Marcela Portelinha Antunes (de cinza), mãe da menina Raquel, é amparada por parentes na saída do hospital
Reprodução/O Globo - 02.05.2022
Marcela Portelinha Antunes (de cinza), mãe da menina Raquel, é amparada por parentes na saída do hospital

Indignada com erros que custaram a vida da filha. É assim que a dona de casa Marcela Portelinha, mãe de Raquel da Silva Antunes, de 11 anos, morta após ter o corpo imprensado por um carro alegórico , disse estar após saber, nesta sexta-feira, do resultado do laudo da reprodução simulada do acidente, feito por peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, no último dia 22. 

A perícia apontou que uma sucessão de falhas, entre elas a falta de um auxiliar para orientar o motorista no lado direito do conjunto (reboque que estava puxando a alegoria), contribuiu para causar o acidente.

O caso aconteceu durante os desfiles da Série Ouro do Carnaval 2022, na noite do dia 22 de abril último. Na ocasião, o carro alegórico da Escola de Samba Em Cima da Hora era rebocado e, durante a manobra, bateu em um poste, imprensando o corpo da menina. 

Algumas outras causas citadas no documento foram: o não isolamento da via permitindo a circulação desordenada de pessoas durante o deslocamento do veículo, baixa luminosidade,  trecho curvilíneo da rua, realização do acoplamento inadequado do carro alegórico com o reboque e até a localização inadequada de um poste em cima de uma  calçada.

“Estou indignada. Minha filha fez um mês e uma semana de morta. Mexi nesta quinta-feira nas coisas dela, mas ainda não tive coragem de doar nada. Só quero  Justiça. Se tivesse gente fiscalizando, olhando o carro manobrar e orientando, isso não teria acontecido. Tinha muitas crianças em cima do carro alegórico. Muita gente conseguiu sair, mas a Raquel infelizmente não. Desde que tudo aconteceu, mal consigo dormir à noite. Os outros três irmãos da minha filha também sentiram bastante a morte da irmã. Tenho ficado durante este tempo a base de remédios. Agora, só me resta pedir Justiça e acompanhar o caso”, disse a dona de casa.

A reprodução simulada começou às 18h do dia 22 e terminou às 21h30. No laudo, os peritos contaram que quatro pessoas participaram da perícia: um mecânico do carro alegórico, o motorista da alegoria, o condutor do reboque de uma empresa de guindaste e um guia que orientava o condutor na parte da frente do veículo. 

De acordo com os depoimentos dos quatro envolvidos, o carro sofreu um problema mecânico ainda no desfile e teve o sistema hidráulico de direção e de freios comprometidos. As declarações dos homens também revelaram que, no momento do acidente, foram ouvidos gritos de "para" e "olha o poste". Um deles também mencionou ter ouvido alguém dizer "respira, respira", logo após o impacto contra o poste. 

Raquel chegou a ser levada para o Hospital Souza Aguiar, onde passou por uma cirurgia e teve uma perna amputada. Dois dias depois do acidente, a menina não resistiu aos ferimentos e morreu.

Veja Abaixo, as três principais conclusões dos peritos sobre as causas do acidente:

A - ...Dimensões do trecho curvilíneo da pista e do carro alegórico muito próximas, somado ao não isolamento da via, permitindo a circulação desordenada de transeuntes durante o deslocamento do conjunto, bem como o posicionamento irregular do poste colidido sobre a guia da calçada

B- Ausência de auxiliar no setor lateral direito do conjunto para orientar o condutor do caminhão, uma vez que as condições de luminosidade do local não permitiam a visualização através do retrovisor do veículo

C- Realização do acoplamento (reboque) inadequado do carro alegórico através de correntes e parafusos, em desacordo com o preconizado pelo Código de Trânsito Brasileiro.


A Polícia Civil investiga a morte da menina  como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Raquel teria entrado no carro, ao lado de outras crianças, na Rua Frei Caneca. 

Ela teria sido a única que não conseguiu sair do veículo antes da colisão.  Com o resultado da reprodução simulada, a delegada Maria Aparecida Mallet, titular da 6ª DP, deve relatar o caso e enviar o inquérito à justiça.

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