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Durante julgamento, ministra mostrou um documento que comprova que não foram 80 tiros, como divulgado de início. Nove militares estão presos

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Fábio Teixeira / Parceiro / Agencia O Globo
Carro onde estava o músico Evaldo dos Santos Rosa e sua família foi atingido por 83 tiros disparados por militares do Exército

Não foram 80 tiros. Um laudo produzido pela perícia apontou que militares atiraram mais de 200 vezes na ação que resultou nas mortes do músico Evaldo Rosa e do catador Luciano Macedo no último dia 7 de abril, em Guadalupe, na Zona Norte do Rio. As informações são do jornal Extra

O Exército afirmou inicialmente que os militares se depararam com um assalto e teriam sido atacados pelos suspeitos. Eles disseram que responderam à agressão e atiraram contra o carro. Foi comprovado, depois, que as vítimas não estavam armadas e estavam a caminho de um chá de bebê.

O caso repercutiu por conta do número de tiros que foram disparados na ação. Na época, foi divulgado que teriam sido 80. O músico Evaldo dos Santos Rosa levou nove tiros e morreu na hora. O catador Luciano Macedo foi baleado três vezes ao tentar ajudar e  faleceu 11 dias depois. 

Durante julgamento de um pedido de habeas corpus nesta quarta-feira (8), feito pela defesa dos acusados, a ministra Maria Elizabeth GuimarãesTeixeira Rocha, do Superior Tribunal Militar (STM), revelou um laudo que aponta que os nove militares atiraram mais de 200 vezes com fuzis durante a ação. Eles estão presos atualmente. 

De acordo com o documento, o tenente Ítalo da Silva Nunes Romualdo atirou 77 vezes, outro militar da patrulha fez 54 disparos e três soldados atiraram 20 vezes cada um. Desses, 83 atingiram o carro de Evaldo. Outro laudo da perícia comprova que os tiros também atingiram um muro, outros dois veículos que estavam estacionados, um prédio e um bar próximos. 

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O julgamento foi interrompido após o ministro José Barroso Filho pedir vista do processo. Antes disso, quatro ministros votaram a favor da soltura dos militares . Maria Elizabeth Rocha foi a única a votar contra a liberdade, por enquanto. "Nenhuma troca de tiros foi constatada pelas testemunhas. A ação foi desmedida e irresponsável. É injustificável esse veículo ser alvejado por 83 balas de fuzil", argumentou.