Policiais no bairro do Jacarezinho durante operação Exceptis
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Policiais no bairro do Jacarezinho durante operação Exceptis

RIO — Após a polícia garantir que não houve execuções de suspeitos na operação do Jacarezinho — em respostas durante a primeira entrevista coletiva sobre o caso — o secretário de Polícia Civil, Allan Turnowski, agora afirmou que é necessário aguardar as investigações antes de se tomar "conclusões precipitadas" e prometeu "transparência absoluta", com apoio do Ministério Público do Rio, na apuração.

Em entrevista ao RJTV, da TV Globo, o secretário voltou a defender a ação policial, por entender que o confronto partiu de traficantes e que se tratava de uma situação excepcional, como determina a decisão do STF para permissão de operações em comunidades atualmente. Além disso, explicou ser a favor de uma política de ocupação de territórios, como era no período de UPP, mas que a decisão depende do governador.

Houve execução?

Questionado sobre se houve execuções, como acusam parentes dos mortos e instituições de defesa dos direitos humanos e a OAB, que citam até assassinatos após suspeitos estarem rendidos, o secretário disse que a resposta será dada pelas investigações.

Durante a entrevista, ele foi questionado mais de uma vez sobre as declarações, na primeira coletiva sobre o caso, que garantiam que a única execução na operação teria sido do policial morto. Turnowski confirmou as respostas, mas disse que não foram dadas por ele. Na coletiva, o subsecretário Rodrigo Oliveira e os delegados Felipe Curi e Fabricio Oliveira, que acompanharam Turnowski na ocasião, negaram as acusações de execução.

O secretário afirmou não possuir elementos para acreditar em execução.

— Quando a polícia entra dentro de ambiente confinado, e foram várias casas segundo noticiado, o traficante tem duas opções: ou faz a família de refém ou se esconde para ir para o confronto. As marcas que vi na televisão foram de confronto, não houve família refém ou negociação, então a princípio tenho nada de concreto que me leve a execução. Porém MP desde o início está com a Policia Civil, acompanhou os exames dos corpos, criou fora tarefa, então a transparência será absoluta. Mas não podemos concluir antes de apurar.

A investigação será isenta?

Turnowski respondeu sobre as garantias de isenção sobre a investigaçao, principalmente considerando que, nos primeiros depoimentos à imprensa, representantes da Polícia Civil já afirmavam que nao houve execução. Fato que , segundo o próprio Turnoswski, só pode ser esclarecido com a devida investigação.

— A investigação que vai levar se houve ou não execução, assim como dizer se houve eventual chacina ou massacre. Julgaram antes da investigação. Com relação às testemunhas, uma disse que seu filho foi morto a facadas, e o exame não deu isso. Outra outra disse que o companheiro foi comprar pão, e que era trabalhador, mas vimos que eram traficantes fortemente armados, com prova contra todos eles. — disse o secretário, que defendeu a legalidade da operação diante da decisão do STF. — Hoje a gente chegou a um protocolo de atuação, de comunicar o MP e acompanhar a investigação. Não é excepcional um traficante numa laje entrando em casa de morador? tiro na cabeça de policial? granadas dentro do Jacarezinho? Polícia trabalhou dentro da legalidade.

Força-Tarefa do Ministério Público

Nesta terça, o Ministério Público do Rio anunciou a criação de uma força-tarefa para acompanhas as investigações da Polícia Civil sobre o caso. Logo após o anúncio, Turnowski elogiou a iniciativa, em entrevista à TV Globo.

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— É um apoio necessário. Precisamos de controle externo do MP para que as conclusões cheguem com confiança para a população — disse o secretário, que defendeu a operação, que terminou em 28 mortos. — A reação da polícia depende da ação do criminoso. Traficantes do Jacarezinho atiravam para matar policial, no início da operação balearam um policial na cabeça. Hoje é uma luta do estado contra facção criminosa.

'Todos os corpos foram periciados'

O secretário também foi questionado sobre a acusaçao de ausência de perícia em todos os corpos de mortos durante a operação, o que ele negou. Além disso, a retirada de corpos antes da perícia no local, como denunciado por moradores, não prejudicaria o trabalho de investigação sobre a cena do crime, defendeu Turnowski.

Como noticiou O GLOBO, registros de ocorrência mostram que 24 dos 27 corpos de suspeitos foram removidos sem perícia no local. Pelos registros, tambem é possível identificar que as mortes aconteceram em pelo menos dez pontos da favela. Não há, porém, informações sobre perícia em muitos dos locais.

— Todos os corpos foram periciados. Dentro de uma comunidade sob tiro, o policial tem que preservara vida dele em primeiro lugar. Vamos imaginar que alguém atropelou uma pessoa e fugiu com o carro. Não posso fazer a perícia sem o carro? Consigo. É mesma coisa na comunidade. Vai dar para pericias pela parede, a troca de tiro, o local onde se encontrou o corpo. Tudo faz parte da investigação — explicou ele, que citou episódio de uma perita que teria sido alvo de tiros durante o trabalho na comunidade, mas foi protegida pelo CORE.

As operações garantem segurança à sociedade?

Em uma pergunta enviada pelo presidente da ONG Rio de Paz, Antonio Carlos Costa, o secretario respondeu sobre as garantias que ações polícias dão de segurança para a sociedade e sobre qual a melhor política de segurança para o estado.

— Garanto que o Rio está muito mais seguro sem esses 27 criminosos neutralizados. Sobre a política de segurança, operações fazem com que esses agentes criminosos não sejam exemplo para criança. Acreditamos na polícia de segurança, até de ocupação, mas sempre com a polícia na frente. Não há como conviver cidadão da comunidade, o traficante e a polícia. Ou é o traficante ou a polícia.

Volta de ocupaçao de territórios

Sobre uma política de segurança para o estado, Turnowski se posicionou a favor do retorno de um projeto de ocupação de territórios conflagrados, como era no período de UPP, apesar de suas críticas sobre o aviso prévio das operações, o que resultava na migração dos traficantes para outras regiões do estado.

—- Ocupação de território sou a favor. Com policia e depois entram os serviços. Está sendo estudado e pode voltar, mas é decisão do governador.

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