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Autoridades confirmam que água do Rio Paraopeba está imprópria para consumo, mas diz que sistema é independente; Defesa Civil manda Vale se responsabilizar pela entrega de água potável às comunidades ribeirinhas

Defesa Civil garante que abastecimento de água não corre risco mesmo após contaminação do Rio Paraopeba
Lucas Hallel Ascom/Funai
Defesa Civil garante que abastecimento de água não corre risco mesmo após contaminação do Rio Paraopeba

A Defesa Civil confirmou que foi constatada que está imprópria para consumo a água do Rio Paraopeba, atingido pela lama jorrada pelo rompimento de barragem da Vale em Brumadinho (MG) . A situação, no entanto, não põe em risco o abastecimento de água potável nem na cidade afetada pela tragédia e nem à região metropolitana de Belo Horizonte, segundo garantiu nesta quinta-feira (31) o tenente-coronel Flávio Godinho. 

O coordenador da Defesa Civil explicou que o abastecimento de água na cidade não depende do Rio Paraopeba, mas sim da captação no Córrego Águas Claras. Já para as demais cidades da região, a entrega de água potável é feita pelo Sistema Integrado Metropolitano.

"Não haverá falta de água potável. Não há nenhum indicativo de falta de água para a região metropolitana. O Paraopeba encontra-se totalmente íntegro. Houve, no início do derramamento de rejeito, o encerramento da captação de água do rio. Ela foi interrompida. A criação da captação de água nesse rio se deu anos atrás, quando tínhamos crise de água no estado. Então essa interrupção no Sistema Paraopeba não significa nenhum desserviço ou nenhuma falta de entrega de água", garantiu Godinho.

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Segundo Godinho, a constatação de água impura no rio que corta a cidade de Brumadinho representa problema real apenas a comunidades ribeirinhas e a alguns proprietários de plantações e criações de animais que fazem captações independentes. As autoridades mineiras dizem monitorar 22 pontos de captação de água não tratada.

"Essa captação deverá ser interrompida. As pessoas que estão nesse caminho do rio não devem usar essa água para alimentação ou hidratação de animais, ou agropecuária e nem para consumo próprio", alertou Godinho.

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O tenente-coronel cobrou que o fornecimento de água potável a essas comunidades que vivem abaixo do Rio Paraopeba deve ser garantido, "imediatamente", pela Vale, dona da barragem que se rompeu e provocou a contaminação do rio – e a morte de ao menos 99 pessoas, além do desaparecimento de outras 257.

O coordenador dos trabalhos da Defesa Civil em Brumadinho explicou que órgãos como a Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), a ANA (Agência Nacional de Águas), o Igam (Instituto Mineiro de Gestão das Águas) e a CPRM (Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais) monitoram a qualidade da água no Rio Paraopena. Godinho afirmou ainda que não será utilizado "nenhum composto químico" para alterar a qualidade da água e assegurou, mais uma vez, que não há risco de falta de abastecimento de água . "Não há nenhum indicativo disso", finalizou. 

Veja imagens dos resgates em Brumadinho: