sara winter
Reprodução/Instagram
Grupo, que contava com a presença da ativista Sara Winter, usava máscaras e carregava tochas

A Polícia Federal realizou nesta segunda-feira (15) uma operação para prender integrantes de um grupo bolsonarista radical que tem liderado manifestações antidemocráticas em Brasília. A extremista Sara Fernanda Giromini, que usa o pseudônimo de Sara Winter, foi presa de manhã e outras cinco lideranças do grupo “300 do Brasil” foram alvos de mandados de prisão, mas não tinham sido encontrados até o fim da noite.

Leia também:

A defesa de Sara alega que a cliente foi alvo de uma “prisão política” . Em depoimento, a extremista negou ter participado do ato em que fogos de artifício foram disparados na direção da sede do Supremo Tribunal Federal (STF), no último sábado, dia 13. Sobre a manifestação realizada em 30 de maio, quando participantes com os rostos cobertos marcharam até a sede do STF carregando tochas, ela afirmou ter sido um protesto pacífico e baseado numa passagem bíblica.

As prisões temporárias, que têm duração de cinco dias, foram decretadas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes atendendo a um pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras. O chefe da PGR solicitou ainda em abril a abertura de inquérito para apurar a organização dos atos. Segundo a PGR, os pedidos de prisão foram apresentados por terem sido encontrados indícios de que os alvos estavam captando recursos financeiros para cometer crimes previstos na Lei de Segurança Nacional.

Sara é uma das líderes do movimento, que havia montado um acampamento na Esplanada dos Ministérios, que foi desmantelado pela Polícia Militar no sábado. No mesmo dia, eles tentaram invadir o Congresso Nacional, sem sucesso. À noite, o grupo fez ato disparando fogos de artifício em direção ao Supremo.

Sara também é investigada no inquérito das fake news, sob suspeita de ameaça aos ministros do STF, e foi alvo de busca e apreensão em 27 de maio. Em vídeo, ela ameaçou Alexandre de Moraes, que é o relator do caso no Supremo.

Sara é alvo também de uma investigação por improbidade administrativa por suspeita de irregularidade na utilização de R$ 25 mil recebidos por ela do fundo eleitoral em 2018, quando se candidatou a deputada federal no Rio pelo DEM, mas não conseguiu se eleger. O partido a expulsou no início do mês, alegando que as atitude de Sara são contrárias aos padrões éticos e aos princípios do partido, de acordo com o presidente nacional da sigla, ACM Neto.

Trabalhou em ministério com Damares

Desde que não conseguiu ser eleita deputada, Sara aposta na radicalização nas redes sociais, onde diz andar escoltada por seguranças armados e defende que ministros do STF “sejam removidos pela lei ou pelas mãos do povo”. Ela também costuma publicar fotos segurando armas. Entre abril e outubro de 2019, atuou como coordenadora-geral de Atenção Integral à Gestante e à Maternidade do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, por indicação da ministra Damares Alves.

Ao deixar a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde Sara está presa, a defesa da extremista disse que ela foi alvo de uma “prisão política”. " Sabemos que isso foi uma prisão política . A princípio, são cinco dias de prisão preventiva, mas nós, como defesa, estamos entrando com habeas corpus", disse a advogada Renata Félix.

Em depoimento à Polícia Federal, Sara buscou se descolar da autoria de atos antidemocráticos e negou que a atuação do grupo 300 do Brasil seja financiada pelo governo. Segundo ela, o grupo apoia o presidente Jair Bolsonaro, mas não recebe suporte de partido político nem de governos. A prisão de Sara foi efetuada como parte de um inquérito aberto no Supremo STF a pedido da Procuradoria-Geral da República no fim de abril. O objetivo da investigação é apurar os indícios de que o grupo organiza e capta recursos para atos antidemocráticos, enquadrados na Lei de Segurança Nacional.

Sobre a manifestação do dia 30 de maio, que foi comparada nas redes sociais às ações do grupo supremacista branco dos EUA Ku Klux Klan , Sara disse no depoimento, segundo o site G1, que “realizou o ato das tochas há duas semanas, mas ato pacífico, sem depredação do patrimônio público, com Corpo de Bombeiros e extintores, que inclusive pediram permissão à Polícia Militar para acender a tocha; que o ato foi baseado na passagem da Bíblia , no Livro de Juízes, capitulo 7, versículo 16, e foi um ato político e religioso”, relata o texto do depoimento.

    Veja Também

      Mostrar mais