
O Partido Liberal (PL) realizou neste sábado (25) a convenção nacional que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), o filho "01" do ex-presidente Jair Bolsonaro, à Presidência da República. O evento aconteceu no Complexo Arena Pacaembu, em São Paulo, e marca o início formal da campanha eleitoral da sigla.
Além do presidenciável, discursaram no evento o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, o presidente da Argentina, Javier Milei, e a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, por vídeo, bem como Eduardo Bolsonaro, também por videoconferência.
A convenção também contou com nomes de peso, como o premiê israelense Benjamin Netanyahu e um Jair Bolsonaro gerado por inteligência artificial (IA).
De colete a prova de balas durante todo o evento, Flávio, que patina no eleitorado feminino, começou seu discurso agradecendo a Deus e à sua esposa, Fernanda Bolsonaro. Ele também enalteceu os que não puderam comparecer no evento, como Michelle e o pai, Jair Bolsonaro. O candidato à Presidência prometeu anistia aos presos pelo 8 de janeiro
A gente ta aqui por um proposito muito maior, devolver o Brasil pata os brasileiros. Meu nome também carrega a esperança de um país inteiro. Isso aqui é muito mais que uma convenção, é o início da luta do bem contra o mal, uma luta que começou com Jair Bolsonaro em 2018, e que agora está em nossas mãos. Uma luta de quem defende a família, que defende o país. Uma luta de quem paga impostos passados. Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência
Durante o momento "o país que eu acredito", o candidato prometeu valorizar médicos e professores, bem como produtores rurais. Ele também falou em mudanças constitucionais, como redução da maioridade penal para 14 anos, castração química para estupradores e redução de impostos.
Entre os presentes estão figuras ilústres da direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador Sergio Moro, a ex-ministra Nise Yamaguchi e os governadores do Mato Grosso e de Santa Catarina, Otaviano Pivetta (Republicanos) e Jorginho dos Santos Mello (PL), respectivamente.
Apesar da oficialização de Flávio Bolsonaro, o partido ainda não confirmou quem ocupará a vaga de candidato a vice-presidente.
O evento
O presidente da Argentina, Javier Milei, cumprimentou Flávio ao som de uma efusiva banda de rock, levando os presente à loucura. Eles dançaram juntos e Flávio segurava uma tesoura. Milei disse "confiar" plenamente no "filho do seu melhor amigo", em referência ao ex-presidente Bolsonaro.
No evento, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto exaltou o partido como "o maior do Brasil" e ressaltou o mandato de Jair Bolsonaro, nesse momento, a plateia gritou "volta, Bolsonaro".
"Vocês fizeram do PL o maior partido do Brasil. Nesse palco eu vejo mais de 50 milhões de brasileiros que carregam a esperança de milhões de famílias. Eu tenho orgulho de dizer que este foi o único partido que me filiei na minha vida. Jair Messias bllsonaro foi o maior líder que já conheci na minha vida. O carisma desse homem foi o maior que já vi na minha vida", disse o presidente da sigla, que acrescentou elogiando a presença de Milei.
"É uma honra pra nós receber Javier Milei neste palco, o senhor está devolvendo a confiança, a esperança e a prosperidade no seu país".
Sem citar nomes, Costa Neto alfinetou o presidente Lula, principal adversário de Flávio no pleito:
"Quando um líder enaltece a pobreza, ele enaltece a miséria. Nós queremos uma nação próspera, a jornada que começamos hoje vai conduzir Flávio Bolsonaro à Presidência do país. O Flávio foi escolhido pelo pai. Que Deus ilumine essa caminhada", finalizou.

O irmão de Flávio e filho "02" do ex-presidente Bolsonaro, Eduardo, que está nos Estados Unidos, discursou por videoconferência. Ele criticou o que chamou de "imprensa esquerda" e afirmou que o lado político apoia "terroristas do Irã".
"Flávio Bolsonaro vai colocar "família na cabeça dele", porque ele sabe exatamente qual é a nossa missão, combater os radicais de esquerda", disse o ex-deputado, que complementou dizendo que o presidenciável pretende anistiar os presos pelo 8 de janeiro.
O outro irão, também por vídeo conferência, Carlos Bolsonaro, elogiou o crescimento do partido e da direita brasileira e criticou os últimos 4 anos de PT.
"No início erramos poucas vozes, mas aos poucos fomos conquistando o coração do povo. Não porque somos os bons mas porque representamos o que o povo quer. Nosso pai é vítima diária desse sistema e agora você também está sendo afetado por esse sistema. O Brasil não aguenta mais quatro anos de PT, e é nossa última chance de livrar nosso povo desse país", declarou.

