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As imagens mostram os policiais rendendo um homem e apontando arma para outro, além das agressões à comerciante


O policial militar, flagrado em vídeo pisando no pescoço e arrastando uma mulher negra de 51 anos em São Paulo, é investigado criminalmente por eventual abuso de autoridade , em inquérito aberto na 25º delegacia de polícia de Parelheiros, na zona sul da cidade, onde a abordagem aconteceu. A defesa da comerciante busca agora que o oficial também responda por lesão corporal e tentativa de homicídio .


A documentação de abertura do inquérito cita dois policiais envolvidos na ação como investigados por crime de abuso de autoridade, em que há constrangimento do preso ou detento "mediante violência, grave ameaça ou redução de sua capacidade deresistência".

A vítima das agressões deve ser ouvida nesta sexta-feira, 17, no inquérito. Segundo seu advogado, Felipe Pires Morandini, ao pisar no pescoço da mulher ooficial assumiu o risco de matá-la . Em uma das cenas, o policial pode ser visto tirando um dos pés do chão e colocando todo o peso do corpo sob o pescoço da mulher, já rendida no asfalto. Também arrasta-a até o meio-fio.

"Na instauração do inquérito consta apenas o abuso de autoridade. No entanto, me manifestarei pela inclusão destes crimes também. De todo modo, oque realmente importa é que, quando o inquérito for finalizado, o promotor os denuncie por estes crimes", disse o advogado.

O caso gerou comoção e revolta após o programa "Fantástico", daTV Globo, exibir no último domingo as cenas da agressão. No dia seguinte, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), declarou em coletiva que "assistiu estupefato às cenas" e solicitou que os policiais envolvidos na abordagem respondam criminalmente , além do inquérito criado pela própria Polícia Militar para apurar as irregularidades no caso.

A comerciante se recupera de uma cirurgia na tíbia na perna fraturada durante a abordagem e ainda não consegue andar . Ela declarou que teme por sua segurança e de sua família após denunciar o caso, mas quer justiça.

"Não me sinto segura. Eu tenho filhos e netos, como vai ser minha vida daqui pra frente? Será que esse policial não vai aparecer no meu bairro um dia? Mas, ao mesmo tempo, eu me julgo corajosa. Alguém tinha que fazer alguma coisa ", afirmou nesta terça-feira (14) à revista ÉPOCA.

O caso

A mulher possui um bar na região de Parelheiros, zona sul de São Paulo, e foi abordada por policiais às 13h do sábado, 30 de maio, após denúncias de que um carro com som alto estaria em frente ao comércio, incomodando a vizinhança. As imagens mostram os policiais rendendo um homem e apontando arma para outro, além das agressões à comerciante. Segundo ela, as agressões contra ela começaram após tentar defender o dono do carro, que era rendido pela polícia.

Os PMs envolvidos no caso afirmam que foram atacados por uma barra de ferro durante a abordagem e registraram boletim de ocorrência por desacato, desobediência, resistência e lesão corporal.

A comerciante, de 51 anos, ficou presa na 101º DP de São Paulo durante um dia após a abordagem, com a perna fraturada e lesões no rosto e corpo, e afirma que não foi ouvida pela delegada responsável. Agora, responde às quatro denúncias dos oficiais em outro inquérito.

A Secretaria de Segurança Pública afirmou, em nota, que os oficias foram afastados das ruas ainda no dia 30 de maio e que "não compactua com desvios deconduta de seus agentes e apura rigorosamente todas as denúncias".

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