celular, metadados de imagens e prints de stories postados em tempo real.

Cristiano não se apresenta apenas como inocente, mas como vítima de uma construção acusatória baseada em "presunções genéricas, estereótipos e fatos neutros transformados em indício de cumplicidade."

Flávio Henrique Ferreira de Souza: a dúvida dos 14 minutos

Flávio Henrique Ferreira de Souza, o 'Neno', 24 anos, é procurado pela Justiça. A perícia encontrou sua digital no Jeep Renegade usado no crime, mas a família apresentou um álibi de que ele estaria a 73 km de distância, no Grajaú (zona sul de SP), 14 minutos após o ataque contra Fontes
Arquivo Investigação Criminal
Flávio Henrique Ferreira de Souza, o 'Neno', 24 anos, é procurado pela Justiça. A perícia encontrou sua digital no Jeep Renegade usado no crime, mas a família apresentou um álibi de que ele estaria a 73 km de distância, no Grajaú (zona sul de SP), 14 minutos após o ataque contra Fontes


Para o Ministério Público e a Polícia Civil, Flávio Henrique Ferreira de Souza, o Neno, é uma peça importante na engrenagem que matou o ex-delegado-geral Fontes. Para sua família, Neno é inocente e isso com base em uma impossibilidade física, construída em um abismo temporal de 14 minutos e em aproximadamente 73 quilômetros de distância.

A narrativa oficial é direta: às 18h16 de 15 de setembro, o comboio da morte do PCC interceptou e matou Fontes em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Neno estava presente, integrando o time de criminosos. Mas a versão apresentada pela família de Neno desafiou essa versão.

Familiares de Neno apresentaram imagens de câmeras de segurança que o colocam na Carlos Sgarbi Filho às 18h30  do mesmo dia. Nas imagens, ele  aparece ajudando a empurrar o veículo de um amigo com pane elétrica.

A geografia e o tempo são implacáveis. A distância entre a cena do crime e o local onde Neno  teria sido filmado é de cerca de 73 quilômetros. Vencer esse trajeto exigiria, no mínimo, 1h30 de viagem, cenário improvável na conexão Baixada Santista-Capital em horário de pico. Se o vídeo for autêntico, a física absolve Neno da acusação de gatilho. Ele não poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Neno nunca se apresentou à polícia e é considerado foragido da Justiça.  A perícia detectou a impressão digital dele dentro Jeep Renegade usado na execução de Fontes. Para as autoridades, essa evidência constitui prova técnica de elevada credibilidade e valor probatório, vinculando de forma inequívoca o investigado à cena e logística da empreitada criminosa.

Luiz Antonio Rodrigues de Miranda, o Gão

Foragido da Justiça, Luiz Antonio Rodrigues de Miranda, 43 anos, é conhecido como 'Gão'. Ele é acusado de ser um dos envolvidos na execução do ex-delegado Fontes e responsável pela logística das armas usadas no crime.
Arquivo da Investigação Criminal
Foragido da Justiça, Luiz Antonio Rodrigues de Miranda, 43 anos, é conhecido como 'Gão'. Ele é acusado de ser um dos envolvidos na execução do ex-delegado Fontes e responsável pela logística das armas usadas no crime.


Com a prisão temporária e, posteriormente, preventiva decretada pela Justiça, Luiz Antonio Rodrigues de Miranda, o Gão, está foragido. Sua ausência física, no entanto, não diminui o peso de sua presença na investigação sobre o atentado que matou ex-delegado Fontes. Para o Ministério Público e a Polícia Civil, Gão não é um mero soldado raso; é apontado como um articulador logístico, um elo de conexão que ajudou a tirar o plano de morte do papel e levá-lo às ruas de Praia Grande.

O que torna a caçada a Gão prioritária para as forças de segurança não é apenas sua suposta função logística, mas a natureza da prova que o incrimina. Diferente de outros réus, ligados ao crime por digitais em carros, telefones celulares, mensagens, imagens de câmeras de segurança e ERBs (Estações Rádio Base) de celulares, Gão foi exposto por uma falha no código de conduta da facção: o testemunho doméstico.

A acusação contra ele se alicerça, fundamentalmente, nas palavras de  Gabriela Santos Silva. Mulher de Felipe Avelino da Silva, o Mascherano, Gabriela quebrou a lei do silêncio. Em depoimento formal, ela afirmou categoricamente ter presenciado diálogos comprometedores. Segundo seu relato, ela ouviu conversas, possivelmente em viva-voz, entre seu marido e Gão. O teor tratava da logística, do planejamento e da execução do atentado contra Fontes.

