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Vídeo divulgado pelo "The Intercept" mostra trechos da audiência em que Mariana é atacada por Claudio Gastão da Rosa Filho, advogado de André Aranha.

O Ministério Público de Santa Catarina vai pedir ao Judiciário que retire o sigilo do  depoimento da influenciadora Mari Ferrer, cujo vídeo causou revolta após ser divulgado nesta terça-feira.

A intenção do órgão é mostrar que os trechos que circulam na internet foram editados, cortando as intervenções do juiz Rudson Marcos e do promotor Thiago Carriço de Oliveira para que o advogado de defesa, Cláudio Gastão da Rosa Filho, interrompesse os ataques à jovem.

Mariana Borges Ferreira foi agredida verbalmente e humilhada pelo advogado que representava o empresário André de Camargo Aranha — acusado de tê-la dopado e estuprado em uma boate em Florianópolis em dezembro de 2018 e absolvido pela Justiça catarinense em setembro deste ano, em primeira instância.

No vídeo revelado nesta terça pelo site Intercept, Rosa Filho apresenta cópias de fotos consideradas sensuais tiradas pela jovem enquanto modelo profissional. Ele define as poses como “ginecológicas” e afirma, em tom agressivo, que jamais teria uma filha “no nível de Mariana”.

Em outro momento, repreende o choro da jovem: “Não adianta vir com esse teu choro dissimulado. Falso. Essa lágrima de crocodilo”. E a acusa de "ganhar a vida com a desgraça dos outros”.

Mariana tenta se defender e pede que o advogado se atenha aos fatos em julgamento. No trecho publicado, o juiz Rudson Marcos só interfere para perguntar se Mariana precisa tomar água para se recompor e diz que poderia suspender a audiência.

Entre lágrimas, ela pede ao juiz respeito: “Eu só estou pedindo respeito, doutor. Excelentíssimo, eu estou implorando por respeito, no mínimo. Nem os acusados de assassinato são tratados da forma como estou sendo tratada, pelo amor de Deus. O que é isso?”.

As imagens geraram revolta e foram comparadas a "tortura pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e pelo conselheiro da Corregedoria Nacional de Justiça Henrique Ávila.

O Ministério Público considera que a os trechos, da forma que foram editados, presta um desserviço ao mostrar Mari Ferrer sem nenhuma proteção às acusações do advogado, inibindo que outras vítimas procurem a Justiça em casos de estupro.

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