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PF apura lavagem de dinheiro do grupo libanês por brasileiro; governador Wilson Witzel diz que se prepara contra o terror

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Reprodução
Elton Rumich, o Galant,preso na última terça, é acusado de envolvimento com o grupo libanês e tinha arsenal em casa

A Polícia Federal apura se Elton Rumich, o Galant , usava empresas que mantinha com nomes falsos para lavar dinheiro de terroristas do Hezbollah que atuam na Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. Investigação do Ministério Público do Paraguai, de 2016, já comprovou que o brasileiro utilizava duas sociedades para tornar lícito o dinheiro da venda de drogas do PCC e do CV, na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero.

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Galant foi preso pela Polícia Civil, em fevereiro de 2018, no Rio. Na ocasião, foi apreendida com ele caderneta com anotações que investigadores suspeitam serem de valores de lavagem de dinheiro do tráfico .

Conforme o Dia revelou nesta terça-feira (23), com exclusividade, investigação da Polícia Civil aponta Galant como o elo entre o tráfico de drogas no Rio e o Hezbollah , grupo terrorista libanês. Procurada, a defesa de Galant, que está preso em Bangu 1, não foi localizada.

Informações de inteligência apontam que terroristas lucram com a venda de cigarros e cocaína na América do Sul e utilizam empresas de fachada para tornar o dinheiro legal. Em seguida, enviam as quantias à célula terrorista libanesa para financiar atentados. Em troca, facilitam a compra de armas a traficantes. O acordo também conta com proteção de membros do Hezbollah em cadeias brasileiras por integrantes dessas facções.

Um dos presos que teria recebido essa proteção é o comerciante Assad Ahmad Barakat, detido em Foz do Iguaçu, em setembro do ano passado, pela PF. Considerado pelos EUA um dos maiores nomes do terrorismo do Hezbollah, Barakat é suspeito de envolvimento em um atentado a uma associação judaica argentina em 1994, que deixou 85 mortos. Documentos do Tesouro Americano apontam que ele utilizaria o mesmo esquema pelo qual Galant é investigado: uso de empresas na América do Sul para financiar o Hezbollah.

Witzel vai acionar a ONU

Segundo o processo que tramita na 2ª Vara Federal de Ponta Porã, que cita a investigação do Paraguai, Galant usaria duas empresas para lavagem de dinheiro: a RSS Internacional S.A. e a Notles S.A. Em ambas ele utilizava nomes falsos e era sócio majoritário.

Essas empresas aparecem em lista do Conselho de Controle de Atividades Financeiras ( Coaf ) relacionadas a nomes de suspeitos de terrorismo. Em março, a Polícia Federal estourou um bunker do PCC em Ponta Porã (MS), onde encontrou armas, drogas e uma Dodge Ram de propriedade da empresa RSS Internacional. A Justiça afirmou que a relação comprovou que “Elton Rumich seria o líder do PCC na fronteira, sendo o real proprietário do veículo blindado”.

O governador do Rio, Wilson Witzel comentou a conexão entre o terrorismo do Hezbollah. “Ainda quando eu era juiz federal, algumas investigações da Polícia Federal já mostravam algum tipo de relacionamento do crime organizado aqui do estado com o terrorismo. A Polícia Civil, através da prisão de um terrorista (Galant), conseguiu identificar esse elo. O comércio de drogas e de armas financia o terrorismo. Agora, nós vamos nos preparar para termos defesa suficiente contra o terrorismo, que está hoje nas comunidades. Vamos levar isso para a ONU, para os organismos internacionais”, disse.

Agenda possui rede criminosa

O Dia teve acesso à caderneta de anotações que Elton Rumich , o Galant, portava ao ser preso pela Polícia civil, em fevereiro do ano passado. Na ocasião, ele chegou a oferecer R$ 7 milhões a agentes para que não apreendessem a agenda e seus celulares.

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Codificada com apelidos de criminosos, a agenda ajudou a montar um organograma que mostra a extensa rede do criminoso, com cerca de 30 mil contatos. Nela, é possível ver anotações de remessas de drogas e pagamentos, que variam de R$ 1.500 a R$ 3 milhões. O codinome Bob seria um outro apelido de Galant. Somente em uma página, os montantes relacionados a esse apelido somam R$ 758,5 mil e antecedem o dia da sua prisão.

A polícia analisa se esses seriam gastos do acusado que, ao ser preso, estava com uma BMW avaliada em R$ 300 mil e vários relógios da marca Rolex.