Essa prova testemunhal coloca Gão no centro nervoso da operação. Para a acusação, ele era a voz do outro lado da linha, coordenando movimentos que resultaram na emboscada fatal de 15 de setembro.

Estar foragido é, por si só, uma tática de defesa. Enquanto Gão não é capturado, ele impõe um ritmo próprio ao processo. Sua defesa técnica, inevitavelmente, terá que lutar contra a palavra de Gabriela.

Sem a presença de Gão para ser confrontado, seus advogados abrem caminho para explorar a narrativa da "vingança" ou do "benefício". Tentarão desqualificar a testemunha, argumentando que a esposa de um comparsa pode ter motivações escusas para incriminar terceiros, seja para aliviar a situação jurídica do marido, seja por desavenças pessoais.

A defesa poderá sustentar a tese de que "ouvir dizer" ou "reconhecer uma voz" é uma prova frágil, carente de materialidade técnica, como áudios gravados ou interceptações telefônicas diretas. A ausência de Gão impede o reconhecimento pessoal, o confronto de versões e a acareação, criando um vácuo que pode ser usado a seu favor no tribunal do júri.

Elo visual: Luiz Antonio Rodrigues de Miranda, o Gão, foi filmado por câmeras de segurança transportando um volume envolto em cobertor rosa. A peça foi posteriormente apreendida em um dos esconderijos da quadrilha, ligando o foragido à logística do armamento usado na execução de Fontes
Arquivo Investigação Criminal
Elo visual: Luiz Antonio Rodrigues de Miranda, o Gão, foi filmado por câmeras de segurança transportando um volume envolto em cobertor rosa. A peça foi posteriormente apreendida em um dos esconderijos da quadrilha, ligando o foragido à logística do armamento usado na execução de Fontes











Caso seja preso, Gão terá de explicar à Justiça a imagem captada por uma câmera de segurança, em 26 de agosto de 2025, às 11h14, que mostra homem identificado pela Polícia Civil como sendo ele caminhando pela calçada nas proximidades de um dos esconderijos utilizados pela quadrilha em Praia Grande. O homem veste boné escuro, calça preta e carrega nas costas uma mochila escura, mas o detalhe crucial para a investigação é o volume que transporta nos braços: um objeto longo envolto em um cobertor de cor rosa.

Para a investigação, esse registro visual é a materialização da logística do crime, pois conecta Gão diretamente ao transporte do armamento pesado, possivelmente um fuzil, entre os imóveis de apoio logístico para o atentado contra Fontes: a casa de Paulo Henrique, o PH, e o imóvel da rua Campos do Jordão, onde um cobertor idêntico foi posteriormente apreendido pela perícia.

Willian Silva Marques, o locatário

Willian Silva Marques entregou-se às autoridades após ter sua prisão decretada. A investigação aponta que um fuzil calibre 5.56, utilizado no atentado, foi guardado em sua residência antes do crime.
Arquivo Investigação Criminal
Willian Silva Marques entregou-se às autoridades após ter sua prisão decretada. A investigação aponta que um fuzil calibre 5.56, utilizado no atentado, foi guardado em sua residência antes do crime.


Willian Silva Marques é o proprietário de um dos imóveis usados como base logística pela célula criminosa do PCC que matou o ex-delegado Fontes, segundo a investigação. Uma casa de veraneio em Praia Grande, na rua Campos do Jordão. Mas a forma como ele chegou até essa posição de envolvido na execução, de acordo com sua defesa, é fundamental para entender : o fosso que separa negligência de conivência.

Willian afirmou que alugava aquela propriedade há mais de cinco anos sem irregularidades. Seu padrão era simples: locações verbais para conhecidos ou pessoas indicadas. Entrega de chaves por motoboy. Sem papéis. Sem investigação prévia de quem chegava. No dia 28 de agosto, alguém o procurou pelo telefone. Era Gão, um conhecido do bairro. Acordaram um aluguel de três dias (14 a 16 de setembro) por R$ 1.000. Metade em PIX, metade em dinheiro. Combinado.​

Nada extraordinário. Nada que sugerisse o que aconteceria poucos dias depois.

