Rquel, de 11 anos, morreu após ser imprensada em post por carro alegórico
Felipe Grinberg/Agência O Globo
Rquel, de 11 anos, morreu após ser imprensada em post por carro alegórico


Adelegada Maria Aparecida Salgado Mallet, titular da 6ª DP (Cidade Nova), tem utilizado a estrutura tecnológica do Gabinete de Comando de Operações Policiais (GCOP) para melhorar a qualidade dos vídeos das câmeras de segurança instaladas na Rua Frei Caneca, no Centro do Rio, é que flagraram a estudante Raquel Antunes da Silva, de 11 anos, sendo imprensada em um poste por um carro alegórico , na noite da última quarta-feira, dia 20. 

O espaço, recém-inaugurado na Secretaria da Polícia Civil, conta com softwares e agentes treinados para, inclusive, aproximar as imagens que auxiliam na elucidação do homicídio culposo que teria sido comedido contra a menina. O corpo da criança foi enterrado nesta sábado, no Cemitério do Catumbi.

De acordo com os vídeos já analisados, Raquel estaria, com outras crianças, em cima do ‘Embarque no famoso 33’, da Em cima da hora, na altura do número 350 da Rua Frei Caneca, por volta de 22h50 da última quarta-feira, dia 20. 

A informação contraria o depoimento prestado na 6ª DP pelo motorista do carro alegórico, cujo nome não foi revelado. Segundo o coordenador de dispersão da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liga-RJ), José Crispim Silva Neto, no entanto, a menina não teria pulado, assim como as demais, a tempo de evitar o acidente e acabou imprensada em um poste.

No depoimento, ao qual O GLOBO teve acesso, José Crispim Silva Neto contou que, antes de Raquel ter sido imprensada, ouviu pessoas gritando “Para o reboque, tem uma menina em cima do queijo” e “Tem criança em cima do carro”. 

Ele relatou ainda que a menina foi a única das cinco crianças que não conseguiu descer a tempo de o carro alegórico da Em cima da hora colidir e chegou a vê-la caída no chão com fraturas expostas nas pernas.

Ele disse ainda que é comum que diversas crianças esperem a passagem de carros alegóricos para subir e tirar fotos. Ele ressaltou que não é sua função guiar o reboque e estava no local tão somente para acompanhá-lo. Socorrida ao posto médico da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) no Sambódromo, Raquel foi encaminhada ao Hospital Municipal Souza Aguiar, também no Centro do Rio, onde chegou a passar por uma cirurgia.

Ela sofreu luxação exposta no tornozelo esquerdo, fraturas expostas dos fêmures e fratura de rádio distal esquerda. Nesta sexta-feira, ela morreu e seu corpo foi enterrado hoje, no Cemitério do Catumbi.

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Nesta sexta-feira, Maria Aparecida Salgado Mallet também determinou a apreensão do ‘Embarque no famoso 33’, que foi levado para um barracão, na Região Portuária, e está a disposição de novas perícias complementares de profissionais do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), que o analisaram e o fotografaram e trabalham para determinar as causas do acidente. 

Na próxima segunda-feira, devem ser ouvidos na delegacia o presidente administrativo da escola de samba e um auxiliar do motorista do reboque que puxava a alegoria.

Segundo o Corpo de Bombeiros, nem o ‘Embarque no famoso 33’, nem os demais carros alegóricos da Série Ouro que desfilaram na primeira noite do carnaval, na Marquês de Sapucaí, foi vistoriado e recebeu autorização do órgão para entrar na Avenida. 

Por três vezes, houve uma tentativa de notificar a Liga para informar que nenhuma das escolas do antigo Grupo de Acesso pediram a vistoria para suas alegorias. Por conta disso, nenhum deles teria autorização para desfilar.

Ainda segundo o Corpo de Bombeiros, a última tentativa aconteceu horas antes de os desfiles começarem, na noite de quarta-feira. Para ontem, apenas quatro das oito escolas solicitaram a vistoria. 

Uma das escolas que não solicitaram o pedido para a análise foi a Em Cima da Hora, agremiação de Cavalcanti, na Zona Norte do Rio. No Grupo Especial, todas as escolas já protocolaram seus documentos, que estão sendo analisados.

O ‘Embarque no famoso 33’ já havia apresentado problemas ainda no desfile: houve dificuldade de movê-lo na concentração e durante o desfile na Sapucaí durante metade da apresentação. Antes de passar pela Avenida, o carro precisou se movimentar ao menos sete vezes até ser posto dentro do sambódromo.

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