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Governo brasileiro e representante do venezuelano Juan Guaidó pedem que militares "coloquem a mão no coração" para autorizar que dois caminhões carregados com alimentos e remédios cruzem a fronteira em Pacaraima (RR)

Insumos enviados pelo governo brasileiro à Venezuela estão estocados em Boa Vista; retirada é feita pela gestão Guaidó
Divulgação/TV NBR
Insumos enviados pelo governo brasileiro à Venezuela estão estocados em Boa Vista; retirada é feita pela gestão Guaidó

Dois caminhões carregados com alimentos e remédios disponibilizados pelo governo brasileiro, em cooperação com os Estados Unidos, tentam cruzar a fronteira do município de Pacaraima (RR) com a Venezuela neste sábado (23).Os dois já chegaram à fronteira e aguardam permissão para passar. Para chegar aos venezuelanos, os veículos precisarão do aval das tropas do regime de Nicolás Maduro, que  fecharam a fronteira ainda na quinta-feira (21).

Quase 20 toneladas de insumos – o que inclui arroz, leite em pó, feijão e kits médicos para atender até 100 mil pessoas ao longo de um mês – estão estocadas em Boa Vista desde essa sexta-feira (22) . O transporte da ajuda humanitária para dentro do território da Venezuela é de responsabilidade do autodeclarado presidente encarregado, Juan Guaidó.

Não há garantias de que o acesso será liberado por parte das tropas leais a Maduro. Os militares chegaram, na tarde de ontem, a abrir fogo com indígenas que tentavam cruzar a fronteira. O confronto resultou na morte de duas pessoas e deixou mais de uma dezena de feridos .

Em entrevista coletiva concedida nesta manhã em Pacaraima, a representante de Juan Guaidó no Brasil, Maria Teresa Belandria, reclamou da estratégia de "repressão", "crueldade" e "maldade" do regime Maduro e clamou para que os militares "ponham a mão no coração" e permitam o acesso da ajuda humanitária em solo venezuelano.

"Pedimos que as autoridades ponham a mão no coração e vejam que, nesses caminhões, vão alimentos e remédios para curar os enfermos. [...]  As pessoas stão desesperadas. Estão morrendo nos hospitais porque não há antibiótico. Quem está do outro lado sabe que o que vem nesses caminhões pode salvar suas vidas", disse.

O apelo foi corroborado pelo ministro brasileiro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo . O chanceler do governo Bolsonaro disse que as tropas que guardam a fronteira têm o "dever moral" de permitir que os insumos cheguem aos venezuelanos e também o "dever político" de "compromisso com o governo constitucional de seu país", referindo-se ao grupo de Juan Guaidó.

Autodeclarado presidente encarregado Juan Guaidó com o ministro brasileiro Ernesto Araújo
Divulgação/Itamaraty
Autodeclarado presidente encarregado Juan Guaidó com o ministro brasileiro Ernesto Araújo

Maria Teresa e Ernesto Araújo relataram que, na manhã deste sábado, três integrantes da Guarda Nacional Bolivariana decidiram usar veículos blindados para retirar contêineres que, a mando de Maduro, bloqueavam uma ponte na fronteira venezuelana com a Colômbia .

"Esperamos que seja o começo de um processo pelo qual essas Forças vão seguir a vontade do povo da Venezuela", disse o ministro brasileiro.

A representante do governo Guaidó também expressou otimismo em fazer com que a ajuda humanitária enviada pelos governos do Brasil e dos Estados Unidos chegue aos venezuelanos, mas pontuou que o "regime Maduro tem braços muito longos". "Ele ameaça empresas de transporte, porque o carregamento da ajuda exige que seja feito por caminhões venezuelanos, com motoristas venezuelanos. Mas vamos transportar toda a ajuda, não tenho dúvida. Estamos fazendo nossos melhores esforços. Todos estão ajudando."

A entrevista coletiva de Maria Teresa e Ernesto Araújo em Pacaraima contou também com a presença do encarregado de negócios da embaixada dos EUA no Brasi, Wiliam Popp, que assegurou que o envio de ajuda aos venezuelanos trata-se de um movimento "completamente humanitário", e não político. "Pedimos às forças de segurança da Venezuela que permitam que esses produtos cheguem, que essas forças não usem da violência contra o seu povo. O mundo está de olho", acrescentou.