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Eles vão responder por homicídio qualificado e mais dois crimes; homens do Exército atiraram mais de 200 vezes e dizem que confundiram carro

carro fuzilado
Fábio Teixeira / Parceiro / Agencia O Globo
Carro onde estava o músico Evaldo dos Santos Rosa e sua família foi atingido por dezenas de tiros disparados por militares

A juíza federal substituta da Justiça Militar Mariana Queiroz Aquino aceitou, neste sábado (11), a denúncia do Ministério Público Militar contra 12 militares do Exército denunciados no caso do carro atingido por dezenas de tiros em Guadalupe, no rio de Janeiro. Os réus vão responder por homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificada e omissão de socorro.

Os 12 militares estão envolvidos na ação de uma família baleada que resultou na morte de duas pessoas e deixou uma ferida, no dia 7 de abril, no bairro de Guadalupe, próximo à Vila Militar, na capital fluminense.

O carro em que as vítimas estavam foi atingido por disparos. Na ocasião, morreu o músico Evaldo Rosa dos Santos e foi baleado o catador Luciano Macedo, atingido ao tentar ajudar a família. Macedo acabou morrendo dias depois . Os militares acreditavam que se tratava de um carro semelhante conduzido por criminosos.

“Os militares, um 2º tenente, um 3º sargento, dois cabos e oito soldados, foram denunciados pela prática dos crimes de duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio, previsto no art. 205, § ; 2º, III, do Código Penal Militar e omissão de socorro, descrito no art. 135, do Código Penal Comum”, informou a1ª Procuradoria de Justiça Militar.

A família baleada ainda não sabe se receberá alguma indenização.

Segundo o órgão, “a tropa estava em trânsito, quando foi avisada do roubo que acontecia logo à frente”. “Ao chegarem ao local do fato e encontrarem os criminosos, os militares efetuaram disparos de fuzil e pistola. Os autores do roubo empreenderam fuga em dois veículos, um Honda City roubado e um Ford Ka branco que utilizavam para o crime”.

Ainda de acordo com a procuradoria, “os militares, que perseguiam os autores do roubo, chegaram em seguida e se depararam com um veículo com características semelhantes ao usado na fuga, um Ford Ka branco parado. Supondo tratar-se dos autores do roubo do Honda City, o tenente e, na sequência, os demais denunciados deflagraram disparos de fuzil e de pistola contra o veículo e contra Luciano Macedo, que ainda correu em direção ao Minhocão, mais foi alvejado no braço direito e nas costas”.

No texto divulgado na sexta-feira, a procuradoria afirma que, “após o reconhecimento do local e constatados os feridos, os militares não prestaram socorro imediato às vítimas”.

A procuradoria informa ainda que, “segundo levantamento realizado pela Polícia Judiciária Militar , naquela tarde de 7 de abril de 2019, considerando o primeiro e o segundo fatos sobre a família baleada, os denunciados dispararam 257 tiros de fuzil e de pistola. Já com as vítimas não foram encontradas armas ou outros objetos de crime”.