
Ex-sócios do empresário Igor Ferreira Sauceda , o motorista do Porsche amarelo que matou o motoboy Pedro Kaique Ventura, de 21 anos, na última segunda-feira (29) em São Paulo, afirmam que ele os ofendia após o rompimento da sociedade no bar Beco do Espeto, na Zona Oeste da capital.
Em entrevista ao Fantástico, na TV Globo, os ex-sócios contaram que Igor chegou a chamá-los de “pobres” e “negros”.
Uma das ex-sócias do empresário, Beatriz Silva dos Santos, disse que Igor a ameaçava com frequência. Ela contou que o empresário tem um comportamento agressivo e sempre dizia que iria matar os ex-sócios. As famílias de ambos tinham uma sociedade, mas viraram concorrentes após a família de Beatriz abrir um bar na mesma rua que o estabelecimento de Sauceda.
“Ele ficava debochando da nossa cara: 'Pobres, negros, não vão conquistar nada aqui nesse meio, porque vocês estão em um bairro de rico e pessoas brancas'", relata Beatriz.
Eric Silva dos Santos é irmão de Beatriz e também ex-sócio de Sauceda, e afirmou que o empresário o teria agredido com um soco no rosto em 2021, após uma briga.
Perseguição
Ao Metrópoles, o pai de Eric e Beatriz, Erinaldo Joaquim dos Santos, disse que foi perseguido por Sauceda no dia 20 de julho. Segundo Erinaldo, ele se deparou com o Porsche amarelo de Igor quando voltava para casa com a família, na Avenida das Nações Unidas. Ele contou que Sauceda deu várias “fechadas” no carro dele.
“A gente correu perigo demais. Ele queria me matar”, afirmou Erinaldo. “Ele fechou a gente do mesmo jeito que ele fechou o Kaique. No dia em que ele perseguiu a gente, ele fez esse mesmo caminho. A gente seguiu nosso caminho. Quando a gente não estava esperando, ele apareceu de novo e passou igual uma bala do nosso lado, para provocar”, complementou.
A filha dele, Beatriz, confirmou a história em entrevista à TV Globo. “Ele passava na nossa frente, fazia zigue-zague, jogava o carro, acelerava e imediatamente ele freava na nossa frente. Aí eu entendi que ele estava usando o carro dele como uma arma. Foi mais ou menos de 100, a 150 metros de onde o Pedro Kaique faleceu".
Erinaldo também contou que foi ameaçado de morte pelo pai de Igor, Fernando Sauceda, em 13 de junho. Fernando teria afirmado que Erinaldo seria morto nos "próximos dias".
“A gente virou sócio. Eles abriram o ‘Bequinho do Espeto’, que a gente ajudou na amizade. Era 2014. A prefeitura viu que estava aglomerando muito no meio da rua, fazendo barulho, e decidiu fechar o negócio. Como eu e um amigo tínhamos um estacionamento do lado, a gente fez uma parceria com eles. Primeiro, fizeram a cabeça do meu sócio e passaram a perna em mim. Depois que eles conseguiram o que queriam, passaram a perna no meu sócio também”, lembrou.
Após a repercussão da morte de Pedro Kaique, a família decidiu levar as denúncias à delegacia e pedir a instauração de uma investigação. Daniel Biral, advogado da família, disse que os vídeos comprovam que as ameaças feitas no mês anterior eram reais.
“Fomos à delegacia para dar continuidade ao processo, para que o delegado pudesse instaurar um inquérito. São vídeos que comprovam a ameaça. Passou do campo da ideia, de eles ameaçarem com xingamentos, vociferando contra eles. Eles passaram a perseguir, foi o que aconteceu no dia 20. Isso poderia, de alguma maneira, acabar ocasionando uma violência tamanha que traria prejuízo aos meus clientes”, disse Biral.
Prisão
Igor Sauceda foi preso em flagrante na segunda-feira (29) por homicídio doloso com dolo eventual. A prisão foi convertida em preventiva em audiência de custódia no Fórum da Barra Funda no dia seguinte.



Para a juíza Vivian Brenner de Oliveira, do Tribunal de Justiça de São Paulo, o empresário usou seu carro, um Porsche Cayman amarela, como uma “arma” para perseguir e matar o motociclista.
A magistrada considera que o fato de Saucedo não ter ingerido bebidas alcoólicas “não afasta a gravidade de sua conduta”.
“Pelo contrário, não estando alcoolizado, tomou a decisão clara e consciente de perseguir um motoqueiro desconhecido após este ter danificado o seu retrovisor o que acresce reprovabilidade à sua conduta delitiva e denota o perigo gerado pelo seu estado de liberdade. Necessária, portanto, a decretação da prisão preventiva como forma de acautelar o meio social e socorrer à ordem pública”, escreveu a juíza.
“As imagens são claras e demonstram que o indiciado utilizou o seu veículo como verdadeira arma.”
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