Plenário da Câmara Municipal de Goiânia
Câmara de Goiânia
Plenário da Câmara Municipal de Goiânia

Quase 39 anos depois do acidente que transformou Goiânia em referência mundial sobre os riscos da radiação, a Câmara Municipal aprovou a criação de um Museu e Memorial do Césio-137. A votação ocorreu na terça-feira (11), um dia após um incêndio atingir o Parque Estadual Telma Ortegal , em Abadia de Goiás, onde estão armazenadas cerca de 6 mil toneladas de rejeitos produzidos pela descontaminação da capital.

O Projeto de Lei nº 567/2025, de autoria do vereador Lucas Kitão (Mobiliza), foi aprovado em segunda votação e encaminhado para a elaboração do autógrafo de lei. A proposta ainda precisa ser sancionada pelo prefeito Sandro Mabel (UB).

Pela proposta, caberá à Prefeitura definir onde o museu será instalado. O espaço deverá reunir elementos da história do acidente, homenagear as vítimas e os profissionais envolvidos na resposta à emergência e funcionar como ambiente cultural e educativo para estudantes, pesquisadores e visitantes.

Um dos locais cotados para receber o museu é o antigo ferro-velho, que fica no centro da cidade.

A proximidade entre a votação e o incêndio em Abadia de Goiás foi citada durante a sessão. O fogo avançou pelo Parque Estadual Telma Ortegal e chegou à região do montículo onde ficam os depósitos dos rejeitos. 

O acidente que marcou Goiânia

O acidente começou em 13 de setembro de 1987, quando dois homens retiraram um aparelho de radioterapia abandonado nas antigas instalações do Instituto Goiano de Radioterapia, no centro de Goiânia. O equipamento continha uma fonte altamente radioativa de Césio-137.

Equipes fazem o manejo de objetos contaminados  Reprodução
Equipes fazem o manejo de objetos contaminados Reprodução
Mapa mostra raio de contaminação do acidente com o Césio-137 Reprodução
Mapa mostra raio de contaminação do acidente com o Césio-137 Reprodução
Ferro-velho em Goiânia que esteve entre os principais pontos de contaminação durante o acidente com o Césio-137, em 1987 Yosikazu Maeda
Ferro-velho em Goiânia que esteve entre os principais pontos de contaminação durante o acidente com o Césio-137, em 1987 Yosikazu Maeda


Dias depois, parte do aparelho foi vendida a um ferro-velho. Ao desmontar a cápsula, os envolvidos encontraram um material que emitia luminosidade azul. Sem conhecimento sobre o risco, pequenas quantidades da substância foram manuseadas e distribuídas entre familiares, amigos e vizinhos, espalhando a contaminação por diferentes pontos da cidade.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) considera o episódio o pior acidente já registrado no mundo envolvendo uma fonte radioativa. Cerca de 250 pessoas foram contaminadas e quatro morreram no primeiro mês após a exposição. O desastre também levou à revisão de padrões internacionais de segurança para fontes utilizadas na medicina e na indústria.

A descontaminação exigiu a retirada de casas, objetos pessoais, solo, materiais de construção e outros itens que tiveram contato com o Césio-137. Todo o material recolhido foi transportado para Abadia de Goiás, município localizado a cerca de 25 quilômetros da capital.


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