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Frente a acirramento da tensão no limite com Venezuela, Antonio Denarium assinou decreto de calamidade na saúde; desabastecimento também aflige

Governador de Roraima, Antonio Denarium, decretou calamidade pública devido a crise na fronteira
Antonio Cruz/Agência Brasil
Governador de Roraima, Antonio Denarium, decretou calamidade pública devido a crise na fronteira

O governador de Roraima, Antonio Denarium, assinou neste domingo (24) decreto de calamidade na saúde pública do estado. A medida se dá em reação ao  acirramento dos confrontos que ocorrem na fronteira do estado com a Venezuela. Dezenas de feridos em embates com militares leais ao regime de Nicolás Maduro foram encaminhados nos últimos dias ao sistema de saúde roraimense e ao menos duas pessoas morreram .

"Nós já estávamos com a situação crítica na saúde aqui no estado de Roraima  e, com a onda de violência na Venezuela, essa crise se agravou mais ainda", disse Denarium hoje cedo, em entrevista coletiva.

Na prática, o decreto de estado de calamidade pública na saúde permite que o estado realize compras emergenciais de materiais médico-hospitalares.

Somente nas últimas 36 horas, 18 feridos deram entrada no Hospital Geral de Roraima (HGR), em Boa Vista, com ferimentos por arma de fogo. Desse total, 13 tiveram que passar por cirurgia e estão internados em unidades de terapia intensiva.

De acordo com o vice-governador de Roraima, Frutuoso Lins, que é médico, os feridos que têm chegado ao HGR são, na sua maioria, vítimas graves de tiros de fuzil, o que exige um tratamento mais intenso do que feridos por armas de fogo simples. "É uma novidade para gente tratar ferida de arma de fogo por fuzil, que é muito diferente de tratar ferida por arma comum, como [revólver] 38 ou 380. É um ferimento muito mais grave e denota um uso do sistema de saúde muito mais intenso", afirmou.  

O governo roraimense analisa a possibilidade de contratar leitos hospitalares privados, caso aumente a demanda por internação. O Exército disponibilizou sete ambulâncias para transportar para Boa Vista os manifestantes que se ferirem em Pacaraima, cidade que fica na fronteira com a Venezuela.

É por Pacaraima que o governo brasileiro tenta, em parceria com o autodeclarado presidente interino venezuelano, Juan Guaidó, disponibilizar ajuda humanitária aos venezuelanos . Desde ontem, duas carretas carregadas com alimentos e remédios aguardam autorização das tropas de Maduro para cruzarem a fronteira.

Além da violência, Roraima tem desabastecimento de energia

Roraima convive com violência na fronteira após ordem do regime venezuelano de Nicolás Maduro
Reprodução/Globonews
Roraima convive com violência na fronteira após ordem do regime venezuelano de Nicolás Maduro

Desde que a fronteira foi fechada por ordem do regime chavista, a população roraimense passou também a conviver com problemas no abastecimento de energia, uma vez que o estado compra energia elétrica do país vizinho, já que Roraima não integra o sistema nacional de transmissão.

"Com esse agravamento da crise política na Venezuela, nós já estamos tendo alguns cortes durante o dia, do fornecimento [de energia]", afirmou Denarium. Segundo ele, em uma reunião por videoconferência com o presidente Jair Bolsonaro, ficou acertado a prioridade dos investimentos no setor, para que o estado deixe de depender da compra de energia da Venezuela.

Leia também: Governo brasileiro condena confrontos na fronteira da Venezuela

"Já teve um alinhamento, por parte do governo do estado de Roraima , com o presidente Bolsonaro, sobre a construção do linhão de Turcuruí. Fizemos uma reunião e ficou determinada a urgência", informou.

*Com reportagem da Agência Brasil

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