A versão de sua defesa sobre as câmeras de vigilância da casa busca acabar com a da investigação, que suspeita que Willian as tenha desligado propositalmente. Conforme depoimento de sua mãe, Willian descobriu apenas posteriormente que as câmeras haviam sido desligadas, ou seja, ele não as desligou antes de ceder a chave, mas seus hóspedes, durante a permanência no imóvel.​

A mãe de Willian foi precisa no relato: ele chegou em casa "extremamente nervoso" e revelou que "as pessoas para quem havia cedido sua casa de praia estavam envolvidas no crime."

No dia 15 ou 16 de setembro, sua mãe não recordava com precisão, Willian saiu de casa e não mais retornou. Para investigadores e Ministério Público, era fuga. Para a defesa, a reação de sobrevivência emocional. Segundo suas alegações, Willian temeu estar próximo demais das pessoas envolvidas na execução do ex-delegado-geral de São Paulo.

A defesa também alega que Willian agendou voluntariamente seu depoimento junto à Polícia Civil e quem reconhece culpa não se oferece para depor. Mas um dos delegados do caso desmarcou seu interrogatório. A defesa interpretou esse ato, a desistência da polícia em ouvi-lo, como uma deliberada obstrução de colaboração potencial.​

Apresentação espontânea e o celular

Semanas depois, Willian apresentou-se espontaneamente à delegacia, acompanhado de seu advogado. Os investigadores perceberam que ele não estava com seu seu celular no momento da apresentação e desconfiaram ser uma possível tentativa de obstruir a investigação.

Mas sua defesa refutou a suspeita: o aparelho já havia sido apreendido em sua residência durante a busca domiciliar anterior. Não havia celular a entregar porque o dele já estava apreendido

A defesa de Willian insiste que na investigação sobre a execução de Fontes, ele não faz parte de nenhuma engrenagem central: Willian é vítima e perdeu a liberdade por ter sido, ironicamente, muito confiante com conhecidos do bairro.

Dahesly Oliveira Pires e o pagamento de dívida

Dahesly Oliveira Pires, 25 anos, está presa apontada como responsável pelo transporte de armas usadas no atentado contra Fontes
Arquivo Investigação Criminal
Dahesly Oliveira Pires, 25 anos, está presa apontada como responsável pelo transporte de armas usadas no atentado contra Fontes


Dahesly Oliveira Pires ofereceu a versão mais diferenciada: confessou atos criminosos, mas alegou ter sido coagida e que os fez por falta de conhecimento do contexto criminoso no qual fora envolvida.

Segundo seu depoimento de 3 de setembro de 2025, Dahesly foi procurada por um homem que se identificava como Vini, posteriormente identificado como Luiz Antônio, o Gão,  no dia 16 de setembro de 2025.

Gão ofereceu um serviço que abateria uma dívida de R$ 5.000 que Dahesly tinha. Ela tinha sofrido acidente de moto e estava financeiramente pressionada.  Gão insistiu que o serviço precisava ser feito naquele mesmo dia e ofereceu mais R$ 1.000 como incremento. Qual era o serviço? Conforme confessou Dahesly: ela deveria ir a um imóvel em Praia Grande e resgatar armas que estavam lá guardadas.

Gão a colocou sob vigilância remota. Dahesly ligou por videochamada quando chegou ao local, filmou o quintal conforme orientação, recebeu a senha da fechadura eletrônica e entrou. No interior da casa, conforme instruções de Gão, pegou o armamento, envolto por um cobertor rosa, e o guardou em uma bolsa.  Gão também pediu que Dahesly pegasse todos os objetos deixados no quintal e os jogasse fora em local distante.

Quando Dahesly voltou para São Paulo, enviou mensagem de texto para Gão perguntando se buscaria a arma, munições e o par de botas táticas preta e a resposta foi: "esperara o dia escurecer." Às 21h30, Gão foi até sua casa e retirou o armamento.

Quanto ao pagamento: Dahesly recebeu R$ 470 via Pix de uma conta em nome de Vinicius Davi Vieira Rodrigues, mais R$ 1.000 em espécie. Dahesly não alegou inocência. Confessou: havia participado. Mas sua defesa implícita foi clara: participou sob coerção econômica, não planejada. Desconhecia o contexto criminoso amplo. Ignorava que as armas estavam vinculadas ao assassinato do ex-delegado Fontes.





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