Carnaval do Rio de Janeiro
Alexandre Macieira/ Riotur
Carnaval do Rio de Janeiro

O Comitê Científico de Enfrentamento à Covid-19 (CEEC), grupo de especialistas que orienta a  prefeitura do Rio sobre a pandemia, recomendou que, nas condições atuais, a capital não deve estabelecer qualquer restrição ao carnaval do ano que vem.

A decisão abre caminho para o ziriguidum não só no Sambódromo, como também nas ruas da cidade. Na semana passada, o prefeito Eduardo Paes havia deixado foliões em suspense ao dizer que apenas os desfiles da Sapucaí estavam confirmados, enquanto a autorização para os blocos dependia de análise.

Agora, com as novas indicações do comitê, a Riotur anunciou, inclusive, que na próxima segunda-feira libera a lista dos cortejos autorizados a tomar as ruas.

A recomendação que, por enquanto, abre alas aos desfiles foi dada numa reunião ordinária do comitê na última segunda-feira. “O CEEC, fundamentado no cenário epidemiológico favorável (números de casos e internados e percentual de positividade de testes) e com 80% de cobertura vacinal, na análise dos dados de todos os eventos com aglomeração no país e no Rio de Janeiro, e sustentado pelas evidências científicas disponíveis, recomenda à Secretaria municipal de Saúde que não estabeleça, nesse momento, qualquer restrição à realização do carnaval carioca”, afirma o documento do comitê.

Os especialistas orientaram ainda “que todo o processo de monitoramento do cenário epidemiológico deve ser mantido em vigilância”. Já o prefeito, após o anúncio, foi às redes sociais para reforçar que a decisão leva em consideração o "cenário atual" da pandemia.

A mudança de rumos, porém, não desobrigará o cumprimento de normas sanitárias. Se o carnaval fosse hoje, a apresentação do passaporte de vacinação seria obrigatório tanto para componentes das escolas quanto para o público na Sapucaí.

O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, no entanto, diz que o comitê recomenda que os blocos de rua poderão sair sem qualquer medida sanitária adicional, valendo as regras atuais.

"Hoje, não são exigidas máscaras em ambientes abertos. E blocos desfilam na rua", argumentou o secretário.

Soranz lembra que há 17 semanas os índices da Covid-19 no Rio estão em queda, com 19 pessoas internadas na cidade devido a complicações da doença. Além disso, ele diz não haver evidência, até agora, de casos graves provocados pela variante Ômicron em quem foi imunizado há menos de seis meses. A maior parte da população, ressalta Soranz, completou o ciclo antes desse prazo.

"Temos 99,9% da população da cidade protegida com a primeira dose e 80% da população total com a segunda dose. Além disso, 25% já tomaram a dose de reforço, ampliando essa proteção", alegou o secretário.

O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Perlingeiro, diz esperar que, com o avanço da vacinação até fevereiro, sequer haja necessidade de exigências mais restritivas no carnaval. No entanto, ele ratifica medidas que pretende pôr em prática para tentar evitar que componentes das escolas entrem na Sapucaí sem proteção:

"Vamos orientar as escolas para que só entreguem as fantasias mediante a apresentação pelo componente do comprovante da vacina. Essa orientação também valerá para as alas comerciais (que vendem fantasias ao público em geral)."

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Liga de blocos otimista

À frente da Associação Independente de Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro da Cidade (Sebastiana), Rita Fernandes diz que, se o carnaval fosse hoje e o comitê aprovasse o desfile nas ruas, os blocos da Sebastiana desfilariam:

"Nós confiamos absolutamente no comitê. Quem define as regras que vamos seguir são eles. Temos que comemorar esse avanço positivo que o país está tendo perante a Covid-19. É uma ótima notícia. Ficamos super felizes."

Segundo Rita, até o dia 20 de janeiro, é possível aguardar um posicionamento definitivo do governo do estado e da prefeitura para o desfile, mas parte das contratações já está encaminhada:

"Já agilizamos a documentação dos blocos e estamos contratando equipes de ritmistas e carros de som. Caso haja alguma mudança, vamos cancelar. E volto a dizer: vamos pensar no plano B, com festas fechadas ou apresentações, mas jamais será carnaval de rua."

Presidente do Bola Preta, mais tradicional agremiação do carnaval de rua do Rio, Pedro Ernesto Marinho, diz que tem a mesma posição: seguir as orientações da comunidade científica.

"Com a decisão do comitê científico, vamos sair. O problema agora é buscar patrocinadores, porque todo mundo estava à espera de uma posição oficial. Estamos com a sede no Centro fechada desde 26 de fevereiro de 2020, sem gerar receitas. Com isso, não temos recursos, neste momento, para promover o desfile (no sábado de carnaval, pela Avenida Presidente Antônio Carlos)", disse Pedro Ernesto.

Ele calcula precisar de R$ 300 mil para botar o Bola Preta na rua. Esses recursos são destinados ao pagamento de cinco trios elétricos, 200 seguranças, entre outros itens.


Aval do estado pendente

A recomendação do comitê científico da capital, no entanto, não é soberana. O governador Cláudio Castro afirmou que vai bater o martelo sobre a realização do carnaval até o dia 15 de janeiro, quando está previsto o início dos ensaios técnicos das escolas de samba na Sapucaí. Até lá, de acordo com Castro, o governo monitora os índices de contaminação da variante Ômicron da Covid-19 e da influenza, que vem registrando queda nos números de casos nas últimas semanas.

Enquanto isso, os 506 blocos do Rio que apresentam 620 pedidos de desfiles à Riotur esperam a divulgação da lista na próxima semana. Depois dessa etapa, eles vão precisar do aval da PM e do Corpo de Bombeiros.

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