rio de janeiro
Guito Moreto / Agência O Globo
Segundo professor, Rio, Manaus e Fortaleza podem precisar recorrer a lockdown


Em cidades onde o sistema de saúde recebe demanda alta de pacientes infectados pela Covid-19 e com a maior parte dos leitos de UTIs ocupados, como no caso de Rio de Janeiro, Fortaleza e Manaus, talvez a melhor opção seja adotar o lockdown . O sistema diz respeito à paralisação total das atividades. Quem faz a sugestão é Mario Scheffer, professor de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

No estado do Maranhão, por exemplo, a medida já será adotada. Por decreto do governador Flávio Dino (PC do B), a paralisação total no estado começa na próxima semana. O Maranhão é o sexto estado com maior número de infecções no Brasil: são 2.804 casos confirmados e 409 mortes.

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Todo estado de Fortaleza está em situação grave. Com 5.826 casos confirmados e 355 mortes, a Secretaria Estadual de Saúde já divulgou que há ocupação completa dos leitos de UTI. No Amazonas, Manaus corresponde a 64% dos 4.801 casos (número divulgado ontem, 29) e tem 96% dos leitos ocupados.

No Rio de Janeiro , diversas pessoas doentes, além dos infectados pela Covid-19 , estão espalhadas por 85% de leitos no estado. Segundo Scheffer, o estado de São Paulo, epicentro da doença no Brasil, também deve ficar atento aos números e cogitar a necessidade de também implementar o lockdown.

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Consequências

Apesar de ser uma medida drástica, o professor afirma que, em países que optaram por diminuir o máximo possível de atividades, o nível de redução da curva tornou possível que o sistema de saúde se salvasse do colapso. Em países como Argentina, Espanha, Índia e Itália, até as fronteiras foram fechadas.

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"É o caminho oposto do relaxamento proposto pelo governo federal. Essa é uma estratégia extrema e só deve ser adotada em situação de colapso de hospitais públicos e privados e aceleração de casos e óbitos", explica Scheffer. Ele diz ainda que o lockdown deve durar o mínimo de tempo possível, já que “a paralisação vai penalizar ainda mais os pobres, trabalhadores informais, as periferias, com dificuldade extrema de aderir à quarentena”.

Para evitar que isso aconteça, é necessário que o governo federal invista em medidas que protejam social e economicamente esses grupos.

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