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Primeiro suplente do PSL em São Paulo defende menos impostos em remédios, diz que o governo atual é o melhor que já viu e acredita que Eduardo Bolsonaro será a "cara que o Brasil precisa mostrar ao mundo"

Vinicius Rodrigues com Eduardo Bolsonaro arrow-options
Reprodução/Instagram
Vinicius Rodrigues vai assumir uma vaga na Câmara dos Deputados caso Eduardo Bolsonaro se torne embaixador nos Estados Unidos


"Sou o candidato do Bolsonaro". A frase, tantas vezes dita em 2018, ajudou muitos políticos em primeira eleição a conseguirem uma cadeira na Câmara dos Deputados. Para Vinicius Rodrigues, entretanto, ainda faltou um pouco. O médico sorocabano de 30 anos conseguiu exatos 25.908 votos número que, se não lhe garantiu uma vaga em Brasília, ao menos o deixou como primeiro suplente do PSL em São Paulo.

Com a possível ida de Eduardo Bolsonaro para a embaixada brasileira em Washington, nos Estados Unidos, o radiologista formado na Faculdade de Medicina de Marília, que atende em três hospitais de Sorocaba, pode ter a sua primeira chance como parlamentar e garante: vai votar exatamente igual o filho do capitão votaria.

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Vinicius admite que não tem a mesma experiência do '03'. Reconhece que nunca é fácil substituir o deputado federal mais votado da história do Brasil (Eduardo teve mais de 1,8 milhões de votos), mas segue na defensiva, deixando claro que ainda não foi procurado por ninguém do PSL e nunca cogitou uma mudança para Brasília.


Apesar do discurso, Vinicius Rodrigues - que passou a ser chamado de doutor só depois que entrou para a política - visita a capital brasileira uma vez por mês, acredita que Jair Bolsonaro faz o melhor governo que já viu e elogia a nova 'cara' que o País passou a ter: "jovem, inteligente e conservador". Modelo esse que, em sua opinião, será levado por Eduardo como propaganda do Brasil para o mundo inteiro.

Como propostas, é defensor de menos impostos para remédios , incentivo a novas tecnologias e mudança no modelo de gestão do SUS. O possível novo deputado, inclusive, faz elogios ao governo em suas propostas para a área de saúde.

Autointitulado como de direita, o primeiro suplente do PSL usa pouco as redes sociais. Quando escreve, é para opinar em defesa do presidente, da Lava Jato e do ministro Sergio Moro. Em suas últimas postagens no Twitter, atacou o jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil , site que divulgou os vazamentos de mensagens entre procuradores da força-tarefa da Lava Jato e o então juiz Moro. Costuma também retuitar mensagens de Bolsonaro e seus ministros e até possíveis futuros colegas da Câmara , como a deputada Carla Zambelli (PSL-SP).

Twiiter de Vinicius Rodrigues arrow-options
Reprodução/Twitter
Vinicius Rodrigues usa Twitter para defender o governo Bolsonaro e "atacar" os críticos do presidente


Em números concretos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Vinicius Rodrigues recebeu pouco mais de 1,4% da quantidade de votos que Eduardo Bolsonaro teve. O médico, porém, usou cerca de R$ 155 mil na campanha (71% em recursos próprios), contra R$ 218 mil do '03' (3% em recursos próprios).

iG: Vinicius Rodrigues ou Doutor Vinicius Rodrigues?

VR: Eu sempre fui chamado de Vinicius Rodrigues. Aí na campanha todo mundo começa a te chamar de "doutor", até colega de partido me chama de Doutor Vinicius. Para mim é indiferente, nunca me incomodei com nenhuma forma de tratamento.

iG: Já se imagina como deputado federal?

VR: Tudo ainda é só uma possibilidade. Eu estou tocando a minha vida normal, fazendo meus plantões, atendendo meus pacientes. É óbvio que a gente tem planos, até porque quando você é candidato você tem planos de ganhar, mas agora é hora de eu esperar.

iG: Alguém do partido já entrou em contato ou sondou a sua vontade com a possibilidade da ida e Eduardo Bolsonaro para a embaixada?

VR: Nada. Nem antes e nem agora.

iG: Se vier a assumir uma cadeira, vai se mudar para Brasília, já tem essa pretensão?

VR: Minha terra é Sorocaba. Se eu virar deputado federal , eu vou para Brasília normalmente nos dias de trabalho e vou morar em Sorocaba, como moro hoje em dia.

iG: No dia da eleição, como você sentiu após o resultado, sabendo que não tinha conseguido se eleger, mas se tornou o primeiro suplente de uma das maiores bancadas da Câmara?

VR: Foi minha primeira eleição e eu não tinha noção se eu ia ser eleito, se eu ia ficar de suplente, se eu ia ficar perto, se eu ia ficar longe, mas eu e as pessoas que me apoiaram, sobretudo minha família ficamos na expectativa de que eu ia assumir em algum momento.

iG: Como foi sua campanha?

VR: Foi uma campanha muito pela cidade [Sorocaba] e região. Eu tive 26 mil votos, desses 16 mil foram em Sorocaba e 4 mil foram em Votorantim, que é uma cidade vizinha. Aí foram mais 1 mil em São Paulo e outros 5 mil espalhados pelo Estado. Como eu tenho amigos da época de faculdade que moram em São Paulo, isso talvez tenha ajudado com os votos na capital e também tem o fato de eu ser médico. A eleição repercute um pouco na classe, então teve gente que foi procurar um médico que fosse alinhado com o Bolsonaro , acho que meus votos em outras cidades pode ter sido por causa disso, mas é puro chute, não fiz uma pesquisa específica para descobrir, isso é puro 'achismo'.

iG: Você se colocou como um dos candidatos do Bolsonaro a deputado federal ou sua linha era mais do PSL e do liberalismo?

