Água invade restaurante no litoral de Santa Catarina
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Água invade restaurante no litoral de Santa Catarina

Dois estados do Sul do Brasil foram atingidos nesta segunda-feira (21) pelo fenômeno conhecido como tsunami meteorológico. De acordo com MetSul Meteorologia, na madrugada, durante a chegada de um temporal, o fenômeno afetou Capão da Canoa, no litoral Norte gaúcho. Já na manhã da segunda, foi a vez de um tsunami meteorológico atingir o litoral Sul de Santa Catarina.

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O também chamado meteotsumani não ocorre com frequência e seu principal gatilho, ainda segundo a MetSul, é uma variação rápida da pressão atmosférica , geralmente associada a frentes frias, linhas de instabilidade, tempestades intensas ou rajadas muito fortes de vento sobre o mar.

Câmeras de segurança instaladas em vários pontos registraram o avanço das águas durante o fenômeno. Entre os registros, é possível ver um restaurante do litoral catarinsense sendo inundado. As imagens circulam nas redes sociais. Veja:

Estragos no RS


No Litoral Norte do Rio Grande do Sul, durante a madrugada, o meteorotsumani provocou estragos em diferentes municípios, com registro de queda de postes, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia elétrica, segundo informações da MetSul.

Em Osório, a Defesa Civil contabilizou a queda de três postes, deixando parte dos bairros Porto Lacustre, Caravágio e Medianeira sem energia, além do distrito de Passinhos. Também foram registrados dois destelhamentos, nos bairros Albatroz e na localidade de Emboaba.

Em Atlântida Sul, uma árvore caiu sobre um veículo que estava dentro de uma residência, na Rua Icaraí. Na ERS-030, parte da estrutura metálica de um estabelecimento comercial se desprendeu com o vento.

Em Imbé, uma descarga elétrica atingiu por volta das 8h a EMEI Jardelino Peroni, no Centro. A unidade ficou sem energia e, por segurança, as aulas foram suspensas nos turnos da manhã e da tarde. Equipes de manutenção foram acionadas para restabelecer as condições de funcionamento da escola.

Em Capão da Canoa, a força do vento destruiu parcialmente a cobertura de um posto de combustíveis e destelhou parcialmente a estação rodoviária do município.

Em Xangri-lá, moradores e veranistas relatam destelhamentos em residências. O que chamou a atenção foi o súbito e muito rápido avanço do mar com grandes ondas sem resssaca em Capão da Canoa quando do temporal, o que provocou danos na Beira-Mar e em quiosques.

Santa Catarina

Em Santa Catarina, também foram feitos muitos estragos, principalmente na região da Praia do Cardoso, próximo ao Farol de Santa Marta, em Laguna, onde a água avançou rapidamente sobre a faixa de areia. Veja imagens que circulam nas redes sociais.


O fenômeno ainda, arrastou barcos e invadiu ruas e estabelecimentos comerciais. Também houve registros de estragos em Jaguaruna. 

O episódio ocorreu antes das 6 horas no litoral catarinense, de acordo com os meteorologistas, quando pescadores aguardavam uma melhora das condições do tempo para iniciar as atividades.

Um pescador relatou que havia retirado algumas embarcações da área mais próxima do mar, mas foi surpreendido pela força da água. Durante a tentativa de salvar o próprio barco e o de um amigo, ele precisou enfrentar a correnteza com a água na altura do peito.

Apesar dos danos materiais e do susto, não houve registro de feridos.

Gatilho

O meteotsumani é desencadeado quando há uma variação rápida da pressão atmosférica, geralmente associada a frentes frias, linhas de instabilidade, tempestades intensas ou rajadas muito fortes de vento sobre o mar.

Os meteorologistas da MetSul explicam que as perturbações se deslocam rapidamente e, muitas vezes, têm escala espacial pequena, ocorrendo em minutos ou poucas dezenas de minutos.

Para que um tsunami meteorológico se forme, a velocidade do distúrbio atmosférico precisa coincidir com a velocidade natural de propagação das ondas no mar, um processo conhecido como ressonância. A sincronia”é difícil de antecipar, pois pequenas mudanças na intensidade do vento, na pressão ou na trajetória do sistema já impedem o fenômeno de se desenvolver.

Fenômeno raro

Os registros de meteotsunamis no Brasil são escassos e, por muito tempo, esses eventos foram pouco compreendidos ou atribuídos genericamente a “ressacas” ou variações anômalas da maré.


Os primeiros relatos compatíveis com meteotsunamis, aponta a MetSul, aparecem em registros históricos e jornais do século XX, especialmente no Sul e no Sudeste.

Levantamento da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) mostra que entre 2009 e 2021, pelo menos sete eventos foram registrados nos litorais Sul e Médio do Rio Grande do Sul e no litoral de Santa Catarina: Pântano do Sul (SC), em 2009; Cassino (RS), em 2014; trecho Araranguá – Rincão (SC), em 2016; Tavares e Mostardas (RS), em 2018; trecho Rincão – Camboriú (SC); em 2019; e, novamente, no Cassino (RS), em 2020 e 2021. Em praticamente todos, houve estragos em veículos que estavam sobre a areia e em moradias vizinhas à praia.

Outros casos também chamaram a atenção de banhistas, mas não se confirmaram como meteotsunamis. Um bastante curisoso ocorreu recentemente, em  Praia Grande, no litoral de São Paulo, e chegou a levantar suspeitas entre banhistas de um tsunami

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