
O Partido dos Trabalhadores realizou a sua convenção nacional neste domingo (2), em São Paulo, para oficializar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República, com Geraldo Alckmin, vice, mantendo a aliança PT-PSB. O evento, que aconteceu na Expo Center Norte, na Zona Norte da capital paulista, foi transferido a pedido de Lula de Brasília para São Paulo, que é considerado o berço político do PT e um estado estratégico, com o maior colégio eleitoral do país.
O atual presidente, com 80 anos, tentará a reeleição em outubro, podendo renovar seu recorde de candidato mais velho eleito presidente e empossado no cargo.
A convenção nacional do PT deste domingo reuniu os candidatos da chapa, delegados do partido, aliados e militantes. Mas o ato que marcará o pontapé oficial da campanha petista está agendado para o dia 16 de agosto, em um ato em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, no Estádio 1º de Maio.
Participaram do ato deste domingo, junto com Lula e Alckmin, o ex-ministro Fernando Haddad, que disputa o governo estadual, e Márcio França (PSB), seu vice; Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), que concorrem ao Senado Federal, além do presidente nacional do PT, Edinho Silva.
O evento
O mestre de cerimônia do evento foi o ator Aílton Graça e o início estava marcado para 10 horas. Lula entrou por volta das 11h45, com a primeira-dama Janja Lula da Silva, após performances de atores que destacaram seus programas de governo, da entrada das bandeiros dos estados da Federação e da reprodução de vídeos de representantes dos partidos aliados.
Além de PT, PCdoB e PV, que integram a Federação Brasil da Esperança, PSOL, Rede, PSB e PDT compõem a base de apoio à corrida pelo quarto mandato de Lula. Todos os partidos aliados estavam representadas na convenção, presencialmente ou por vídeo.

Também marcaram presença na convenção a deputada federal (PT) Benedita da Silva, candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro; Rogério Carvalho (PT), senador pelo Recife, o presidente do PDT e ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi; e os atuais governadores Elmano de Freitas (Ceará), Jerônimo Rodrigues (Bahia) e Rafael Fonteles (Piauí), além da governadora Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte).
E ministros do atual Governo Lula, entre eles Márcia Lopes, ministra das Mulheres; Guilherme Boulos, ministro de Estado da Secretaria-geral da Presidência.
O primeiro a falar no palco da convenção foi o presidente nacional do PT, Edinho Silva. Ele agradeceu os dirigentes partidários e a militância presente, chamando para a mobilização pela reeleição de Lula.
"A eleição no Brasil terá impacto no mundo e na América Latina. Estamos decidindo qual futuro queremos para o nosso país. Vamos escolher entre o país do ódio, da fome, do autoritarismo e do entreguismo, ou o Brasil soberano, que luta pelos nossos interesses e pela construção de igualdade de oportunidades. O presidente Lula já demonstrou capacidade de defender nosso povo", disse Edinho Silva.
Em seguida, Fernando Haddad falou aos presentes, enfatizando a trajetória de Lula, disse que ele nunca traiu o povo brasileiro e falou que o país tem sua soberania ameaçada neste momento, "com o mar revolto". Também apontou números comparando o atual governo com o anterior.

"Lula é motivo de inveja no mundo, mas o Lula é brasileiro. Lula precedeu um presidente que desorganizou o país em todos os sentidos. E, num quadro extremamente adverso, Lula e Alckmin fazem parte de forças políticas que reconstruiram a dmocracia no nosso país. Fazem política com a verdade e respeitam o resultado eleitoral. Isso uniu o Lula e Alckmin em 2022 e os une agora, mais uma vez. Vamos fazer o pais seguir em frente. Temos uma desafio de levar a verdade para a população e dizer que o Brasil está sendo reconstruído, sem botar boné de presidente de nenhum outro país", declarou Haddad.
Geraldo Alckmin, candidato a vice, também saudou os presentes. Destacou a militância aguerrida do PT, que segundo ele, faz a diferença, e disse que o PT tem democracia interna.
"Há quatro anos, estávamos aqui para falar de desenvolvimento inclusivo, com estabilidade e sustentabilidade;. Quatro anos depois, podemos dizer que foi cumprido esse trabalho. Temos hoje a menor taxa de desconforto, a menor inflação e o que derrubou foi alimento, e a taxa de desemprego caiu. Coisa dificl de se conseguir, porque quando a inflação está baixa, a inflação está alta. Conseguimos as duas coisas. O Brasil avançou muito. O que nossos adversários queriam era criar mais imposto, o presidente Lula fez reforma tributária, que traz eficiência economica. Lula ampliou creches e escolas de período integral, o Pé-de-Meia. O Brasil cresceu em todos os setores", destacou Geraldo Alckmin, apontando ainda crescimento da indústria e defendendo o voto popular. "A descrença nas urnas tem cheiro de derrota", completou.

