Tamanho do texto

Principal avenida de São Paulo está totalmente interditada, nos dois sentidos; "Com que moral um presidente que se aposentou aos 33 anos quer enfiar goela abaixo do trabalhador uma reforma dessas?", questionou petista

Haddad em protesto
Fábio Vieira/FotoRua/Agência O Globo - 14.6.19
Fernando Haddad (PT), participa do ato contra a Reforma da Previdência em frente ao Museu de Arte de São Paulo

Sindicalistas e manifestantes interditam, desde às 16h da tarde desta sexta-feira (14), a Avenida Paulista, na altura do Museu de Arte de São Paulo (MASP), para protestar contra a reforma da Previdência e cortes no orçamento do Ministério da Educação.

O ato conta com a presença dos ex-presidenciáveis Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (PSOL) e faz parte da programação da greve geral que ocorre em diversas cidades do País desde as primeiras horas do dia .

Há bloqueios em todas as faixas da avenida, nos dois sentidos da via, ao longo de cerca de cinco quarteirões. Além do MASP, parte do grupo também se reúne em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) – onde seguranças foram alocados para proteger a escultura de sapo inflável exposta na entrada do prédio. O trânsito da região é desviado por agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para vias paralelas, como a Alameda Casa Branca.

Leia também: Doria confirma que metroviários que aderiram à greve podem ser demitidos


"O ato fortalece o caldo, o diálogo sobre a reforma. Mas não basta só o ato de hoje, temos que fazer mais coisa", disse Guilherme Boulos à reportagem do iG .

Ao discursar no carro de som, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) não ateve sua fala apenas às críticas à principal bandeira econômica do governo Bolsonaro. Boulos também atacou o ministro da Justiça, Sergio Moro, flagrado em mensagens com o procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol. "Sergio Moro tem que empacotar as malas e ir embora", disse o pessolista. "Não tem condição dele permanecer como ministro da Justiça."

Também discursou aos manifestantes a presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann. "Com a reforma trabalhista, eles cortaram os braços dos trabalhadores. Agora, com essa reforma da Previdência eles querem decepar as mãos dos trabalhadores", disse. 

Haddad, por sua vez, concentrou as críticas na figura do próprio presidente Bolsonaro, seu adversário no segundo turno das eleições de 2018. "Estamos na rua na esteira do que os estudantes e magistrados do Brasil fizeram em maio", disse o petista, lembrando dos atos contra os cortes promovidos pelo Ministério da Educação. "Com que moral um presidente que se aposentou aos 33 anos quer enfiar goela abaixo do trabalhador uma reforma dessas?", cutucou.

manifestação
Fábio Vieira/FotoRua/Agência O Globo - 14.6.19
Manifestação contra reforma da Previdência na Avenida Paulista, em São Paulo

Mais cedo, cerca de 500 pessoas protestaram na Avenida Tiradentes, também na região central da cidade. Na Avenida 23 de Maio, vias foram interditadas por manifestantes que atearam fogo em pneus. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), ao menos 14 pessoas foram presas no Estado de São Paulo ao longo do dia por conta de ocorrências em manifestações.

Na capital paulista, o metrô funcionou parcialmente durante a manhã e algumas linhas de ônibus intermunicipais não operaram. Escolas públicas e bancos devem permanecer fechados, segundo os sindicatos das categorias. Já os ônibus que circulam exclusivamente em SP e os trens foram às ruas normalmente.

Leia também: Greve limita operação do Metrô e causa congestionamento acima da média em SP

Acompanhe os atos em tempo real: