Túnel vai ligar Santos a Guarujá, no litoral paulista
Governo de SP/Divulgação
Túnel vai ligar Santos a Guarujá, no litoral paulista

O leilão que vai definir a empresa responsável pela construção, operação e manutenção do túnel Santos-Guarujá,  no litoral paulista, será realizado nesta sexta-feira (5), às 16h, na sede da B3, em São Paulo.

A obra do primeiro túnel-submerso do Brasil é uma demanda centenária da população da Baixada Santista. Com isso, o leilão de hoje deve colocar fim a um problema que atravessou décadas de projetos e adiamentos.

Hoje, o trajeto entre as duas cidades pode levar de 20 minutos a duas horas. O tempo varia conforme o uso das balsas, lanchas ou da estrada, com uma média de 15 a 18 minutos por travessia em condições normais. Segundo o Governo de São Paulo, as travessias por embarcações transportam diariamente mais de 21 mil veículos, além de milhares de ciclistas e pedestres.

O novo túnel promete reduzir o deslocamento para até cinco minutos, conectando diretamente as regiões de Macuco, em Santos, e Vicente de Carvalho, no Guarujá. A expectativa é que ele beneficie, pelo menos, 2 milhões de pessoas.

A estrutura prevê 1,5 quilômetro de extensão, dos quais 870 metros serão imersos, com uso da técnica de módulos de concreto pré-moldados, já aplicada em países da Europa e da Ásia. Serão seis faixas de tráfego, com espaço reservado para o futuro Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de ciclovia, passarela para pedestres e galeria de serviços.

O projeto contará, ainda, com sistemas de monitoramento em tempo real, controle de tráfego e mecanismos de segurança.

Investimento e contrato

Segundo o governo de São Paulo, o investimento estimado é de R$ 6,8 bilhões, com aporte público de R$ 5,1 bilhões dividido entre União e Estado, além de R$ 1,7 bilhão da concessionária. O contrato terá duração de 30 anos e inclui a construção, operação e manutenção. A obra deve ser concluída até 2030.

Duas empresas apresentaram propostas para participar do leilão: a espanhola Acciona, responsável pela execução das obras da Linha 6-Laranja do Metrô de SP, e a portuguesa Mota-Engil, que recentemente firmou contrato com a Petrobras para atuar em sistemas submarinos de plataformas offshore.

Técnica inédita

O túnel submerso tem algumas diferenças em relação aos construídos em rocha, como os do metrô. Nesse caso, a estrutura será formada por grandes blocos de concreto com câmaras de ar, produzidos em docas secas, conforme explicado pelo Ministério de Portos e Aeroportos.

Depois de testados, esses módulos serão levados por flutuação até o ponto exato da instalação, onde serão afundados de forma controlada, encaixados no leito do canal e, por fim, recobertos por camadas de areia e pedras para garantir proteção contra impactos e a movimentação das correntes marítimas.

De acordo com a pasta, técnica foi escolhida por causa das características do solo da região, que tem argilas moles e sedimentos que não permitem escavações profundas com segurança. A opção por túnel descartou a construção de uma ponte, inviável devido às restrições da Base Aérea de Santos e do tráfego de navios no porto.

A nova ligação promete aliviar a pressão sobre o sistema de balsas e ampliar a integração logística da Baixada Santista. Segundo o governo estadual, a expectativa é que o projeto gere cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos durante a obra.

Demanda centenária

A ideia de conectar pelas águas as cidades de Santos e Guarujá existe desde 1927, quando o engenheiro Enéas Marini apresentou o primeiro projeto ao então governador Júlio Prestes.

Desde então, vários governos tentaram retomar o tema, mas sem avanços concretos. A iniciativa desta vez faz parte do Novo PAC (Projeto de Aceleração do Crescimento) e é fruto de uma parceria entre os governos estadual e federal, além da iniciativa privada.

O anúncio do edital foi marcado pela disputa de protagonismo político: tanto o presidente Lula (PT) quanto o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) destacaram a obra como conquista de suas gestões. Apesar disso, trocaram elogios durante a cerimônia de divulgação, o que gerou desconforto entre os aliados do chefe do Executivo estadual, parceiro declarado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

À época, Lula defendeu a necessidade de cooperação entre as esferas de poder.

"Não é possível a gente deixar de trabalhar de forma conjunta, de compartilhar esforço, porque eu não gosto de fulano, o fulano não gosta de mim", disse.


Expectativas dos moradores

A chance de passar de uma cidade a outra em até cinco minutos tem animado a população. É o caso professora de educação física Giuliana Gonçalves, que mora no Guarujá e trabalha em várias cidades da Baixada, incluindo Santos.

"Tem dias que são mais demorados na balsa. Então, eu acredito que esse túnel realmente vai resolver o problema de muita gente", disse à Agência SP, do governo do Estado.

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