Lula encerrou as falas, mas antes de discursar, passou o microfone para a primeira-dama Janja da Silva.
"Quero saudar só as mulheres que estão aqui hoje, porque tenho certeza que somos nós mulheres que vamos eleger Lula presidente, novamente. Quero dizer que tenho muito orgulho de caminhar ao seu lado, levando políticas públicas que eu sempre acreditei. São elas que transformam a realidade do país. Acredito que sua missão hoje se transforma na minha missão; caminhar levando o Brasil a pleno desenvolvimento. Tenho orgulho de você e de você ter abraçado a causa do combate à violência contra as mulheres", disse Janja, direcionando sua fala a Lula.
"Sétima Copa do Mundo"
O presidente candidato à reeleição começou fazendo uma alusão à Copa do Mundo, dizendo que ele está na sua sétima Copa do Mundo. Lembrou de suas candidaturas anteriores à presidência, lembrando que essa seria sua quarta vitória.
"Não vou ter chance de disputar o penta, porque decidi que vou sair de férias depois dessa disputa, depois de devolver o Brasil totalmente recuperad", afirmou Lula.
Agradeceu os partidos que o apoiam e seus representantes na convenção e os militantes. Mencionou sua trajetória desde os anos de 1970, no início da construção do Partido dos Trabalhadores, e seguiu falando sobre o andamento de sua atual campanha.
"Somos a única candidatura que não temos que contar uma mentira para o povo. E Deus me fez optar pelo Alckmin, porque o Brasil nunca teve um ministro da Indústria e Comércio da competência do Alckmin, além de sua lealdade e companheirismo. Por isso, é meu vice de novo. Nunca um Presidente da República colocou tanto dinheiro nos estados como nós. Temos respeito pelas prefeitura do país. Temos autoridade moral de defender em todas as cidades e estados o que nosso governo fez. Temos ainda muita coisa pra fazer e vamos comtinuar caminhando", discursou Lula
Se dirigindo ao eleitorado feminino, falou do Pacto contra Feminicídio que, segundo ele, incentivou o aumento do números de denúncias. Falou também da lei do Pix Pensão Alimentícia.

"Meu governo tem coragem de dizer que somos contra a violência contra a mulher e trabalhamos para isso. Posso até perder voto. Ou o cara vota em mim, eu bate na mulher. Defendo uma sociedade de respeito, onde as pessoas vivam em harmonia, inclusive dentro de casa, dando bom exemplos para os filhos. A luta contra a violênca que atinge a mulher é dos homens. Muitos homens que são donos da mulher. Somos parceiros, companheiros. E as mulheres não têm que ter medo de denunciar. E agora também o cidadão não vai mais dar calote na pensão, porque sancionei a lei do Pix da Pensão Alimentícia", ressaltou.
Lula chamou ainda os presentes para participarem do ato marcado para o 16 de agosto, em Sâo Bernardo do Campo, que segundo ele, será o início oficial da campanha rumo à reeleição.
"Não fiquem preocupados com pesquisa. O campeonato vai começar agora. Hoje não podemos falar que somos candidatos ainda. Só posso pedir voto a partir do dia 15. Mas estamos preparando esse grande time, temos um bom time, temos o que entregar e temos argumento. Não podemos permitir que a mentira que utiliza inteligência artificial para enganar o povo ganhe essa eleição. O que vai permanecer é a entrega que estamos fazendo pelo povo brasileiro", enfatizou o presidente, que seguiu ressaltando nomes de antigos aliados que fizeram parte de sua trajetória política.
E prosseguiu: "Minha quarta presidência será para mudar muita coisa. Vai ter briga democrática, inclusive com o papel do Poder Legislativo. Não posso permitir que o Presidente da República perca seus direitos. Vamos ter que discutr isso, então é bom todos vocês serem eleitos. Quero fazer mais do que já fizemos e vamos ter que mudar de comportamento, ser mais ousado".
Ele citou ainda, em seu discurso, entre outros temas, a importância da recuperação da renda do brasileiro, de investimentos na educação, políticas públicas para idosos, segurança e soberania.
Lula encerrou a convenção, após cerca de uma hora de discurso.
Polêmica
A convenção nacional do PT é uma das últimas realizadas antes do encerramento do prazo estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – de 20 de julho a 5 de agosto. Na corrida eleitoral, a maioria dos partidos já cumpriu essa etapa, que rendeu muitas declarações e cenas polêmicas.
Na convenção de Haddad ao governo de São Paulo, por exemplo, realizado no dia 25 de julho, Lula acusou o senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal à Presidência, de envolvimento em esquemas de corrupção, intensificando a polarização e o clima de hostilidade.
Dias depois, na convenção do PSB, no dia 29, Lula chamou o ex-presidente Jair Bolsonaro de “homicida”, afirmando que ele foi responsável por “mais da metade dos mortos” na pandemia de covid-19.
Lula também foi alvo de comentários duros de seus opositores; na convenção do PL, em 25 de julho, o presidente argentino Javier Milei que, depois de dançar rock com Flávio Bolsonaro, atacou o atual presidente, chamando-o de “presidiário” e o ministro do STF Alexandre de Moraes de “lixo careca”.
O PT reagiu com nota, afirmando que Milei desrespeitou as instituições brasileiras e “não está à altura do cargo que ocupa”. O próprio Lula, ao ser questionado por repórteres, dias depois, sobre as falas de Milei, devolveu outra pergunta: “Quem é esse cara”?
Além disso, às vésperas da convenção, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a Polícia Federal (PF) a investigar o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A suspeita envolve a prática de tráfico de influência e corrupção em articulações com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A investigação surgiu a partir de provas obtidas na Operação Sem Desconto, que investiga das fraudes em descontos de aposentadorias do INSS, embora não esteja diretamente ligado ao caso. O filho de Lula teve seu nome citado como um dos possíveis beneficiários do esquema, mas as investigações não avançaram por falta de provas.
Conveções partidárias
A convenção nacional é uma etapa obrigatória no processo eleitoral brasileiro; sem a aprovação dos nomes em convenção, é proibido registrar candidatura na Justiça Eleitoral.
Cada legenda tem autonomia para definir a data e o formato do evento, que pode ser presencial, virtual ou híbrido. Na convenção, os partidos políticos e as federações definem formalmente os nomes que disputarão o pleito de outubro.
Conforme a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) do TSE, esses eventos partidários tem data fixada em anos eleitorais e acontecem de 20 de julho a 5 de agosto.
O primeiro turno do pleito em 2026 ocorre em 4 de outubro de 2026, com eventual segundo turno fixado para 25 de outubro.