Marcela Portelinha Antunes (de cinza), mãe da menina Raquel, é amparada por parentes na saída do hospital
Reprodução/O Globo - 02.05.2022
Marcela Portelinha Antunes (de cinza), mãe da menina Raquel, é amparada por parentes na saída do hospital

Usando o Instagram da filha, Marcela Portelinha se defendeu de críticas na web de que teria responsabilidade na morte de Raquel Antunes da Silva, de 11 anos, que foi imprensada por um carro alegórico, na dispersão da Sapucaí.

"Oi, eu sou uma anjinha, não posso responder por mim, então é minha mãe que está falando com todos vocês. Sou eu, Raquel. Vim dizer que amo todos vocês e estou vendo o sofrimento de vocês por mim. Todos que estão criticando a minha mãe, Marcela, a culpa não é dela. Subi por conta própria. Não tenho muito tempo para falar. Mãe, eu te amo. Seja forte e corajosa. Não temas e não desanime. Sou teu Deus", diz o texto publicado no Instagram de Raquel.

Marcela prestou depoimento no dia 25 de abril na 6ª DP (Cidade Nova), que investiga o caso . Ela chegou à delegacia chorando, pouco depois de 13h, amparada por outras três mulheres, e deixou o local por volta de 15h40, por uma porta lateral e sem falar com jornalistas.

As investigações ainda estão em andamento. A Polícia Civil investiga o fato como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A delegada Maria Aparecida Mallet, titular da 6ª DP, disse que vai comparar as imagens de um vídeo que flagrou o momento do acidente com os depoimentos de um motorista da alegoria e de uma guia do carro, que manobrava na Rua Frei Caneca, na área externa do setor de dispersão.

O caso

O acidente com Raquel da Silva ocorreu por volta das 22h50, no momento da dispersão do carro alegórico da escola Em Cima da Hora, na Rua Frei Caneca, no Estácio, próximo ao número 350, já fora do Sambódromo, na última quarta-feira, dia 20. A menina, que sofreu luxações e fraturas expostas, chegou a ser operada durante oito horas no Hospital Municipal Souza Aguiar, precisando amputar a perna direita, mas acabou não resistindo aos ferimentos e morreu.

A Polícia Civil apreendeu o carro alegórico dois dias depois do acidente, na penúltima sexta-feira. Com o intuito de determinar as causas do acidente, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) analisaram e fotografaram a composição, que segue à disposição das autoridades para novas perícias complementares.

Antes do acidente com Raquel,  o carro alegórico já havia apresentado problemas ainda no desfile: houve dificuldade de movê-lo na concentração e durante a passagem pela Sapucaí na metade da apresentação. O carro também precisou se movimentar ao menos sete vezes até ser posto dentro do Sambódromo.

Outros depoimentos

Em depoimento prestado também na 6ª DP, o motorista José Crispim Silva Neto, coordenador de dispersão da Liga-RJ, entidade que coordena a Série Ouro do carnaval carioca, contou que, antes de Raquel ter sido imprensada, ouviu pessoas gritando para parar o reboque, porque havia "uma menina em cima do queijo", e também um aviso de que "tem criança em cima do carro". Ele relatou ainda que a menina foi a única das cinco crianças que não conseguiu descer a tempo de o carro alegórico da Em Cima da Hora colidir que e chegou a vê-la caída no chão, com fraturas expostas nas pernas.

No depoimento, José Crispim Silva Neto contou que, por volta de 22h50, estava caminhando pela Rua Frei Caneca ao lado esquerdo do reboque que estava puxando o carro alegórico da Em Cima da Hora. Ao ouvir os gritos, ele afirmou que a alegoria estava devagar e logo parou. As outras quatro crianças então desceram do carro, mas Raquel não teria conseguido, sendo imprensada contra o poste.

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