A ex-secretária de saúde e ex- vice-prefeita de Ribeira (SP), Juliana Maria Teixeira da Costa (MDB), afastada do cargo após denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), teria contratado uma mãe de santo para fazer um ritual espiritual para " adoecer a esposa do amante ".
O amante de Juliana seria o então coordenador municipal de Saúde, Lauro Olegário da Silva Filho.
A informação foi dada pela própria mentora espiritual, chamada Samantha, que disse ter sido procurada pela política em agosto de 2024 pelas redes sociais, segundo o G1.
Ela queria a dominação amorosa, afastamento de rival e adoecer a esposa do amante dela. Queria um trabalho que se chama casamento espiritual definitivo. Mentora Samantha
Entenda o caso
Segundo o Ministério Público do estado, Juliana teria desviado os recursos públicos para pagar pelo serviço espiritual por meio de uma empresa prestadora de serviços à prefeitura.
O valor total do trabalho espiritual, de acordo com Samantha, seria de R$ 380 mil, mas apenas R$ 41,2 mil foram pagos, informou a mentora ao G1.
A mãe de santo, de Fortaleza (CE), disse que o trabalho é realizado à distância, com acompanhamento por videochamada e gravação de vídeos.
A mãe de santo afirmou ainda que, no dia da contratação, as duas fizeram uma videochamada, mas ela acabou sendo bloqueada por Juliana. Samantha teria ficado no prejuízo porque já havia comprado os materiais usados para o casamento espiritual, que vêm da África e foram adquiridos com um fornecedor de Salvador (BA).
"Até o momento, eu não sabia de onde vinha o valor. Eu só estava exercendo o meu trabalho." Mentora Samantha
A guia espiritual disse ao G1 ter começado a procurar as informações sobre Juliana após o calote, para cobrar o pagamento, quando descobriu que a mulher era vice-prefeita de Ribeira (SP).
Outras denúncias
O MP-SP aponta que o esquema envolveu fraude em licitações e direcionamento de dois pregões. A realização dos contratos está suspensa pela Justiça, e a empresa contratada foi proibida de fazer novos negócios com o município até decisão judicial em contrário.
A denúncia foi aceita pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em agosto de 2025 . Além da vice-prefeita, o promotor Renan Rodríguez afastou o coordenador de saúde do município e um empresário, que estão impedidos de entrar na prefeitura e de fazer contato com testemunhas do processo.
Os três são acusados de associação criminosa, frustração do caráter competitivo de licitação, falsidade ideológica e peculato.
Nota do MP-SP
" Existe uma ação penal em andamento, em que se imputam a prática dos crimes de Associação Criminosa, frustração do caráter competitivo de licitação, uso de documento falso e peculato. Já houve instrução e o Ministério Público apresentou suas alegações finais, entendendo estar presentes prova da materialidade e autoria em relação a todos os crimes imputados, e assim pugnando pela condenação de JULIANA MARIA TEIXEIRA DA COSTA, além de outros corréus. O processo criminal aguarda sentença. O caso tramita sob segredo de justiça ."
O iG entrou em contato com Samantha para confirmar as informações, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem. Também tentou contato com a vice-prefeita, o empresário e o coordenador de saúde, mas não os encontrou até o momento. O espaço permanece aberto para manifestações.