Dominghetti vendeu vacinas mesmo após suposto pedido de propina, diz rádio
Divulgação/Agência Senado/Edilson Rodrigues
Dominghetti vendeu vacinas mesmo após suposto pedido de propina, diz rádio

Áudios em posse da CPI da Covid e revelados, na noite desta sexta-feira (9), pela rádio CBN mostram que o representante da Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominghetti, continuou negociando doses da vacina Astrazeneca com o Ministério da Saúde mesmo depois do suposto pedido de propina feito por Roberto Dias, então diretor de logística da pasta. Luiz Dominguetti, inclusive, propôs aumentar oferta de 400 para 600 milhões de doses.

As novas provas contrariam a versão apresentada por Dominghetti à CPI da Covid. Na ocasião de seu depoimento, ele afirmou que assim que recebeu o suposto pedido de propina, teria encerrado as negociações com a pasta.

Segundo a reportagem da CBN, Dominghetti, na verdade, saiu do encontro com os representantes do Ministério da Saúde muito animado e enviou um áudio para Rafael Alves, que também se apresenta como representante da Davati, dizendo que a compra estava concretizada.

"Ninguém está tão dentro do Ministério como a gente. Ninguém chegou onde a gente chegou. A compra pelo Ministério já aconteceu". Dominghetti chegou a propor para Alves ainda aumentar a oferta para 600 milhões de doses das vacinas, mas Alves disse que não seria possível enviar um pedido superior à população do país.

O policial também trocou mensagens com o coronel Marcelo Blanco, ex-assessor do departamento de Logística do Ministério da Saúde, depois da reunião em que houve o suposto pedido de propina, e pediu ajuda para fechar o negócio.

Em abril, a AstraZeneca negou que a Davati Medical Supply fosse representante do laboratório. Membros da CPI da Covid desconfiam que as 400 milhões de doses nunca existiram.

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