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Procuradora-geral da República recebeu representantes de famílias e encontra ainda hoje presidente da Vale para cobrar ações em Brumadinho

Raquel Dodge disse que
Marcelo Camargo/Agência Brasil - 14.12.17
Raquel Dodge disse que "reflexão" provocada pelo episódio de Mariana deve trazer "celeridade" ao caso Brumadinho

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge , recebeu nesta quinta-feira (31) representantes das vítimas da tragédia de Brumadinho (MG). A chefe do Ministério Público Federal também se  reuniu, horas mais tarde, com o presidente da Vale , Fabio Schvartsman, para cobrar ações de apoio às famílias atingidas pela lama que tomou o município após rompimento de barragem da empresa. 

Em entrevista coletiva, Raquel Dodge reconheceu "erros" na atuação dos órgãos públicos após o desastre em Mariana (MG), há três anos, e fez apelo para que as ações de assistência às pessoas afetadas em Brumadinho não espere pela ação da Justiça. 

"O problema é complexo, demora a ser resolvido. As empresas precisam assumir, de forma muito séria, o compromisso de zelar pela rigidez dessas barragens para que novas vítimas não sejam atingidas. É preciso cuidar de questões emergenciais. É preciso que as crianças retornem à escola. É preciso que a vida volte ao normal, e isso não é possível se a empresa não assumir, de forma muito clara, suas responsabilidades, independente de questões judiciais", disse Dodge. "Cada um assumindo o seu dever de indenizar, de adotar medidas emergenciais, não é preciso aguardar a ação da Justiça."

Apesar de defender ações antes mesmo da ação judicial, Dodge ressaltou que haverá também reparações cobradas pela Justiça nas esferas trabalhista, civil, ambiental e criminal. "Cada uma no seu tempo", pontuou.

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A procuradora-geral disse que há "muitas lições" que as autoridades podem tomar do episódio de Mariana , onde 19 pessoas morreram após rompimento da barragem da Samarco, em 2015, e as multas ainda não foram pagas pela empresa (que é sócia da Vale e da BHP Billiton). 

"O episódio de Mariana trouxe muitas lições. Houve alguns erros de encaminhamento e sobretudo, houve demora. E essa demora vem em detrimento dos mais vulneráveis, das pessoas que estavam na linha direta da ação da lama", admitiu. "Um dos erros foi a demora na definição de quem tem atribuição para fazer o quê. Perdemos muito tempo em relação a isso."

Segundo Dodge, é preciso "aproveitar essa reflexão" sobre o episódio de Mariana para, desta vez, zelar pela "celeridade" e pela "resolutividade" dos problemas em Brumadinho .

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A procuradora-geral comentou também medida anunciada nesta semana pela direção da Vale no sentido de  eliminar todas as barragens da empresa que foram construídas com o mesmo método das barragens de Mariana e Brumadinho.

"Eu espero que seja uma atitude de boa vontade, uma atitude positiva. Vamos estar permanentemente em contato com outros órgãos de controle e em contato direto com as pessoas atingidas para acompanhar isso", afirmou Raquel Dodge .

Veja imagens dos trabalhos de resgate em Brumadinho:


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