
Os candidatos ao governo da Bahia apresentaram seus planos de governo à Justiça Eleitoral para poderem concorrer às eleições de 2026 , como determina a legislação brasileira. Entre as propostas, sugeriram medidas para a geração de emprego e renda.
O iG analisou os planos de governo anexados pelas candidaturas e disponíveis no DivulgaCandContas, portal de dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Confira abaixo as prioridades apresentadas para a área.
ACM Neto
- Política industrial: diagnosticar os 15 distritos industriais, requalificar os considerados viáveis e reconverter ou desativar os demais. O plano também prevê Zonas de Industrialização do Interior — embora alterne entre prometer a implantação e estudar a viabilidade —, vincula subvenções do FNDR à geração de empregos e exige metas setoriais de compras locais de empresas que recebam mais de R$ 5 milhões anuais em benefícios.
- Qualificação profissional: transformar parte das escolas de ensino médio em unidades de formação profissional integrada pelo Acelera Juventude; certificar conhecimentos adquiridos informalmente pelo Bahia Certifica; e criar trilhas ligadas às vocações de cada região no Treinar para Empregar Bahia.
- Primeiro emprego e estágio: criar o Meu Emprego é na Bahia para jovens de 16 a 24 anos sem registro anterior em carteira e exigir que contratos estaduais de serviços continuados, a partir de R$ 500 mil por ano, ofereçam três estágios remunerados para cada R$ 1 milhão contratado.
- Intermediação e formalização: transformar o SineBahia em uma plataforma de compatibilização de vagas e candidatos, com orientação de carreira, e implantar o Bahia Formal, com simplificação do MEI, escritórios municipais de formalização e acesso ao crédito estadual condicionado à regularização.
- Micro e pequenas empresas: criar o Cresce Bahia, com fundo estadual de garantia e acompanhamento pós-crédito; capacitar empreendedores para o comércio digital; criar uma plataforma de conexão empresarial; e implantar o Balcão Único do Empreendedor para atividades de baixo risco.
- Empregos verdes e inovação: fixar metas regionais de emprego na atração de indústrias de energia renovável, saúde, inteligência artificial aplicada ao agro e economia circular; exigir contratação local e transferência de tecnologia em projetos de hidrogênio verde; formar técnicos em energia solar; e criar incubadoras de bioeconomia no Sertão.
- Inclusão produtiva: oferecer qualificação, microcrédito e estímulos à contratação de egressos do sistema prisional; pagar renda por até 24 meses a mulheres com medida protetiva, fora do Bolsa Família e em vulnerabilidade comprovada, junto com qualificação e crédito; e criar um banco de vagas e emprego apoiado para pessoas com deficiência.
Ariel Capistrano
- Atração de empresas: criar programas de incentivo à instalação de empresas, apoiar os setores da indústria, do comércio e dos serviços e incentivar a interiorização do desenvolvimento econômico.
- Empreendedorismo: reduzir a burocracia para abrir negócios e estimular o empreendedorismo.
- Qualificação: expandir o ensino profissionalizante, incentivar o ensino técnico e científico e oferecer programas de qualificação e capacitação profissional.
- Economia criativa: incentivar atividades do setor, sem detalhar instrumentos, metas ou áreas prioritárias.
- Produção rural: ampliar o crédito rural, apoiar pequenos produtores e a agricultura familiar, investir no armazenamento e na distribuição da produção e fortalecer cooperativas e assistência técnica.
Aroldo Félix
- Salário mínimo: aumentar o salário mínimo em 100% e criar um salário mínimo baiano.
- Jornada de trabalho: acabar com a escala 6x1 e reduzir a jornada semanal para 36 horas.
- Contratações públicas: contratar imediatamente profissionais para escolas e universidades estaduais e realizar concursos para os serviços oferecidos pelo Estado.
- Servidores do Reda: fazer concurso interno para efetivar trabalhadores contratados pelo Regime Especial de Direito Administrativo.
- Remuneração da educação: negociar o cumprimento do piso nacional e aumentos reais para docentes, além de equiparar os salários do governador e dos deputados estaduais aos dos professores da rede pública baiana.
- Trabalho análogo à escravidão: extinguir essa forma de exploração por meio da fiscalização e da expropriação das empresas que a pratiquem.
Jerônimo Rodrigues
- Interiorização industrial: criar incentivos diferenciados, novos distritos e parques industriais nos Territórios de Identidade, com linhas de crédito para pequenas e médias indústrias.
