João Alberto foi morto por dois homens brancos no Carrefour
reprodução / Twitter
João Alberto foi morto por dois homens brancos no Carrefour

A certidão de óbito de João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, aponta que ele foi morto por asfixia. A informação é da delegada Nadine Farias Alfor, chefe da Polícia do Rio Grande do Sul, que ainda aguarda os laudos que vão detalhar como o homem foi morto nas dependências de uma loja do Carrefour em Porto Alegre . Conhecido como Nego Beto, ele foiespancado por dois seguranças do supermercado por quase 10 minutos.

Segundo Nadine, os dois seguranças foram presos em flagrante e vão responder por homicídio triplamente qualificado, com dolo eventual. A asfixia é uma das três qualificadoras. As outras duas são motivo fútil e uso de recursos que impossibilitaram a defesa da vítima.

A delegada não descarta que o crime tenha sido cometido por racismo, mas afirma que ainda é preciso ouvir todos os envolvidos para que a polícia chegue a uma conclusão.

- Racismo existe, discriminação existe, preconceito existe. Existe o racismo estrutural e o racismo no momento da ação. Temos imagens, mas não temos sons para ouvir o que foi conversado. Não descartamos nenhuma hipótese - diz Nadine, acrescentando que ainda é precipitado tirar conclusões e que o inquérito tem 10 dias para ser concluído.

Os dois seguranças presos não tinham antecedentes criminais. Um deles é policial militar temporário e trabalha na área administrativa. também será ouvida uma mulher que acompanha as agressões a João Alberto e que também é funcionária do Carrefour ou da empresa de segurança terceirizada, a Vector.

- A investigação vai analisar e detalhar a conduta e a participação de cada um - diz ela.

Imagens fortes:

João Alberto Silveira Freitas
Divulgação
João Alberto Silveira Freitas, homem negro assassinado por segurança e PM em unidade do Carrefour em Porto Alegre

Nadine afirma que algumas imagens mostram que João Alberto teria empurrado ou dado um soco num dos seguranças ao sair do supermercado. Não se sabe, porém, o motivo. Outras imagens mostram que os seguranças usaram joelhos nas costas da vítima para imobilizá-la.

- A apuração vai mostrar a dinâmica dos fatos, mas é fato que houve uma desproporcionalidade na reação dos seguranças - diz a delegada.

Segundo Nadine, a morte de João Alberto não poderá ser em vão e é preciso buscar uma mudança cultural que combata os diversos tipos de intolerância. O Rio Grande do Sul, afirmou, está prestes a inaugurar a primeira delegacia especializada em crimes de intolerância.

- Temos que buscar uma mudança cultural e, ao mesmo tempo, apontar a autoria dos crimes para que possam ser punidos de acordo com a lei - afirma.

Os dois seguranças seguem presos. A Polícia Civil pediu a prisão preventiva, mas a Justiça ainda não se pronunciou.


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