Basear a reabertura das atividades econômicas em São Paulo com base apenas em vagas de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) pode jogar por água abaixo os esforços feitos durante as medidas de isolamento social. É o que afirma um grupo de cientistas que estuda indicadores da pandemia em São Paulo. 

Aumento do número de pessoas nas ruas aumentar curva de contágio
Ananda Migliano/Ofotografico/Agencia O Globo
Aumento do número de pessoas nas ruas aumentar curva de contágio

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O Plano São Paulo, elaborado pelo governo do Estado, definiu os critérios de flexibilização conforme o risco cada região de saúde do estado . A capital foi separada da região metropolitana e autorizada a iniciar a retomada das atividades.

O critério principal utilizado foi a taxa de ocupação de leitos de UTI entre 61% e 70%. Ontem (7), a taxa na cidade de São Paulo foi de 67%, de acordo com a prefeitura.

Os pesquisadores concordam com dois indicadores escolhidos para definir a posição de cada região do estado no Plano São Paulo: a capacidade do sistema de saúde e a evolução da pandemia no local. No entanto, questionam o fato de esses fatores serem analisados isoladamente .

A análise foi publicada em nota técnica assinada pelos membros das plataformas Covid-19 Brasil e Ação Covid-19, que reúnem especialistas de várias universidades, e elaborada em conjunto com especialistas do Laboratório de Saúde Coletiva da Unifesp e da Faculdade de Medicina da USP.

Eles reprovam a decisão do governo João Doria (PSDB), que permitiu que a capital paulista conseguisse peso 3 no indicador taxa de ocupação de leitos UTI e fosse para a faixa laranja. Sendo assim, a capital reabriu escritórios e concessionárias de veículos . Além disso, shoppings e comércios poderão reabrir em breve.

O documento reuniu estudo feito pela plataforma Ação Covid-19, da UFABC (Universidade Federal do ABC), que aponta que poderá ser desastrosa a abertura do comércio em São Paulo.

Segundo a pesquisa, caso as taxas de isolamento social caiam para 20%, a curva de contaminação pode crescer por 20 dias consecutivos e a velocidade da pandemia retornar, em pouco tempo, ao quadro que havia no início da quarentena.

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