VR: Minha linha era Bolsonaro. Era não, é Bolsonaro, continua sendo.

iG: Qual a sua avaliação do governo Bolsonaro até agora?

VR: É o melhor governo que eu já vi. Ele não nos surpreende porque ele está cumprindo o que ele falou que ia fazer. Está cumprindo o que ele anunciou na campanha, o que era o projeto dele.

iG: Como você vê a relação dos filhos do Bolsonaro com o governo?

VR: Eles são filhos protegendo o pai. É a coisa mais normal do mundo.

iG: Qual a sua relação com o Eduardo Bolsonaro?

VR: Eu o conheci um pouco antes da campanha, algumas vezes antes, algumas vezes durante, um pouco depois também, mas é por ser um colega de partido. Ele é um exemplo para todo mundo do partido.

iG: O Eduardo Bolsonaro vai ser um bom embaixador em Washington?

VR: Com certeza. Ele é alinhado ao governo, tem o conhecimento e a confiança do governo e é o que a gente precisa. Ele vai ser muito mais do que apenas um embaixador em Washington. Ele vai ser a cara do Brasil para o resto do mundo, para a gente colocar qual é a mudança que a gente está fazendo no Brasil. É um Brasil jovem, um Brasil inteligente, um Brasil conservador, a gente vai mostrar isso para o mundo. E  Eduardo é ideal para isso.

iG: Suas ideias se aproximam com a do Eduardo Bolsonaro?

VR: As minhas ideias são iguais as do Eduardo.

iG: O que a Câmara e o Brasil podem ganhar com a sua entrada?

VR: A gente tem que ter a humildade de entender qual a repercussão que o Eduardo tem, a experiência que ele já tem como político e a divulgação que ele tem, mas eu não tenho dúvida nenhuma que eu vou votar da mesma forma que ele vota. Eu vou brigar para defender os nossos ideais, para defender a direita, da mesma forma que ele briga. Eu tenho a humildade de reconhecer que eu sou um cara que está iniciando na política e o Eduardo é o deputado federal mais votado da história.

iG:   Quais as sua propostas?

VR: Uma pauta que eu sempre levo é que a gente precisa pagar menos imposto em remédio. Já tentaram fazer PEC proibindo taxação em importação e eu acredito que remédio não tem que ficar pagando imposto, precisa facilitar o acesso não só para o cidadão, mas para a pesquisa médica se desenvolver mais facilmente, que aliás é uma linha que o governo já tem adotado.A gente tem que facilitar a entrada de novas tecnologias, para a gente conseguir aumentar o acesso da população à saúde. Não é só o acesso, mas também a qualidade. Não adianta eu atender todo mundo, mas mal atendido.

iG: O senhor é a favor da privatização do Sistema Único de Saúde (SUS)?

VR: Eu acredito que a gente precisa mudar o modelo de gestão do SUS. O sistema tem um excesso de descentralização e acaba causando uma falta de gestão. A obrigação está no município, o dinheiro está em Brasília e o conhecimento está perdido aí no meio. Então o sistema precisa se reorganizar neste sentido. Quem tiver obrigação tem que estar com recurso. É óbvio, a gente precisa defender que o município tenha as suas áreas de abrangência e que a população de cada área de abrangência seja atendida de forma adequada, mas a gente tem que conseguir articular os recursos de cada cidade de uma maneira que não gere prejuízos ao Estado como unidade federativa ou em âmbito estadual mesmo.

iG: Qual a sua relação com Brasília?

VR: Eu conheço Brasília como qualquer um que vai para lá de vez em quando. Eu vou mais ou menos uma vez por mês, até para conhecer um pouco, me interar, por gostar mesmo, mas com certeza eu vou conhecer muita coisa nova.

iG: O senhor vai deixar a medicina quando se tornar deputado?

VR: A minha ideia é não abandonar a medicina totalmente, mas vou mudar minha rotina. Eu tenho uma rotina de trabalhar 80 horas semanais na medicina e não vai ter como eu fazer isso, a minha principal ocupação será ser deputado federal, mas se eu vier a ocupar uma cadeira, eu vou estar deputado federal. Eu sou médico , isso não muda.

iG: Depois que o senhor entrou para a política, mudou alguma coisa na questão profissional?

VR: Eu continuo exercendo a minha profissão do mesmo jeito. Paciente é paciente, eu trato todos da mesma forma. Se o atendimento é pelo SUS, por convênio, não importa, sempre será paciente.

iG: E a relação dos pacientes com o senhor, mudou?

VR: Olhar torto nunca aconteceu. Se algum paciente ou alguém que trabalha comigo já se incomodou por causa de política, nunca manifestou. Agora, regularmente alguém vem e elogia. Crítica nunca veio. Não vou falar que ninguém se incomoda, é presunção demais, mas diretamente, nunca criticaram.

iG: E fora dos hospitais?

VR: Os petistas já sabiam como eu pensava e já se incomodavam, mas isso é normal. O máximo que já aconteceu foi durante a campanha uma vereadora do PT me viu na feira, ergueu o braço e começou a gritar "violência", mas nunca fui agredido, só xingado por um ou outro, mas para falar a verdade eu nunca me importei, ignorava.