- Pequenos negócios: apoiar exportações e comércio eletrônico, simplificar a abertura de empresas e ampliar, pelo Desenbahia, o crédito para modernização, inovação, equipamentos e expansão produtiva.
- Intermediação de mão de obra: levar intermediação de vagas, documentação, seguro-desemprego, Credibahia e assessoramento a empreendimentos solidários para distritos isolados e comunidades rurais.
- Qualificação profissional: ampliar cursos técnicos de acordo com as demandas locais e estender o Qualifica Bahia e o Trilha às periferias e zonas rurais dos 27 Territórios de Identidade, com atenção a mulheres, jovens e população negra.
- Trabalho por conta própria: ampliar a comercialização e o atendimento aos artesãos, oferecer cursos para a transição digital, expandir assistência técnica, crédito e acesso a mercados pelo Vida Melhor Urbano e criar pontos de apoio para motoristas de aplicativo.
- Economia solidária: oferecer formação jurídica e contábil para associações, cooperativas, empreendimentos solidários e agricultura familiar, além de ampliar os Centros Públicos de Economia Solidária aos territórios ainda não atendidos.
- Trabalho de cuidado: criar programa de qualificação com bolsa-formação para cuidadoras e trabalhadoras domésticas, instituir cadastro e certificação estadual para cuidadoras e cuidadores, apoiar condições de trabalho decentes e estimular medidas de conciliação entre trabalho e família.
PCO
O documento não identifica o candidato ao Governo da Bahia e apresenta um programa nacional de luta, não um plano estadual detalhado. O próprio partido afirma que não participa das eleições para fazer promessas.
- Salários: defender a reposição integral das perdas salariais, aumento emergencial de 50%, reajuste automático quando o custo de vida subir 3% e salário mínimo de pelo menos R$ 7,5 mil.
- Proteção de renda: defender Bolsa Família de pelo menos um salário mínimo enquanto durar a situação que o documento chama de “caos atual” e a anulação das dívidas dos trabalhadores com o sistema financeiro.
- Jornada e desemprego: defender jornada máxima de sete horas por dia e 35 horas semanais, sem redução salarial; proibição de demissões; salário-desemprego igual ao último salário recebido; e passe livre para desempregados e trabalhadores informais.
- Direitos trabalhistas: defender a revogação da reforma trabalhista, o restabelecimento e a ampliação da legislação de proteção, o fim da terceirização e o direito irrestrito de greve.
- Serviço público: defender estabilidade imediata para contratados precariamente, com igualdade de direitos e salários, e concursos periódicos.
- Moradia e empregos: defender um plano nacional para construir milhões de moradias populares e, segundo o programa, gerar milhões de postos de trabalho.
- Pisos profissionais: defender piso de pelo menos R$ 8,5 mil para professores e de R$ 8 mil para profissionais da saúde, além de jornada docente máxima de 30 horas semanais.
Ronaldo Mansur
- Emprego local: orientar os orçamentos e as obras públicas para garantir postos de trabalho nos municípios e contratar moradores das próprias comunidades na execução de pequenas intervenções.
- Atração de empresas: criar e revitalizar zonas comerciais e industriais, avaliar os benefícios dos empreendimentos antes da concessão de apoio e exigir contrapartidas trabalhistas e institucionais das empresas beneficiadas pelo Estado.
- Indústria e investimento: promover a industrialização de novos setores, reduzir o custo do crédito e estimular projetos de ciência e tecnologia. Nas áreas de mineração, energia e logística, o plano prevê incentivar investimentos privados por meio de créditos e garantias.
- Economia solidária: apoiar cooperativas, bancos populares e empreendimentos sociais com crédito, assistência técnica, tecnologia, prioridade em compras públicas, redução da burocracia e acesso a mercados.
- Salários e renda: criar um salário mínimo regional superior ao piso nacional, reajustar os servidores pela inflação com recuperação negociada das perdas e defender a transformação do Bolsa Família em renda básica universal.
- Proteção dos trabalhadores: apoiar a proteção social a autônomos, trabalhadores domésticos e pessoas em teletrabalho; dialogar com sindicatos; assegurar o direito de greve; apoiar os órgãos de fiscalização das relações de trabalho; e combater o trabalho escravo.
- Qualificação e inclusão: ampliar a educação profissional, criar espaços de reinserção no mercado para mulheres egressas do sistema prisional, oferecer formação e campanhas de valorização do emprego trans e manter ações afirmativas e cotas em concursos e estágios para a população negra.
- O plano também afirma que apoiará a “efetivação da escala 6x1”, mas não esclarece se propõe manter, regulamentar ou extinguir esse regime.