A federação partidária formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP), com mais de 100 parlamentares no Congresso Nacional, anunciou nesta terça-feira (2) que filiados detentores de mandatos devem deixar os cargos ocupados no governo federal.
A medida formaliza o desembarque dos partidos da base de apoio do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O anúncio foi feito pelo presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e pelo presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI).
"Informamos a todos os detentores de mandato que devem renunciar a qualquer função que ocupem no governo federal. Em caso de descumprimento desta determinação, se dirigentes desta Federação em seus estados, haverá o afastamento em ato contínuo. Se a permanência persistir, serão adotadas as punições disciplinares previstas no Estatuto", declararam os presidentes dos partidos, em comunicado divulgado pela federação partidária.
Eles ainda encerraram o comunicado alegando que "esta decisão representa um gesto de clareza e de coerência".
"É isso que o povo brasileiro e os eleitores exigem de seus representantes", conclui, a nota.
A decisão de Nogueira e Rueda também foi tomada após reunião com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, onde ficou acertado que haverá também uma defesa pública do PP e do União a projetos que buscam garantir anistia aos condenados pelo 8 de janeiro.
Mas a decisão de afastamento do governo já havia sido divulgada. O objetivo é consolidar uma postura independente e de oposição, com vistas às eleições presidenciais de 2026.
Turismo e Esporte
Com o comunicado oficial desta terça-feira, os ministérios do Turismo e do Esporte deverão ser entregues, mas os atuais titulares das pastas - Celso Sabino, do União Brasil, e André Fufuca, do PP, ainda não anunciaram se pedirão demissão.
Ambos são deputados federais, ou seja, detentores de mandatos filiados aos partidos da federação.
No último sábado (27), o Portal iG
apurou que o ministro do Turismo, Celso Sabino, avaliava deixar o partido em meio a um quadro de desgaste
com a legenda e pressões do governo. Ele relatou que não pretendia abrir mão do cargo na Esplanada.
Dois dias depois, fontes relevaram que ele já havia decidido a permanecer fiel ao União Brasil
e entregar o Ministério do Turismo. Sabino não confirmou e passou o dia trabalhando.
Também é incerta ainda a situação do ministro do Esporte, André Fufuca, do PP do Maranhão. A exemplo de Sanino, ele não se manifestou.
Os ministros vinham defendendo permanecer por mais tempo nos cargos, mas União Brasl e PP consideraram a situação insustentável.
Segundo foram comunicados, se saíssem, ambos seriam expulsos das respectivas siglas.