O governador do estado, Tarcisio de Freitas (Republicanos) foi um dos últimos a falar. Ele disse que as eleições serão "uma batalha" e focou as falas em segurança pública.
"Eu sei, olhando pra vocês, que tá doendo. Eu sei que dói ver o crime todo dia na rua. Que o criminoso tinha que estar preso, e não está. Sei que dói muito saber que o Brasil está indo na direção errada. Eu sei que dói, ligar a televisão e ver todo dia um caso novo de corrupção.", afirmou.
"O Brasil desendou em poucos anos. Eu sei que dói que nosso presidente bolsonaro não está aqui com a gente. Mas eu sei também que o Brasil tem jeito", completou.
O prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), discursou em um dos tons mais radicais do evento, afirmando que "não vão tirar" a direita de São Paulo, nem do Brasil.
"Aqui começa uma grande jornada, que o povo brasileiro possa ter de volta a esperança, que vai fazer com que os brasileiros possam ter orgulho da sua bandeira, da sua nação e da sua pátria. Daqui a um mês nos encontramos na urna, votando 22".
Ele também fez um aceno ao eleitorado feminino, trazendo sua esposa para o palco e elogiando Michelle Bolsonaro. "Vocês mulheres são fundamentais para nós".
Logo após o aceno, subiu ao palco Rosana Vale, presidente do PL Mulher SP. Ela deu ênfase à coragem em querer um país melhor para os filhos e família do eleitorado. e disse que Flávio tem o "carinho de milhões de mulheres brasileiras".
"Nos não concordamos com o caos que o PT fez do nosso país.Por exemplo, a Michelle Bolsonaro, que viajou o país inspirando mulheres, trazendo mulheres a política"

Em seguida, por vídeo gravado, Michelle discursou. Ela disse que não foi ao evento por "estar cuidando do marido".
"Não desistirmos, não recuarem porque Deus está conosco. São vocês que podem conquistar cada voto, recuperar a esperança. O PL Mulher se formou o maior movimento feminino partidário do país. Agradeço por todo apoio e orações que tem feito por nós. Com fé coragem e trabalho, a vitória vai chegar a todos nós", finalizou.
Rogério Marinho, ex-ministro do governo Bolsonaro discurou alegando que no local "estão os verdadeiros brasileiros"
"Aqui estamos nós, que acreditamos que criminoso te que ser tratado como criminoso e não como vítima da sociedade. Tudo isso que tá acontecendo aqui hoje tem um propósito. Em 2018 apareceu um homem que fortaleceu o sentimento de milhões de brasileiros, que resgatou as cores do nosso país. O homem que surpreendeu o sistema quando venceu as eleições. Bolsonaro é o propósito de estarmos aqui hoje. Nós seremos a sua voz.", declarou.
O evento estava marcado para às 10 horas, porém, tumulto na entrada e desorganização atrasaram o início. A reportagem do iG constatou no local falha na triagem de quem pode ou não entrar, inclusive na área de imprensa. Com atraso de mais de uma hora, políticos que não deveriam estar no palco faziam questão de permanecer no local, o que adiou ainda mais o início oficial da convenção.
O caso "Michelle"
A convenção ocorre poucos dias após a reaproximação entre Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Após um convite público feito pelo senador, Michelle anunciou que voltará a participar da campanha. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela afirmou que aceitou o pedido e disse que pretende atuar ao lado do candidato durante a corrida eleitoral.
A presença da ex-primeira-dama é vista por integrantes do PL como um reforço importante, especialmente entre o eleitorado feminino e evangélico, bases tradicionais do bolsonarismo.
Costa Neto já sinalizou que a chapa poderá ter uma mulher na vice. Entre os nomes cogitados estão a senadora Tereza Cristina (PP), a deputada federal Júlia Zanatta (PL) e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e integrante da equipe responsável pela elaboração do programa de governo.
O que são as convenções?
A convenção nacional é uma etapa obrigatória do calendário eleitoral e oficializa a participação do partido na disputa presidencial.
Durante o evento, a expectativa é que lideranças da legenda apresentem as principais diretrizes da campanha, com foco em temas como economia, segurança pública e combate à corrupção.
Também devem ser discutidas alianças regionais e a organização das campanhas nos estados.