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Engenheiro Makoto Namba, funcionário de uma subsidiária da mineradora, disse que se sentiu "pressionado" pela Vale a atestar segurança da barragem

Engenheiros chegaram a informar a Vale a respeito de problemas na barragem que, dois dias depois, se rompeu em Minas
Reprodução/TV Globo
Engenheiros chegaram a informar a Vale a respeito de problemas na barragem que, dois dias depois, se rompeu em Minas

Uma troca de e-mails entre funcionários da Vale e duas empresas que cuidavam da segurança das barragens em Brumadinho, Minas Gerais, revelam que a mineradora já havia sido avisada dos problemas nos sensores responsáveis por monitorar a estrutura da barragem dois dias antes do rompimento. As informações foram obtidas com exclusividade pela TV Globo .

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Os engenheiros da empresa TÜV SÜD, André Jum Yassuda e Makoto Namba, responsáveis pela segurança da barragem, começaram a trocar e-mails com profissionais da Vale , no dia 23 de janeiro, às 14h38 e foram até as 15h05 do dia seguinte. No dia 25, a estrutura se rompeu. Tais e-mails foram obtidos pela Polícia Federal, nas investigações após a tragédia. 

Em depoimento, os engenheiros afirmam que só ficaram sabendo das alterações dos dados fornecidos pelos sensores após o rompimento da barragem em Brumadinho . Os detalhes das mensagens não foram informados. 

No entanto, o delegado Luiz Augusto Nogueira indica que eles já sabiam dos problemas, pois o assunto dos e-mails "diz respeito a dados discrepantes obtidos através da leitura dos instrumentos automatizados (piezômetros) no dia 10/01/2019, instalados na barragem B1 do CCF, bem como acerca do não funcionamento de 5 (cinco) piezômetros automatizados".

Ainda em depoimento, o engenheiro Makoto Namba disse que se sentiu "pressionado" a assinar o laudo de estabilidade da barragem em uma reunião com funcionários da mineradora. Namba afirma que um funcionário da empresa, chamado Alexandre Campanha perguntou a ele: “A TÜV SÜD vai assinar ou não a declaração de estabilidade?”.

Segundo ele, a pressão e a frase dita pelo funcionário fez com que ele assinasse o laudo por medo de perder o contrato. O engenheiro ainda disse à PF que, quando questionado se assinaria a declaração de estabilidade, respondeu que só faria se a empresa adotasse as recomendações indicadas em uma revisão periódica em junho de 2018.

Depois que as mensagens foram lidas a Namba, ele foi questionado sobre o que faria caso seu filho fosse um funcionário da mineradora e estivesse trabalhando no local da barragem. 

"Ligaria imediatamente para o meu filho para que evacuasse do local bem como ligaria para o setor de emergência da Vale responsável pelo acionamento do PAEBM [Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração] para as providências cabíveis", respondeu. 

Os engenheiros da Vale , Yassuda e Namba, foram presos na última sexta-feira. No entanto, nessa terça-feira, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) determinou que eles fossem liberados

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