João Alberto foi espancado e morto por dois seguranças brancos em um Carrefour de Porto Alegre
Reprodução
João Alberto foi espancado e morto por dois seguranças brancos em um Carrefour de Porto Alegre

A justiça do Rio Grande do Sul acatou a  denúncia feita pelo Ministério Público e seis pessoas envolvidas na morte de João Alberto Silveira Freitas, o Beto Freitas , viraram réus na última sexta-feira (18). Eles responderão por homicídio com dolo eventual e triplamente qualificado: motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Já os pedidos de prisão de Rafael Rezende e Kleiton Silva Santos, funcionários da loja, e de Paulo Francisco da Silva, que atuava na empresa de segurança terceirizada Vector, foram negados. No entanto, eles seguem respondendo por homicídio triplamente qualificado. A juíza da 2ª Vara do Júri de Porto Alegre, Cristiane Busatto Zardo, considerou que os três desempenharam participação de menor importância no homicídio , e, por não terem antecentes criminais, possuírem emprego e residência fixos, "não representam risco à instrução criminal e nem demonstram risco de se evadirem ao processo, ao menos, não até agora".

A defesa de Paulo Francisco da Silva entende que a decisão foi acertada quanto ao indeferimento da representação pela prisão preventiva, "posto que Paulo Francisco não teve qualquer participação no acontecimento". A defesa informou ao site G1 que vai utilizar dos meios legais para que a denúncia contra Paulo seja rejeitada, a fim de que ele não responda ao processo.

Já a fiscal da loja, Adriana Alves Dutra, que acompanhou os seguranças enquanto eles agrediam João Alberto , recebeu prisão domiciliar, porque sua defesa comprovou por meio de exames e laudos um quadro de doença nefrológica severa e crônica.

Você viu?

A juíza reconhece que Adriana teve participação direta na morte, pois aparece em imagens acompanhando as agressões e chamando os demais denunciados por rádio. A fiscal também poderia ter agido para interromper as agressões, o que não fez, entende a delegada Roberta Bertoldo, que conduziu a investigação.

O advogado Pedro Catão, que representa Adriana Alves Dutra, disse que a conversão em prisão domiciliar foi uma "medida sensata diante dos vários problemas de saúde" apresentados pela fiscal. Ela ainda não foi transferida para domicílio, segundo o defensor, por trâmites burocráticos.

Os dois seguranças, Giovane Gaspar da Silva e Magno Braz Borges , seguem presos. O advogado de Magno, Jairo Luis Cutinski diz que "a defesa nada tem a dizer ou acrescentar" e que "aguarda a citação com abertura de prazo para as providencias decorrentes".

Beto Freitas, homem negro de 40 anos, foi espancado até a morte por seguranças brancos de uma unidade do Carrefour na capital gaúcha no dia 19 de novembro, véspera do Dia da Consciência Negra. Sua morte completa um mês neste sábado.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários