A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil afirmou que foram emitidos 10 alertas falsos com a mensagem de “misantropia” entre a noite desta sexta-feira (19) e a madrugada deste sábado (20). Segundo o órgão, tudo indica que o caso se trata de um ataque hacker.
Dentre os alertas, nove teriam sido enviados por meio da plataforma Cell Broadcast e um via SMS. O primeiro alerta teria sido emitido no Paraná e, posteriormente, outros estados também foram afetados, entre eles São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul .
Dentro do sistema de envio de alertas à população, cada responsável só consegue realizar a transmissão de mensagens referente ao estado em que está cadastrado. Por isso, ainda não há confirmação sobre a quantidade de envolvidos no caso, conforme explicou o secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff.
Dentro do nosso sistema tem uma regra: quem está cadastrado no Paraná só consegue dar o alerta para o estado do Paraná. Ele jamais conseguiria dar o alerta para outros estados. A varredura que foi feita mostra que houve nove alertas usando o Cell Broadcast e um alerta via SMS. Então é difícil responder se uma ou mais pessoas participaram desse ato criminoso.
Embora ainda não seja possível determinar a quantidade de pessoas afetadas, Wolff afirmou que o alerta atingiu milhões de pessoas, já que o Cell Broadcast não exige cadastro prévio.
Como funcionam as plataformas de emissão de alerta
A plataforma atualmente utilizada pela Defesa Civil para emissão de alertas de perigo é o Cell Broadcast . Segundo Wolff, trata-se de uma tecnologia que não depende de cadastro.
“Quem tem um celular 4G ou 5G e esteja numa área de potencial desastre, quando a Defesa Civil delimita essa área e aciona o alerta, todas as pessoas dentro dessa região recebem a mensagem, independentemente de cadastro. Quem está na área, o telefone é acionado com um alerta severo ou extremo” , explicou.
Antes, o sistema utilizado era o envio por SMS. No entanto, a ferramenta foi considerada pouco eficaz, já que apenas entre 5% e 8% da população das regiões atendidas estava cadastrada.
De acordo com o secretário, um novo sistema de emissão de alertas já está em desenvolvimento pelo Ministério da Integração, com o objetivo de aumentar a segurança da plataforma. Ainda não há data definida para implementação.
Assim que o envio irregular foi identificado na madrugada deste sábado, a plataforma foi suspensa pelo Ministério da Integração e só voltará a operar quando houver “plena segurança de que, pelo menos nesses estados, já foi possível realizar a troca de senhas e garantir o mínimo de segurança para evitar novos ataques”, explicou.
Investigação da PF
De acordo com o secretário, a Polícia Federal foi acionada na manhã deste sábado (20) para investigar o caso.
Ainda não tenho como cravar quem fez o acesso. Mas tudo indica que não é uma pessoa do Sistema Nacional, nem alguém da Defesa Civil cadastrado pela Secretaria Nacional com acesso regular ao sistema. Isso nos leva a crer que foi um ataque hacker, um crime cibernético.