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Uma grande rebelião deixou 57 mortos no Centro de Recuperação Regional de Altamira, no Pará; o massacre não é inédito na história do Brasil

presos em Altamira arrow-options
Reprodução
Rebelião em Altamira deixou 57 presos mortos

Na última segunda-feira (29), uma rebelião no Centro de Recuperação Regional de Altamira, no Pará, deixou 57 detentos mortos . Alguns presos foram decapitados e outros morreram asfixiados em uma disputa de facções criminosas pelo controle de uma importante rota do tráfico de drogas.

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Os massacres em presídios não são novidade na história do Brasil, mas têm se tornado mais frequentes nos últimos anos. De 2017 para cá, o País já registrou mais de cinco grandes rebeliões, contabilizando cerca de 200 mortos.

Os motivos mais comuns para as revoltas geralmente são disputas de facções ou reivindicação de melhores condições dentro dos presídios. O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, com mais de 700 mil presos e uma lotação de 171% nos presídios, segundo dados do Infopen. 

Relembre alguns dos casos mais emblemáticos:

Carandiru 1992 

O maior massacre em prisões da história do Brasil aconteceu em São Paulo, no presídio do Carandiru , que ficava na zona norte da cidade. Em outubro daquele ano, os presos começaram uma rebelião em protesto contra as más condições do presídio. A Polícia Militar,  liderada pelo coronel Ubiratan Guimarães entrou no local para conter o motim, mas promoveu um massacre. 

No total, 111 presos foram mortos. Anos depois, 74 policiais chegaram a ser condenados pela morte de parte dos detentos, mas o julgamento foi anulado em 2016.

Urso Branco 2002 

Na virada do ano de 2001 para 2002, 27 presos foram mortos durante uma rebelião no presídio Doutor José Mário Alves, conhecido como Urso Branco, em Porto Velho, Rondônia. O motim aconteceu após a transferência de presos de áreas dentro do presídio, que por sua vez sucedeu uma tentativa frustrada de fuga.

O Estado brasileiro chegou a ser denunciado à Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) pelo massacre, mas não cumpriu as recomendações da Corte.

Casa de Custódia de Benfica 2004 

A rebelião na Casa de Custódia de Benfica, no Rio de Janeiro, aconteceu após uma tentativa de fuga em massa da penitenciária. Depois de trocar tiros com a polícia, 14 detentos conseguiram escapar e trinta presos morreram no motim. 

Parentes de presos na porta de Pedrinhas arrow-options
Reproduçao TV Globo
Parentes se desesperam no portão da penitenciária de Pedrinhas durante a rebelião


Pedrinhas 2010 

Reivindicando melhores condições no presídio, os presos do Complexo Penitenciário de Pedrinhas se apoderaram das armas dos agentes penitenciários e iniciaram uma rebelião, que terminou com 18 mortes. As mortes foram atribuídas a uma briga entre facções.

Pedrinhas 2013 

Em 2013 Pedrinhas foi mais uma vez palco de um massacre. Desta vez, a revolta teria sido motivada por uma disputa entre facções. Nove pessoas morreram, mas o caso ganhou projeção internacional pela brutalidade dos assassinatos – envolvendo decapitações e até canibalismo –, que foram filmados pelos próprios presos. 

Compaj 2017 

Nos primeiros dias de 2017, após uma festa de ano novo com familiares dos presos dentro do centro de detenção, uma rebelião deixou 56 mortos no Compaj, em Manaus. Na ocasião, as mortes foram atribuídas a uma disputa de poder entre as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Família do Norte (FDN).

Penitenciária Agrícola de Monte Cristo 2017 

Poucos dias após os acontecimentos em Manaus, a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Roraima também foi palco de um massacre, no qual 33 pessoas morreram. Neste presídio o motivo da rebelião foi

Alcaçuz (RN) 2017 

Ainda na primeira quinzena de 2017, uma nova rebelião eclodiu, desta vez na Penitenciária de Alcaçuz, em Nísia Floresta, no Rio Grande do Norte. Os presos dos pavilhões 4 e 5, das facções PCC e Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte, começaram uma briga que terminou com 26 mortos e deixou parte do presídio destruída.

Centro Penitenciário de Recuperação do Pará 2018 

Uma rebelião seguida de tentativa de fuga deixou 22 mortos no Centro Penitenciário de Recuperação do Pará, que fica no Complexo Santa Izabel. Entre os mortos estava um agente prisional, 16 detentos e cinco homens que ajudavam na fuga pelo lado de fora da prisão.

Porta do Compaj arrow-options
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 23.1.17
Compaj foi palco de duas rebeliões nos últimos dois anos


Compaj 2019

Em maio deste ano,  15 presos morreram durante uma rebelião no Complexo Prisional Aníbal Jobim (Compaj), em Manaus. Menos de 24 horas depois, outros 40 detentos foram encontrados mortos em outros três presídios da capital amazonense. 

Novamente as mortes foram motivadas por uma  disputa interna pelo comando da facção Família do Norte, segundo o Ministério Público Estadual. No Compaj, o motim aconteceu durante o horário de visitação, o que não é comum. 

Salve geral 2006

A onda de ataques organizada pelo PCC em maio de 2006 incluiu rebeliões em mais de 70 unidades prisionais do estado de São Paulo. Os atos foram uma resposta ao isolamento de líderes da facção criminosa. Em resposta, a polícia militar do estado realizou uma intensa repressão. Ainda não se sabe quantas pessoas morreram ao certo naquele mês de maio, mas estima-se que houveram mais de 400 vítimas.

Rebelião nacional 2017

Presos de ao menos 34 presídios estaduais e federais de sete estados do País se rebelaram em novembro de 2017 contra as condições do sistema prisional . Alguns dos presos chegaram a fazer greve de fome para reivindicar mudanças. 

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Duas pessoas foram mortas na Penitenciária Estadual de Cascavel, no Paraná. No mesmo presídio, três pessoas foram feitas reféns. Além disso, na penitenciária Major Eldo Sá Corrêa, em Mato Grosso, 26 presos explodiram um muro e fugiram.